FERNANDÃO – 3 ANOS SEM O GUERREIRO!

Enviado do meu smartphone Sony Xperia™

No seu Aniversário – Presenteie-se!

 

Check-up. Cuide-se - 2016-08

Série – Fumo Zero! 13

 

Fumo 13 - 2017

Internacional – Campeão do Mundo!

 

Mosaico da chegada do nosso Colorado ao Gigante da Beira Rio.

Inter 29 - Campeão do Mundo 2006

Corisco, Prego e Rosa! Um Natal iluminado. Edson Olimpio Oliveira. Reedição.

 

Corisco, Prego e Rosa!

– Um Natal iluminado –

Reeditado a pedido.

Meu Sangue é Vermelho – Meu Coração é Colorado!

 

Lembremos o ano da Dor e da Luz – 1954. Enquanto alguns pranteavam amigos e parentes mortos e sepultados no campo santo de Pistóia, na Itália, outros ex-combatentes da Força Expedicionária Brasileira – FEB persistiam sua vida aqui na primeira capital de todos os gaúchos. Nem todas as mutilações são visíveis no corpo. As lesões da mente e do espírito são mais graves. Um ano de muita dor e sofrimento, o Pai dos Pobres, Getúlio Vargas, morrera no Palácio do Catete, no Rio de Janeiro. O povo brasileiro abraçava-se aos prantos pelas ruas deste país. Mas a Negra Rosa continuava com sua fé inabalável na santa padroeira desta cidade, Nossa Senhora da Conceição. Uma irmã mais velha foi mãe e madrinha desses dois jovens que foram arrancados das peladas no campo da baixada rubro-negra e dos gramados no matadouro dos Pintos para servirem ao exército – Corisco e Prego.

Outro órfão criado nas adversidades da existência crescera com o amor dos religiosos no “abrigo” do Pão dos Pobres e ali aprendeu o ofício de linotipista. Adão Carlos era seu nome. Sua paixão pelo futebol e pelo seu Colorado tornava-o presença constante nos jogos e até em treinamentos e ali era incitado por amigos e jogadores e na ponta da língua recitava as formações dos times, datas de jogos e o placar. O mítico Rolo Compressor era sua maior paixão. E foi por suas mãos que tentou apresentá-los ao técnico Volante. Num desses treinamentos, Carlitos teve a camiseta rasgada numa disputa com Nena, o Parada 18. Ao final do treino, Carlitos tirou-a, beijou-a espremida entre suas mãos e a jogou para jovens que se acotovelavam junto ao alambrado e logo abraçada pelo gêmeo Prego saltando mais alto que todos. Comprimida contra seu coração era um troféu de inestimável valor. E foi com essa camiseta amorosamente costurada, como as tabelinhas de Carlitos e Villalba no Grenal em que seu Colorado ganhou de 7 a zero na casa do adversário, que Prego passeava com a glória de um herói pela velha Setembrina dos Farrapos.

Corisco era um ponteiro-direito que se inspirava no formidável Tesourinha, enquanto seu gêmeo Prego era “negrinho alto de pernas finas e joga de cabeça em pé como cobra dando o bote, é um jogador cerebral”, diziam. Corisco fazia da vida das defesas um inferno e sua velocidade e arte tripudiava dos adversários. A vida tem sempre um senão. Apesar da curta existência no recrutamento, o álcool trazido na mochila dos pracinhas afastava-o do futebol e do trabalho de pintor de residências e lançava-o nas noites sem fim das canchas de bocha e de jogo do osso. Numa dessas noitadas de álcool e jogo, recebeu a visita da dama de negro que lhe acompanhava nos delírios de sepultar e carregar os companheiros mortos na guerra – uma adaga assassina tirou-o dessa existência!

A cidade comentava a morte violenta. As lavadeiras do arroio Mendanha oravam com as mãos dadas num anel de amor todas as noites pela sua sofrida alma. Apesar dos cuidados e do carinho daquelas negras e negros escaldados pelo ancestral infortúnio de sua raça e de “algum branco misturado” o seu irmão Prego começou a definhar. Havia ido jogar no grande time do Renner onde uma fratura de perna impediu-o de ser o Campeão Gaúcho daquele ano. Logo uma tosse insidiosa assombrava o casebre da Rosa. Prego emagrecia dia a dia. Os remédios da irmã e das negras velhas e sábias não surtiam nenhuma melhora. Buscaram tratamentos na Capital e o amigo Adão Carlos acompanhava-os com frequência. Era a tísica, como chamavam a tuberculose, que lhe corroía o corpo extenuado numa tarimba com a preciosa camiseta aberta e fixada na parede a sua cabeceira, logo abaixo de uma imagem de Nossa Senhora da Conceição. Num mundo em que os fortes e poderosos serão lembrados, os fracos e pobres rumam ao esquecimento. Mais denodo Rosa trabalhava para alimentar e tratar do irmão enfermo. Nas noites delirantes e febris, a irmã amorosa colocava sua cabeça em seu colo e com panos umedecidos numa bacia com água benta passava-lhe nas frontes enquanto seus lábios oravam com fervor. A vida agonizava naquele corpo franzino e dilacerado pela perda do irmão querido.

