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Patentes Praianas! Edson Olimpio Oliveira. Crônicas & Agudas. Jornal Opinião. 09 Janeiro 2018.
10 jan 2018 Deixe um comentário
“Patentes” praianas!
Tradicionalmente no verão gaudério publicamos crônicas infladas de bom humor, trazendo a versão de nossos correspondentes do litoral marítimo do Estado de atraso gaúcho. Sim, os catarinas têm as praias e nós temos litoral. Miltinho Pedalada, laureado atleta da várzea e das areias do Quintão dá sua esticada à Capão sem Canoa e encanta-se com as patentes de fibra plantadas nas praças e à beira mar. O pessoal tradicionalmente ainda se alivia nas dunas ou na água gelada e marrom Nescau. “Eram 14 horas, a turma tinha passado a manhã batendo uma bolinha e derrubando umas cevas geladas, comendo uma costela de tonel e um abacaxi grelhado. O Paulo Cachaça fulminou uma ambrosia de sogra apesar do temor e do berreiro contrário dos amigos e até dos quase inimigos. Foi a ambrosia bater no bucho e se encontrou com a cachaça com paleta de carneiro e deu-se o crime. O carneiro berrou uma, duas e na terceira o Paulo já arriou as bermudas e veio a turma do “deixa disso meu”, “tem crianças perto”, “a gostosa tá te olhando cara”. Fizeram uma rodinha com a bandeira do time Te Arremanga e Vem e o Paulo Cachaça descarregou na lixeira. O cheiro abriu um clarão e a turma do guarda-sol baixou proutras bandas. Até os cachorros que aguardavam os ossos se abriram e pegaram distância.
Coisa mui feia e dolorida. O homem se afrouxou e branqueou com ameaça de desmaio e começou a chamar o Hugo com o suor frio da morte. Os colegas que ainda caminhavam pegaram o Cachaça e antes de colocar na Kombi passou uma vermelha dos bombeiros e socorreram o homem. Eu e mais uns dois, que não tavam pelo gargalo, fomos nas patentes de fibra. Uma maravilha de longe. Coloridas como arco íris. Com uma placa indicando Macho e Fêmea. Mas tinha fila. Pensa maior! Bem maior. Pouca patente e muita necessidade. As caras de dor e irritação eram como a petezada aguardando o Sérgio Moro. Horrível meu! Um cara se fez de distraído e quis furar a fila. Levou um rabo de arraia de um anão dobrado e se afrouxou num mata-leão. E se afrouxou tanto que nem precisou mais da patente. Uma velha gorda sentada e arrastava uma cadeira de praia, dessas de cano, e berrava: -“A lei da prioridade pra idosa, fila especial! ”. Numa dessas arrastadas de cadeira, a velha gorda se esparramou no chão e encheu os fundilhos. Coisa de dar dó, tanto que alguns foram acudir e nós assim ganhamos uns seis lugares na bixa.
Um magrão pulava duma fila pra outra, sim da fila das mulher pra fila dos machos. Um careca engrossou com aquilo. O magrão colocou uma mãozinha na cintura e a outra com o dedinho indicador no nariz e: -“Olha gente, eu ainda sou virgem e tô meio em dúvida do meu gênero. Tá indefinido, sabem? ” O careca lascou: – “Se pular de galho de novo, vou te fazer descobrir na hora qual o teu gênero coisinha louca”. O magrão até pode ter gostado da ideia, mas resolver sossegar. Como tinha mosca! Tinha umas varejeiras do tamanho de um beija-flor e paravam no ar encarando a gente. Uma baixota com uma criança pelos cabelos saiu com o chinelo dando pancadas nas moscas. As moscas voltaram, elas não. O sol estava de rachar o melão de beduíno no Saara. Fiquei associado no guarda-sol duma idosa muito bem maquiada e apessoada, cheia de colar e pulseira e… gases. Cada soltada! Uma magrinha com esses cachorrinhos de enfeite no colo, não aguentou: – “A tia parece que tá toda podre por dentro”.
Eis que atracou uma viatura preto-e-branco da Civil e baixou um negão do tamanho do Chuazenega. Anelão nos dedos. Corrente de um metro no pescoço. E de ouro. Achamos que veio colocar ordem na zorra. Deu outra. “A lei tem preferência”! Olhou pro cara com a revista Veja que era o próximo e uivou entre as presas. O cara provou a sua inteligência e bom senso e gritou, quase um gemido final: – “A lei tem preferência”! Eu, pra evitar conflito de interesse, chamei de meu-bem a Zero Hora que tinha no sovaco e fui achar uma duna. Nasci de parto sem dor, falava minha finada mãezinha e que Deus a tenha, e quando o delegado desceu da viatura, desafivelou o cinto com as pistolas, eu perdi as esperanças”.
