Coragem! Série Moto – Paixão Eterna. Crônica 10. www.edsonolimpio.com.br

 

 

 

CORAGEM!

 

Crônica 10

No automóvel ou em outros veículos há toda a lataria e o motor para a proteção em caso de impacto. Nos veículos mais modernos, tem-se air-bag, carrocerias com deformação programável, etc.

Na motocicleta… é o próprio corpo do motociclista.

 

 

No motociclismo, muito mais do que em viagens de automóvel, por exemplo, devemos ter rígidas normas de segurança, como manutenção periódica em serviços qualificados, atenção redobrada com os pneus e câmaras de ar – jamais esperar para fazer a substituição quando as ranhuras diminuírem de dois mm, jamais frisar os pneus para aumentar a sua vida útil. Sistema de iluminação e elétrico em geral. Qualidade do combustível e óleo do motor. Devemos fazer a checagem sempre antes de alçarmos vôo. Assim como pilotos de avião. Complementa-se com equipamento de segurança para piloto e garupa.

 

Quem tem e usa a cabeça precisa estar de capacete com viseiras em boas condições de transparência. Roupas resistentes a quedas e luvas totais. As maneira meias-luvas, deixando a maior parte dos dedos expostos, são de alto risco para amputações e lesões permanentes. Tenha-se em mente que o motociclista não atento à sua segurança e à do grupo será um doador de órgãos em potencial. Bom para os possíveis receptores, ruim para si e para sua família.

 

Se andar em grupo tem fatores que contribuem para a segurança, devemos ter em mente que muitas vezes vale a máxima que “muito melhor andar só do que mal acompanhado”.

 

Roupas integrais de couro e botas de estrutura para motociclista não são meros adereços estéticos e sim uma camada extra de pele resistente ao choque. Novos tecidos, como cordura, oferecem boa proteção. Melhor se somado a reforços de kevlar.

 

O motociclista deve estar confortável e protegido dentro de sua indumentária. Certo dia, eu a minha esposa, indo para Santa Catarina pela Estrada do Mar, num dia de calor terrível, mas com todo o equipamento necessário e obrigatório em nossa Kawasaki Nomad 1500cc, fomos ultrapassados por um casal numa moto BMW 1150RT. Calculo que ele estava a uns 150 km/h. Afora a velocidade, ele, o piloto, de capacete aberto e camiseta, bermuda e tênis. Ela, shortinho de empinar a bundinha e o resto igual. Moto de cerca de R$80.000,00. O que deve ter de dinheiro tem de estupidez. Irresponsável com a sua vida e, principalmente da carona.

 

A sinalização vertical à margem das rodovias recomenda que se viaje de dia por ser mais seguro e para poder desfrutar das belezas da viagem. Ao motociclista essa deveria ser uma prática. Todos os riscos aumentam consideravelmente à noite.

 

Certa vez vindo de um encontro motociclístico na cidade de Herval do Sul, próxima de Arroio Grande – RS, estava abastecendo a Morgana, minha motocicleta, na Casa das Cucas em Barra do Ribeiro, eram 19,30 horas. Isso era um sábado e no domingo o encontro seria finalizado. Encostou para abastecer outro motociclista que estava indo ao encontro. Pilotava uma intrépida Yamaha 125 sem cor definida, padrão pintura de pára-quedista ou forças especiais, e idosa. Muito idosa. Geriátrica. Ainda teria que rodar quase 400 km. O cobertor amarrado sobre o tanque de combustível e uma pequena mochila na garupa. É o espírito aventureiro do motociclista com sangue de motoqueiro. A moto é muito valente, mas a proposta é, no mínimo, irreverente.

 

Há os que preferem dormir até mais tarde e afundarem-se na noite viajando. Há os que gastam horas em restaurantes e bares à margem de rodovias, desperdiçando tempo precioso e segurança. “Nunca tive problemas”, “sempre viajo assim e nunca me aconteceu nada”, dizem muitos. Estão na mesma estatística dos que saem vivos da roleta russa. Só que em motociclismo, a primeira vez poderá ser a última. Em viagens longas as paradas devem ser curtas e com alimentação frugal e energética. Refeições pesadas provocam alcalose pós-prandial, que é uma alteração fisiológica do organismo causando diminuição dos reflexos e sonolência. E álcool? Na boca jamais, no tanque misturada na gasolina de duvidosa qualidade que pagamos a preços dinamarqueses, ainda vai. Nas escolas de pilotagem defensiva e em empresas de turismo motociclístico, principalmente no primeiro mundo, recomendam paradas de 15 minutos a cada hora em média de viagem. Ou a cada 100 a 150 km.

 

E a chuva e o frio? Equipamentos adequados são fundamentais e rígido controle de velocidade. Aquaplanagem também acontece com motos. Os buracos cheios d’água escondem armadilhas. Lembremos sempre que motocicleta tem duas rodas e depende de equilíbrio ao contrário dos veículos de quatro rodas.

 

Enfim, esse é um pequeno lustro sobre segurança motociclística. Um stop, um alerta. Uma mensagem de vida. Até podemos pensar que cada um faz da sua vida o que bem entender, mas e as vidas dos outros? Morrer pode ser problema bem maior para quem fica aqui. Mas viver sofrendo sobre um leito. Até vegetando! “Virado num pé de alface”- relatava um amigo após visitar um motoman acidentado. Quem quer?

Moto - Paixâo Eterna - 10 - 2017 - Personalização do Motor

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