As toalhas da Igreja centenária de Nossa Senhora da Conceição quaravam ao sol nos gramados atapetados da margem do arroio. Lavadas e engomadas por Rosa, assim como havia sido por sua mãe e avó. O padre entregava-lhe os panos e tecidos mais nobres para que iluminassem os altares e as festas da Padroeira e do Natal. Uma imagem da santa estava numa singela gruta de pedras e coroada com conchas do mar sob uma pitangueira espreitando o arroio e suas lavadeiras. Uma vela especial ardia ansiando graças divinas. Negro Prego talvez não varasse o Natal de 1954, pois golfadas de sangue faziam rubro seus panos e o leito expelidas pela tosse lancinante. A velha galena trazia-lhe o conforto relativo de algum jogo de futebol entre períodos de delírio. Os vizinhos pediam-lhe que a desligasse, pois o incêndio da Casa de Correção em Porto Alegre trazia dor e temor para todos. Somente um sorriso era sua resposta eventualmente. Alguns não entendiam. Seu coração entendia. O amigo Adão Carlos lia-lhe as reportagens dos jornais mesclando com os feitos da epopeia do seu Internacional na esperança de estimulá-lo. Aglomeravam-se crianças e alguns adultos para verem suas narrativas dos golos como o mais entusiasmado locutor esportivo.

Véspera de Natal. A cidade buscava aliviar as suas dores e enfeitava-se para a festa maior da cristandade. Devotos vestiam suas melhores roupas e subiam a lombada de chão cru para assistirem à Missa do Galo. A irmã Rosa persistia orando ajoelhada com o gasto rosário entre os dedos calejados. Batem à porta. Alguns vizinhos contam que uma senhora branca com dois meninos pelas mãos – um negrinho e outro menino com cabelos encaracolados – e saída donde ninguém sabia, batia à porta do casebre. Uma claridade da lua iluminava particularmente aquela casa. Adentrou à humilde morada. Retirou um grande e alvo lenço de seus ombros e cobriu Rosa, Prego e o outro negrinho. Os vizinhos continuavam a espiar. Um tempo depois. Contam que a viram subir aos céus “como se fosse para a Lua”. Outros juram tê-la visto entrar na grutinha de pedra. O certo − Prego milagrosamente amanheceu curado e caminhando à margem do arroio ir ajoelhar-se junto à gruta. Logo no Ano Novo buscou um seminário para se tornar um religioso. Alguém jurou tê-lo visto com uma camiseta vermelha sob a batina negra. E como tal foi um dos escassos padres negros que levou a mensagem de Nossa Senhora aos necessitados e perdidos do mundo. Acredita-se que Corisco atravesse os céus pelas mãos da Mãe Divina.

– E Rosa?

O amor persiste e derrama-se de seu coração e suas mãos ainda trazem conforto e felicidade numa dádiva que a idade jamais diminuiu.

 

Nota do autor.

Viamão, minha cidade natal, que cunhei ser a “primeira capital de todos os gaúchos”, pois foi aqui que de fato nasceu o sentimento pátrio dessa terra disputada por dois impérios e invadida pelos castelhanos do General Ceballos. Também é denominada de Setembrina dos Farrapos pelos eventos na maior guerra entre irmãos da pátria brasileira. É berço da família Oliveira que se confunde com o amor ao Sport Club Internacional. Cidade histórica adornada pela monumental Igreja com paredes de cerca de dois metros de espessura e embalada por suas histórias e lendas. Assim faço esse um mensageiro vivo do amor e da alma de seu autor e do respeito e admiração pelo grande amigo “seu Adão” Carlos Cunha e pelo meu pai Aldo “Cabeleira” Oliveira, cônsul colorado, apaixonados fiéis do nosso Internacional. Igualmente é um tributo à “dona Zulmira” Andrade que nos seus noventa anos, de negra e lavadeira no Arroio Mendanha, carinhosamente chamada entre abraços e beijos de gratidão como “mãe preta” e persiste derramando seu amor e atenção para crianças e demais pessoas.

