Enquanto os Cães ladram as Motocicletas passam! Edson Olimpio Oliveira. Crônicas & Agudas. Crônica 15. Série – Moto! Paixão Eterna.

 

 

 

Enquanto os Cães Ladram as Motocicletas Passam!

 

 

Existem dois tipos de seres humanos: os que adoram motocicletas e os que adoram e ainda não sabem. Ou ainda aperfeiçoando esse tema: existem os motociclistas e aqueles que um dia foram ou serão motociclistas. O amor à moto é algo tão intenso que dizia um texto num encontro internacional:

 

 — Um dia ela chegou-se e disse: A moto ou Eu! Às vezes, sinto alguma saudade dela.

 

 Para os menos afeitos ao tema, explico que “motoqueiro” soa como pejorativo. Lembra aquele indivíduo passando sobre calçadas, violando faixas de segurança, sem capacete, quebrando espelhos de carro, “cortando” nas ruas e estradas, queimando pneu e escapamento aberto a infernizar ao condomínio ou ao bairro. Motociclista é a evolução. É um tipo “você conhece, você confia”. Mas invariavelmente, todo motociclista ainda guarda em seu íntimo, contido pelo seu superego, uma fera roncando forte. Motocicleta de alto valor ou uma gorda conta bancária não faz um motociclista.

 

Motociclismo é liberdade. Nada mais democrático que motociclismo.

 

A moto nasceu para todos. A criatura é livre, liberta, como espírito e como motociclista. Deus deu asas aos anjos e motos aos homens. Temos a versão bíblica que Deus fez a Luz e após a motocicleta. E Adão só veio depois para ser companhia ao Criador. E a Eva? Veio para acompanhar o Adão já que Deus por estar em todos os locais ao mesmo tempo estava pilotando muito pouco. Num grupo de motociclistas temos o agricultor, o balconista, o profissional liberal, o mecânico, o político (é verdade!), o Procurador Geral da República, o mega-empresário e uma infinidade de ofícios que se nivelam pelo amor à motocicleta.

 

Motocicleta tem quase todas as vantagens da mulher e mais: sem cunhado ou sogra. Moto na rua, depressão em casa. Com a minha gata na garupa, pra que Viagra, Irmão!

 

 “Uma manhã qualquer, ligue sua moto, coloque o capacete, acomode-se para pilotar, uma estrada e vários destinos, o frescor no rosto, o aroma da vida, os odores do mundo, a liberdade e as amizades…”

 

Como não existe motociclista velho, somente uns mais veteranos que outros, a máquina funde o passado com o futuro.

 

“Um dia frio, gélido, a moto deslizando pela coxilhas do Rio Grande sem fim. O calor do motor sobe suave em nossos corpos. Um restaurante à beira da estrada. Paramos. Retiramos os casacos de couro e nossos capacetes. Olhos nos olhos. Roçar de narizes. Retiramos as luvas. Mãos com mãos. Vapores de nossos hálitos se fundem num beijo demorado. Então um café bem quente com um pastel tirado na hora…”

 

“Avião é trabalho, moto é prazer” (Comandante Rolim da TAM).

 

Mas moto é vitória, sintonia e equilíbrio. É a melhor terapia de casais. É o único e sensato triângulo amoroso. Quase um milhão de motos são produzidas anualmente no Brasil. Quem contar com o voto dos motociclistas se elege fácil-fácil.

 

 “Meu reino por uma motocicleta”.

“Moto: Independência ou Morte! E acabei na Agrale”. 

“Duas Rodas, revista, cerveja e mulher! Pra que mais?”

 

Quem conhece ama.

Quem ama respeita.

Quem respeita vive melhor.

Viva! Viva! Viva a Motocicleta!

 

Crônica 15 – Republicada na Série Moto! Paixão Eterna – Janeiro 2018

www.edsonolimpio.com.br

Moto - Paixão Eterna - 15 - 2017

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