2018 – 01 – 09 Janeiro – Patentes praianas – EDS OLIMPIO – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião – http://www.edsonolimpio.com.br
Leitura! Vale a pena. Cardiologista traz a Espiritualidade nas experiências de quase morte.
07 jan 2018 Deixe um comentário
Leitura! Vale a pena. Cardiologista traz a Espiritualidade nas experiências de quase morte.
07 jan 2018 Deixe um comentário
Enquanto os Cães ladram as Motocicletas passam! Edson Olimpio Oliveira. Crônicas & Agudas. Crônica 15. Série – Moto! Paixão Eterna.
06 jan 2018 Deixe um comentário
em Crônicas & Agudas - O Livro!
Enquanto os Cães Ladram as Motocicletas Passam!
Existem dois tipos de seres humanos: os que adoram motocicletas e os que adoram e ainda não sabem. Ou ainda aperfeiçoando esse tema: existem os motociclistas e aqueles que um dia foram ou serão motociclistas. O amor à moto é algo tão intenso que dizia um texto num encontro internacional:
— Um dia ela chegou-se e disse: A moto ou Eu! Às vezes, sinto alguma saudade dela.
Para os menos afeitos ao tema, explico que “motoqueiro” soa como pejorativo. Lembra aquele indivíduo passando sobre calçadas, violando faixas de segurança, sem capacete, quebrando espelhos de carro, “cortando” nas ruas e estradas, queimando pneu e escapamento aberto a infernizar ao condomínio ou ao bairro. Motociclista é a evolução. É um tipo “você conhece, você confia”. Mas invariavelmente, todo motociclista ainda guarda em seu íntimo, contido pelo seu superego, uma fera roncando forte. Motocicleta de alto valor ou uma gorda conta bancária não faz um motociclista.
Motociclismo é liberdade. Nada mais democrático que motociclismo.
A moto nasceu para todos. A criatura é livre, liberta, como espírito e como motociclista. Deus deu asas aos anjos e motos aos homens. Temos a versão bíblica que Deus fez a Luz e após a motocicleta. E Adão só veio depois para ser companhia ao Criador. E a Eva? Veio para acompanhar o Adão já que Deus por estar em todos os locais ao mesmo tempo estava pilotando muito pouco. Num grupo de motociclistas temos o agricultor, o balconista, o profissional liberal, o mecânico, o político (é verdade!), o Procurador Geral da República, o mega-empresário e uma infinidade de ofícios que se nivelam pelo amor à motocicleta.
Motocicleta tem quase todas as vantagens da mulher e mais: sem cunhado ou sogra. Moto na rua, depressão em casa. Com a minha gata na garupa, pra que Viagra, Irmão!
“Uma manhã qualquer, ligue sua moto, coloque o capacete, acomode-se para pilotar, uma estrada e vários destinos, o frescor no rosto, o aroma da vida, os odores do mundo, a liberdade e as amizades…”
Como não existe motociclista velho, somente uns mais veteranos que outros, a máquina funde o passado com o futuro.
“Um dia frio, gélido, a moto deslizando pela coxilhas do Rio Grande sem fim. O calor do motor sobe suave em nossos corpos. Um restaurante à beira da estrada. Paramos. Retiramos os casacos de couro e nossos capacetes. Olhos nos olhos. Roçar de narizes. Retiramos as luvas. Mãos com mãos. Vapores de nossos hálitos se fundem num beijo demorado. Então um café bem quente com um pastel tirado na hora…”
“Avião é trabalho, moto é prazer” (Comandante Rolim da TAM).
Mas moto é vitória, sintonia e equilíbrio. É a melhor terapia de casais. É o único e sensato triângulo amoroso. Quase um milhão de motos são produzidas anualmente no Brasil. Quem contar com o voto dos motociclistas se elege fácil-fácil.
“Meu reino por uma motocicleta”.
“Moto: Independência ou Morte! E acabei na Agrale”.
“Duas Rodas, revista, cerveja e mulher! Pra que mais?”
Quem conhece ama.
Quem ama respeita.
Quem respeita vive melhor.
Viva! Viva! Viva a Motocicleta!
Crônica 15 – Republicada na Série Moto! Paixão Eterna – Janeiro 2018


