Dormindo nas Palhas!
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O Diabo tem todas essas qualidades (ou defeitos) não é somente por ser Diabo, mas é também porque ele é muito velho. Está aqui desde antes do começo do mundo”, é outra dessas pérolas da sabedoria popular. Muitos de nós desconhece, não sabe ou nem imagina o que significa o título acima – Dormindo nas Palhas. Alguns pela idade avançada, seres longevos, outros pela exploração continuada das páginas dos livros perscrutando mundos sonhados e imaginados, ainda aquele que nos bancos escolares se apaixonaram pela história e vararam o conhecimento humano conhecem-na. Está a palha em suas mais variadas origens e apresentações acompanhando o homem na sua caminhada no planeta. No vestuário, como os chapéus de palha. Na proteção e embalagens de alimentos – a velha rapadura de melaço. No ritual do fumante ao sorver seu palheiro ou cigarro de palha. E nas moradias do homem e de seus animais – móveis e revestimentos dos pisos.
Crônicas & Agudas
Certos mosteiros ofereciam salas coletivas para o sono, descanso e alguma sopa para os viajantes e alguns abandonados. Raramente o piso não era somente de terra, que recebia uma camada de palha seca para o singelo conforto das criaturas. Camas? Luxo dos abonados e dos nobres de berço ou de espada. Ao amanhecer a palha era recolhida e amontoada próxima ao permanente fogão aceso ou em algum estrado de madeira. As casas eram de chão, de terra nua. Inclusive as paredes – pau-a-pique ou de tapumes. Nas vilas as pedras custavam muito caro, assim como os tijolos de barro com estrume e palha, etc. As pessoas dormiam amontoadas nas suas humildes casas, inclusive com os animais. A necessidade do calor aproximava os corpos. E a palha ali sempre esteve. Inclusive nas masmorras, muitas abaixo do nível do solo, paredes de rochas, ausência de luz natural e muita humidade. A ausência da palha e a sua substituição trazia um maior e mais penoso pesadelo ao encarcerado que devia sobreviver com seus dejetos e a água com o frio e logo as doenças.
Cr & Ag
O homem, em contínuo aperfeiçoamento, aprisionou a palha em sacos que deram origem aos colchões. Aos dominantes, os colchões eram das mais macias plumas. Os estrados se transformaram em camas e berços com a técnica dos artesãos para o maior encantamento. Dormir num colchão de palha seca era tudo de bom. O gaúcho trouxe o pelego que aquecia e protegia seus glúteos sobre o espinhaço do cavalo para a sua cama de todo lugar. Para dormir, relaxar e amar! Um couro bovino curtido poderia ser usado por baixo do colchão para protege-lo da humidade. Era comum aqui em Viamão City ou na área rural que nos dias de bom sol, os colchões fossem colocados ao sol e vento para secarem da urina escapada, como de outros fluidos corporais. Os índios americanos aproveitavam os formigueiros para ali colocarem suas roupas e usos de cama, assim as formigas “limpavam” das pulgas, piolhos, muquiranas, etc.
Cr & Ag
“Dormir nas palhas” também significa bobear, passar do ponto, perder a jogada. O juiz Moro determinou que o Lula condenado tenha as melhores condições de encarceramento que os 99,99% dos apenados do Brasil em condescendência ao seu cargo de ex-Presidente do Brasil. Essa benevolência hoje parece legal pelo perfil da humanidade atual, no entanto, quantos milhares de brasileiros definham em leitos de pedra, cadeiras de rodas, filas intermináveis sob as intempéries ou sepultos em cova rasa em algum cemitério de periferia pela omissão e deliberada cegueira (se fosse somente isso) pela roubalheira mafiosa, articulada e executada a sua volta? Ou aos bilhões de dinheiro “doados” para seus “governos amigos” que também fazem falta da mesa à cama dos brasileiros? Certamente ele não dormiu nas palhas e nem dormirá!
2018 – 04 – 17 abril – Dormir nas palhas – EDS OLIMPIO – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião