A Viagem. Fênix – um retorno à Vida! Crônica 7. Edson Olimpio Oliveira. Crônicas & Agudas.

 

 

A Viagem.

 

Fênix – Um retorno à Vida!

 

Estavam aposentados após uma vida de trabalho duro e contínuo. Quase 60 anos, suas vidas estavam paradas. Objetivo maior – cuidar dos netos e arengar um com o outro para se distraírem. Desiludidos com os políticos. Poupança em baixa. Greve do gás. Só restava o saco… Cheio!  Então numa tarde morna de sábado, ele com o gato no colo e ela enchendo o chimarrão, lembraram de uma crônica da 1ª Capital Equipe – grupo de fantásticos motociclistas. Como se voltassem no tempo, seus olhos se iluminaram. E disse para a esposa que se esforçava para desentupir a bomba do mate:

 

                        — Te lembra do primeiro beijo?

                        — Lembro meu amor!

 

                        Com os olhos fixados em algum lugar do passado, aquela palavra AMOR fazia anos não acariciava seus lábios.  Cerca de 40 anos estavam abraçados no banco de uma BSA que o pai lhe emprestava nos finais de semana. Eram jovens com sonhos e enamorados.  As belas recordações inundaram seus olhos enrugados. A lembrança da moto fê-los navegar de novo no seu leito de amor. A redescoberta da vida e do amor, decidiram comprar uma motocicleta.

 

                        Os dias seguintes sucederam-se frenéticos – contar aos filhos a decisão, somar as contas de poupança, vender alguns bens, fazer exames médicos e solicitar o apoio logístico da 1a. Capital Equipe.  E veio a máquina. Era uma Honda Sahara 1991.  Foi uma festa em Viamão, quase como se a terrinha voltasse a ser a Capital dos gaúchos.  Batizada pelo padre – FÊNIX.

 

                         Família muito religiosa. Os preparativos para a viagem continuavam apesar das opiniões negativistas. Adquiriram roupas de couro, capacetes, viseiras sobressalentes, mapas, bússola, medicamentos de urgência, curso de mecânica, primeiros socorros, e sabe-lá-Deus o que mais.

 

                         Certa noite, a esposa-co-piloto acordou-se. Após tatear a cama procurando seu príncipe-cavaleiro, foi encontrá-lo na garagem dormindo ao lado da Sahara.  Outra feita estavam os dois lavando a FÊNIX com xampu da Mônica e limpando-a com cotonetes.

 

                        E o grande dia finalmente chegou.  O povo aglomerou-se na Praça. Banda Marcial do Colégio Farroupilha. Os jornalistas do Opinião, Correio Rural e A Tribuna disputavam no cotovelaço as últimas entrevistas. Representantes dos CTGs faziam a segurança. Os políticos colocavam-se ao lado do casal para aparecerem nas fotos. Os motoclubes da grande Viamão estavam representados. A criançada corria atrás de balões fujões. Era um delírio geral. Envolvida pela fumaça do foguetório a FÊNIX relampejava suas sinaleiras. 

                     

O ronco do motor dois cilindros era um brado farroupilha Um grito de liberdade.  Desmaios de despedidas.   Tudo pronto.  Derradeira salva de tiros da Brigada, partiram rumo a Torres.  O "nosso" casal foi escoltado pela 1ª Capital Equipe até a divisa de Gravataí. 

 

A FÊNIX voava serena carregando em seu dorso o AMOR, A LIBERDADE e o retorno à VIDA.    

Moto - Paixão Eterna - 7 - 2017 - O Selvagem Marlon Brando

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