Churrasco de Tonel!
Há quem nos acuse de “desprovidos de imaginação”! Talvez outra ciumeira com a alma gaúcha. O gaúcho encosta uma carne, aproxima umas brasas e lá vai feliz e contente olhando o cavalo e o cão a sua volta enquanto fileteia com a prateada uma costela. Cena antológica da nossa realidade gaudéria e do imaginário. O gaúcho ainda lamenta que o cavalo (pingo) não coma a costela junto com ele e o cusco. Um grande amigo, o doutor Arthur, neurologista da melhor e inigualável estirpe, está treinando seu melhor cavalo para comer… churrasco. Outro grande amigo, o China, vai atestar o feito do doutor. Mas depois desse redemoinho de sentimentos, voltamos ao tonel. Sem desprezo aos assadores de churrasqueira, da tradicional às futuristas com raio laser, aos parrilladores, aos tijolos em cutelo, aos assadores no fogo de chão ou aos espetos encostados no valo ou estribados na taipa de lavoura, enfim, de todos os pelegos e arregos, o tonel ganhou o seu espaço.
Crônicas & Agudas
A ecologia e o reuso traz o velho tonel para ser fatiado ao meio. Ao comprido cabem mais espetos e mais carne. Soldam-se os pés de ferro e monta-se uma arapuca fixa ou de encaixe da ferragem que vai sustentar a alegria carnuda que pingará a graxa no braseiro e o aroma será sentido a léguas de distância. Nosso enviado especial e praiano, o “empoderado” Peru da Festa escalou-se para a reportagem no costado do Quintão. Vai Peru! “Da Kombi e da van escolar do Pereba saltaram os dois times. O time da Polar com oito ex-atletas do fogoso Tamoio viamonense e o time da Skol (vulgo Ferro na Boneca) adernava com as barrigas dos atletas. Da picape do Unha Encravada baixaram as térmicas de cerveja e cachaça e algum refri para os mais desacorçoados da vida. Duas caixas de uva da “colonha” e uns abacaxis de Terra de Areia. Peru no apito! Meia hora de pelada e 8 a 6 pros sem camisa. O pau tava comendo solto, fia da p* virou jura de amor e teve até ameaça de dedo no fiofó do centroavante da Polar, o Rogerinho da Abigail, ali da Tarumã. Cada cinco minutos parada para a ceva e o trago que a gurizada não é de ferro. Não permitiram pro alemão Rexona assar a carne, pois já tava espumando no sovaco. Escalaram um compadre velho do CTG Bagual Descornado para os trâmites legais com o carvão, o sal e a carne. O osso da costela uruguaia já relampeava no sol. O véio Boludo, alcunha da criatura, armou a mesa debaixo do toldo de lona e tirou pra dançar o salsichão, o vazio e o cheio, uns quartos de cordeiro e muita costela. Gorda como a mulher do Magrão do Ó.
Cr & Ag
O jogo terminou por falta de atletas em condições físicas. Uns lesionados até na tramela do joelho, outro no sobrecu, a maioria achou uma perda de tempo com tanta cerveja nas térmicas. Não adiantou a turma do “quem te pede sou eu” e a do “não vamo se mixá pra esses pernas-de-pau”. Anedotas corriam soltas, com uma cláusula pétrea, sem galinhagem com a mulher de amigo presente. Os que não tavam ali, arderam de tanta guampa! E as rodelas de salsichão com farinha de mandioca na gamela passavam rapidamente das mãos às bocas. O véio Boludo corta com as duas mãos e não bebe quando trabalha, depois fica quarando uma semana de ressaca. A lona tava escassa e o lombo queimado, tostado do sol, já cobrava pedágio. Alguém berrou: “Me chama o doutor Edinho do Cabeleira”. O Gardel, meio castelhano de Livramento, deitou-se debaixo da picape até que jogassem uns baldes de água do mar depois do Rogerinho botar os guisados pra fora. Um horror!
O causo vai longe e pra encurtar eu conto que rolou churra e cerveja. A turma já se agendou pra mais uma expedição praiana sem as mulheres de contrapeso e nem de xerife. Nem risco de processo por assédio ou ameaça de cantada. Abraço do Peru! ”
2018 – 01 – 16 Janeiro – Churrasco de Tonel – EDS OLIMPIO – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião de Viamão – www.edsonolimpio.com.br