8 de Dezembro! Edson Olimpio Oliveira. Crônicas & Agudas. Jornal Opinião de Viamão. 21 Novembro 2017.

 

8 de Dezembro!

 

Aguardava o Natal e a Páscoa com aquele sentimento um pouco interesseiro, pois tinha sido um “bom guri, bem educado, estudava e não faltava as aulas do Grupo Escolar Setembrina, não dizia nomes feios e obedecia aos pais e jamais respondia ou tratava mal aos mais velhos”, logo “eu deveria” ganhar algum presente nessas datas. Mas outra data falava bem alto no meu repertório de eventos importantes e esse era o dia 8 de dezembro. Sempre um grande feriado em Viamão City e uma festa que durava dois finais de semana, mais de dez dias. A praça da Igreja de Nossa Senhora da Conceição, a padroeira e mãe católica da nossa fé, tornava-se um palco iluminado, não somente pelas incontáveis lâmpadas coloridas estendidas em vários postes, como pela presença constante de parques de diversões com muitos brinquedos que iam da roda-gigante, passando pelo chapéu-mexicano, carrossel, tiro ao alvo, música de alto falantes com solicitações, missas diárias e procissão. E muito muito mais!

Crônicas & Agudas

Não tínhamos os pilas necessários para experimentar tantos brinquedos, mas havia um algo mais que sempre nos atiçava e iluminava mais vivamente. As gurias das escolas, todas as gurias da cidade, iam passear e namorar na festa. Certamente Nossa Senhora nos olhava acuradamente do seu altar ricamente adornado com flores, muitas flores, toalhas de um branco tão branco como a alma dos anjos e seu amor pela humanidade. Os guris circulavam acompanhados de outros amigos para estimular a coragem de olhar e piscar um olho, dizer um “que tal” ou até ensaiar uma conversa sobre  “a escola” ou “será que vai chover”. As gurias com os braços enfiados umas nas outras riam. Riam muito e mais difícil era encontrar algum lugar para as mãos inquietas. As coisas não evoluíam muito mais que isso geralmente. Os olhos cansavam de tanto piscar, mas havia outra técnica esmerada de aproximação e demonstração de “to afim” – barracas vendiam bolas de serragem enroladas em papel celofane de várias cores, em gomos como bergamota, presas por um elástico que eram arremessadas nas costas das criaturas.

Cr & Ag

Equimoses ilustravam e listravam o “lombo das gurias”. Isso deveria ser algum resquício neandertal do macho nocautear a fêmea e arrastá-la pelos cabelos para sua caverna. Mas havia técnicas mais evoluídas, como solicitar ao serviço de alto-falantes uma “página musical com todo amor e carinho para aquela guria de vestido vermelho com uma fita branca nos cabelos, quem lhe dedica com respeito é seu admirador sentado na escadaria da igreja”. Também havia um pega-ratão de alguém dedicar algo para a pretendida de um amigo e sem que ele soubesse e marcar um encontro. Isso complicava a vida do outro caso ela tivesse algum irmão bom de briga. Havia quem caminhasse a procissão descalço para conseguir uma graça da santa – saúde, emprego ou até um casamento. Nós não entendíamos essa do “casamento”, além do mais esse era um esquema do Santo Antônio.

Cr & Ag

Nostalgia? Cada época com seus encantos e graça. Há que comparar e recordar com saudade de sair-se de casa com a certeza de que voltaria e os pais ficavam descansados com seus filhos se divertindo sadiamente. Essas festas desapareceram e talvez jamais retornem. Hoje o 8 de dezembro também é o Dia da Justiça. Sente-se que o cidadão honesto do Brasil tem vergonha de comemorar essa data no dia a dia de sua vida e de seu trabalho. Jamais generalizamos, mas lamentavelmente o espírito de corpo do judiciário protege e imuniza os que jamais deveriam representar a justiça e para muitos resta somente orar.

2017 – 11 – 21 Novembro – 8 de Dezembro – EDS OLIMPIO – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

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