Declaração de Amor! Edson Olimpio Oliveira. Crônicas & Agudas. Jornal Opinião de Viamão. 29 Agosto 2017

 

Declaração de Amor!

 Saibam todos que lerem essas crônicas que existiu uma espécie fantástica de homens que pilotavam máquinas maravilhosas chamadas de Motocicletas, que rasgavam este planeta como cometas rasgando o manto negro do Céu!” (Crônicas & Agudas da Primeira Capital Equipe)

 

Declaração de Amor!

 

            Algumas pessoas desconfiavam. Outras sabiam. Certos amigos mais próximos desaconselhavam este relacionamento. Até achavam-no perigoso. Mas meu coração acelera e trepida a sua lembrança. A sua voz e corpo bem feitos continuam a deslizar em minha mente à lembrança dos momentos que juntos passamos.

 

           Amanheceu um lindo dia de sol. Os raios de sol esgueiravam-se para entrar pelas venezianas. Havia sonhado com ela esta noite. Seu nome… Morgana.  Minha esposa já havia se levantado e estava arrumando a casa e os filhos. Vesti-me apressadamente. Subtilmente saí de casa. Fui ter com ela. Abri a porta silenciosamente. Era penumbra em seu quarto. Ela ainda dormia. Coberta por um alvo lençol deixava entrever suas curvas sensuais. Braços abertos como a me esperar. Sua traseira firme e arredondada onde tantas e tantas vezes acomodei-me, trocando afagos e juras de amor. Deslizei a sua volta, admirando-a. Fui descobrindo-a lentamente. Acordei-a. Seus olhos grandes brilhavam de encontro aos meus em lampejos de paixão consentida. Havia uma marca de umidade no lençol… Certamente também sonhara comigo. Deslizei a mão por seu peito. Abri minhas pernas e acomodei-a. Mãos com mãos num toque de fusão absoluta de corpos e almas. E ela já bem acordada, ligada, sussurrava ritmicamente debaixo de mim. Todo meu corpo vibrava com ela. Sentia aumentar o calor vivo de seu corpo frenético. Nós nos consumávamos em amor pleno, total e eterno. Ela estava satisfeita. Pronta, convidando-me para passear. Eu estava esperando.

 

Então subitamente a porta do quarto abriu-se… Era minha esposa. Surpresa? Não! Nós a aguardávamos. Cumprimentou-a, abraçando e beijando amorosamente a Morgana, esse amálgama de feiticeira-amor. E juntos, abraçados, faróis ligados, capacetes na cabeça, saímos a rasgar as estradas da vida neste belo e harmonioso triângulo amoroso: eu, minha esposa e Morgana, a nossa motocicleta.

 

·         Nota do Cronista: Essa crônica venceu concurso literário nacional.

 

Crônicas & Agudas

 

            Contam que o “cavalo de Mostardas” mesmo levado para o mais distante do seu pago, sempre pastará com a cabeça virada para Mostardas e há quem jure vê-lo relinchar dizendo que “um dia eu volto para Mostardas”. Também contam as línguas mais afiadas que “depois de ter uma amante castelhana, o cara jamais esquece”. Pode deitar em cama de ouro com lençóis de mil fios de linho egípcio, digno de faraó, mas a castelhana estará sempre no seu mais intenso calor. Assim, nessa toada, nesse balanço, nessa cadência de amor e paixão está a motocicleta, ou simplesmente “a moto”. Quem ama, sabe!

 

207 – 08 – 29 Agosto – Declaração de Amor – EDS OLIMPIO – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião de Viamão. – www. edsonolimpio.com.br

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