 

A Idade da Gata! Edson Olimpio Oliveira. Crônicas & Agudas. Jornal Opinião de Viamão. 30 maio 2017.

 

2017 – 05 – 30 MAIO – A IDADE DA GATA – EDS OLIMPIO – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

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A Idade da Gata!

P

or mais que o título sugira que vamos enveredar pelos caminhos da idade da mulher amada ou pelas belas que flutuam no universo ao nosso redor, vamos tangenciar ou passar de raspão, até “tirando um fininho”. Quanta coisa se faz pela idade? Ou não se faz pela idade? – Estou muito velho para isso! Isso é para jovem e a minha juventude já ficou perdida no tempo. Você ouve ou dia algo assim? Como a nossa mente racional, exceto quando vota ou é discípula de criminoso contumaz, trabalha nos dando a realidade das nossas possibilidades com o máximo de desenvoltura e o mínimo de risco, selecionamos aquilo que nos é mais agradável e compatível. A TV mostra uma mulher na casa dos 90 anos saltando de asa delta do topo de uma rocha na montanha. Sim, trazia às costas um experiente professor do esporte. Mesmo assim é de arrepiar os cabelos restantes. A descida triunfal e filmagens para as redes sociais. Tudo até é legal quando acaba bem. E muitas vezes acaba bem porque aquele espírito está revestido, blindado contra a idealização da desgraça possível.

Crônicas & Agudas

Tenho que fazer isso enquanto sou jovem! Diziam um amigo empoleirado numa motocicleta superesportiva e também adepto dos esportes de alto risco, como sair de moto à noite em Porto Alegre. Alguns até numa festa funk depois de um jogo na Arena tricolor numa área de sobrevivência escassa sem o aval da chefia local. Outro faz mergulho de profundidade em cavernas ou noturnos no oceano. Tudo aquilo que nos desafia, que ativa nossos mecanismos de combate e de sobrevivência com riscos, gera substâncias em nosso corpo que tendem a exigir novas repetições. E talvez com maiores riscos. E a idade está ali para marcar território e estabelecer limites. – Quando eu era jovem Completava um vovô ao contemplar o andar sensual da moçoila saída de algum conto com dezenas de tons de cinza entre outras cores do espectro. O jovem com a safadeza mascarada atiçou: – Tem um comprimido azulzinho que dá uma coragem e uma disposição danada de boa!

Cr & Ag

A cirurgia plástica que mais tem crescido percentualmente no Brasil e nos Estados Unidos traz o remodelamento, aperfeiçoamento da genitália feminina. A motivação é diversa, mas a busca de resultados compartilhados é evidente. Nesse boom nenhuma idade é adversária, ao contrário, é motivacional. E as veteranas de muitos fandangos da vida, corações pealados e estradas de chão batido ou lençóis de fios de linho egípcio encantam-se e a vida desafia constantemente. Um amigo sentado na sua veterania de conhecer o rengo sentado e saber do cego dormindo lascou: – O compromisso só aumenta!

Cr & Ag

Os amigos fieis que me acompanham nessa balada de letras se fundindo em palavras e frases lembram da Neve. A Neve é nossa gata. Peluda e algo obesa. Carinhosa quando carente. Tão na dela quanto todos os felinos. Ela faz a rotina de vida dela, desde que nada lhe falte – areia para suas necessidades fisiológicas, ração premium para paladares apurados e água fresca. Ela curte seus locais de dormir e de brincar. Com cerca de 15 anos de idade seria uma humana muito idosa. Ela não tem a consciência disso, persiste tentando pegar os passarinhos na sacada, assim como sentar-se ao sol ou andar suavemente pelo parapeito do apartamento. Parece ter programas na TV ao seu gosto, tanto para olhar quanto para dormir. Outros ela renega e busca lugares distantes. Tem especial amizade pela sua veterinária. E aproveita um dia após o outro sem qualquer tipo de preocupação com a prisão do Lula ou a queda do Temer. Observamos algumas mudanças física e mentais da sua idade. Nós observamos! Ela curte a sua vida em qualquer cenário que vamos com a mesma satisfação. Acompanhar os animais nos ensinam aulas úteis para nossa humanidade desenfreada e consumista, para nossa vertigem do tempo escasso ou do pavor do envelhecimento. No entanto, para todos e todas as criaturas o tempo é o mesmo.

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