“O tempo muda a pessoa”! Edson Olimpio Oliveira. Crônicas & Agudas. Jornal Opinião. 17 Outubro 2017.

 

“O tempo muda a pessoa”!

Para o melhor e para o pior.

Certamente você já escutou essa observação, que geralmente vem carregada de um franzir de sobrancelhas e uma leve tração no ângulo dos lábios. Carrega uma desaprovação, um espanto ou outro sentimento que colide com aquilo que esperaria ou que mantivesse o formato daquilo arquivado em nossos discos rígidos de memória. Realmente, nossa memória tem muito disso! É arquivada em “discos rígidos” moldados a fogo e gelo pelo galopear dos anos e as experiências digeridas e outras expelidas. Passados anos sem a presença daquele amigo ou daquela amiga que em outra época da vida tanto nos encantaram ou para quem sentíamos todos os fluidos de aproximação e afeto, descobrimos que estão diferentes. Diferentes!

Crônicas & Agudas

Todos mudam. Inclusive você e eu. O sábio já ensinava que num mesmo ponto de um rio a água jamais é a mesma. Sempre será outra água. Uma água diferente daquela que saciamos a nossa sede de amizade e de compreensão. O tempo deveria melhorar, aperfeiçoar, evoluir e aparar arestas pontiagudas como lapidando a brutalidade ainda muito bela do diamante que é todo ser humano – há exceções! Muitas. No entanto, para muitos de nós as dores são acumuladas e incrustadas em nossas almas e não nos permitem brilhar ou receber mais luzes. Crostas espessas, como couraças, com as defesas elevadas, quando não de arma em riste. Tendemos a evitar novas dores ou que antigas feridas ou chagas se abram ou que pontaços de adaga renovem velhos sentimentos que se luta para sublimar.

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Revise sua lista de companheiros e companheiras de jornada, antigos colegas de escola ou de faculdade, companheiros do futebol ou dos chás da tarde, empinadores de copo de cerveja, bailantes de rosto colado ou vagantes na pista de dança, membros do mesmo Lions ou Rotary, trabalhando na mesma empresa ou local, enfim desnude seus caminhos e observe aquelas criaturas que formaram seu universo de pessoas humanas ou quase. Quantos ainda podem se afinar contigo hoje? Você estaria no rol de pessoas que eles gostariam de conviver ainda? Uma amiga, que convidei para se reunir com antigos colegas de escola, foi rápida e aguda: -“Não tenho mais nada a ver com essa gente”! Decisiva como uma katana samurai.

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Há uma máxima “que durante uma existência teremos tantos amigos quantos os dedos de uma das mãos”. Cinco amigos! Ou menos. Palocci seria o exemplo ou uma hiena jamais é amiga de outra hiena, ou um abutre jamais é amigo de outro abutre? Ou uma jararaca de outra? A vida ensina, apesar da nossa dificuldade de aprender, mesmo com a repetição. Somos seres impelidos ao convívio com outros seres que nos completem e nos protejam. Mas somos seres dominantes e dominados e a tribo não pode ter vários caciques. Ou pior, mais caciques que índios. A humanidade convive e busca o entendimento e harmonia com o mundo espiritual, seja por necessidade ou por temor. Não há seres tangentes, sólidos, palpáveis ou sempre ao nosso alcance e disposição. Eis que reinventamos esses amigos espirituais com os amigos do mundo virtual ao alcance do dedo que digita ou da mensagem sonora.

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Não ter uma convivência diária ou constante é o grande segredo dessa modalidade crescente e viral de amizade. Não há compromissos formais e “nem ter que aturar”, logo “a fila anda”. E como anda. Um amigo, experiente e versado em vários casamentos e incontáveis e “eternos” (enquanto durarem) relacionamentos aplica essa verdade crua e tantas vezes nas nuas: – “a fila anda”! Para os dois lados. Não enveredaremos nosso GPS para ser bom ou ruim, mas para a vida como ela ainda é e como está se tornando. E “pau no burro Seberiano”!

                       2017 – 10 – 17 Outubro – O tempo muda a pessoa – EDS OLIMPIO – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião de Viamão

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