O Gênio Inventor! Edson Olimpio Oliveira. Série: Moto! Paixão Eterna. Crônica 21 – abril 2018.

 

           

"SAIBAM TODOS QUE LEREM ESTAS CRÔNICAS QUE EXISTIU UMA ESPÉCIE FANTÁSTICA DE HOMENS QUE PILOTAVAM MÁQUINAS MARAVILHOSAS CHAMADAS MOTOCICLETAS QUE RASGAVAM ESTE PLANETA COMO COMETAS RASGANDO O MANTO NEGRO DO CÉU".

 

 

 

O GÊNIO INVENTOR.

           

                                              

                                              Existiu em Viamão City um misto de motociclista e gênio. Leonardo da Vinci perto dele seria um aprendiz. Foi forjado a sangue, suor e graxa. Discípulo dos famosos mecânicos Pazzetto e Paulinho da Vimoto. Virava noites descobrindo os segredos desta namorada única, a MOTO.

 

  Foi campeão de moto-velocidade em Tarumã. O melhor piloto da região metropolitana da Grande Viamão, território compreendido entre Chuí-Vacaria-Pinhal-Uruguaiana. Criador da 1ª moto com aerofólio e suspensão tri-amortecida, com três garfos, além do garfo da mochila. Certa feita, só não participou da Procissão de Navegantes por implicância e perseguição dos Bombeiros que não permitiram sua MOTO-ANFÍBIA… Mas tudo isso fica para outra vez.

 

Ah! O nome da figura? É conhecido pelo apelido de COLHUDO NOVO. Seu pai é o…  VELHO. Gaúcho de quatro costados. Então o NOVO terminou de preparar um híbrido, um mutante. Uma moto transgênica. Um misto de XLX 350+Intruder 1400+Zanella. Por sinal, a Zanelona foi presente do Zavarize, recuerdos da sua juventude, e a Intruder uma doação do Linhares.

 

A motona estava linda que nem ceva gelada em dia quente, admirava o pessoal no Bar Point. E o COLHUDO NOVO trepou nela com vontade e saiu rasgando com todo gás aberto. Desceu o Fiúza, enveredou pelo Passo da Areia e fez uma primeira parada no Bailão do Valdeci onde se abasteceu. Explico: abasteceu-se com três loiras suadas. E deitou o cabelo de novo. Capacete só usava como ferramenta de trabalho em baile de chope – CANECO. Depois de muito passear e namorar no Lami e em Itapuã, viu a noite chegando. Resolveu voltar para Viamão City cortando caminho pelos campos da Varzinha. E vinha frouxo como rédea de cavalo de circo várzea à fora numa noite linda, de lua cheia e céu estrelado. Dessas noites de correr égua nas coxilhas e desentocar rinchão a pauladas. De repente, a INTRUXLXELA 1850 1/4 começou a tossir, arrotar, espirrar, engasgando e se traqueando toda. E o motorzão apagou de vez.

 

 

Abasteceu o seu tanque de cerveja e esqueceu a gasolina da moto. Abriu torneira reserva, mas a gasolina durou pouco. E aí? No meio do campo, de noite! Olhou para os lados e viu uma luzinha fraca do tambo de leite do compadre Abreu.                                                                 Deixou a moto e foi a pé. Lá chegando, bem recebido, encontrou o Abreu ordenhando as vacas. A Rural Willys sem uma gota de gasolina, o trator sem óleo e os candeeiros quase sem querosene. O que fazer? Como era homem cumpridor dos tratos, pegou emprestado um tarro com uns 20 litros de leite e levou à moto. Desceu a sacola de ferramentas que sempre carrega consigo e começou a trabalhar na máquina. Nem precisava de luz de tão clara que estava a noite. Depois de mais ou menos 3 h, derramou o leite no tanque e… Bateu pedal. Nada!

 

 

Sangrou o carburador. Outra regulada e uma prece para São Cristóvão, homem de fé, ex-coroinha do Padre Bernardo Machado. Bateu pedal a fusel e a bichona estremeceu, rugiu e pegou. O motorzão não estava muito redondo, pois faltavam umas ferramentas especiais. Montou e saiu contente várzea a fora. Depois de alguns quilômetros notou um ruído estranho, esquisito mesmo: schepp . . . schleppp. . . schleeppp. Como a noite era muito enluarada, pensou primeiro em assombração. Fantasma. Gaúcho corajoso não se intimidou.

 

Olhando para os lados, viu atrás de si um rastro no caminho da motona. Um risco amarelado brilhando na grama escura e refletindo-se no luar. Parou. Pensou consigo e disse em voz alta: — mas tem que ser. Passou o dedo naquela coisa que saía pelo escapamento e riscava a grama. Levou o dedo à boca: — MANTEIGA! MANTEIGA!

 

Ainda disse que o gosto não era todo normal, pois se misturou com restos de gasolina. Aproveitou enchendo um saco plástico para vender no Bar do Napoleão…

 

Acredite, se quiser!

 

 

 

Crônica 21 – Reeditada em Abril 2018 na Série: Moto! Paixão Eterna.

www.edsonolimpio.com.br

Moto - Paixão Eterna - 21 - 2017 - Sibéria

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