“Trupiquei no Toco”!
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palavra do homem retrata a sua experiência contada e acumulada em prosa ou verso. Daí também se entenda “o homem”, ser humano, como o coletivo, a humanidade ou a comunidade. Somos embalados e assediados por esse tipo de conhecimento, essa forma de percepção dos fatos e das pessoas e somos instigados a usar e abusar desse entendimento ou dessa visualização. E o vocabulário das pessoas no dia a dia pela batalha da existência não é dourado pelos vocábulos ou palavras ornamentadas dos eruditos de plantão ou pelo preciosismo como de membros do Olimpo do judiciário brasileiro. Dar topadas ou tropeçar vem sem engasgos ou brancos de memória como “trupicar” e todas as derivações desse verbo popular e bem acolhido na nossa linguagem de se fazer entender e evoluir. Caminhe pelas calçadas e passeios de Viamão City e trupicar não será somente uma figura da linguagem cotidiana, será um exercício de sobrevivência. Evitar detonar o megalomaníaco dedão do pé, solenemente chamado de hálux, que poderia ser nome de filho de político. Assim como evitar as quedas e as consequente filas do SUS para quem não é aquinhoado, abençoado com as maravilhas da Medicina do Hospital Sírio Libanês, tão distante da imensa maioria dos mortais.
Crônicas & Agudas
Todos já trupicaram, tropeçaram e deram topadas. Até de arrancar a unha magna. O Torneio Roberto Gomes Pedrosa era um campeonato de futebol que precedeu o Brasileirão. Inter e Grêmio disputavam seus jogos no abandonado Estádio Olímpico. Lá estava eu na longínqua juventude. Havia um degrau e uma valeta rente ao alambrado da arquibancada popular e o pessoal do sarro ou da gozação tinha um rito: gritava algum nome (Zeca, por exemplo) e sempre alguém virava automaticamente a cabeça para a direção do berro, mesmo que não fosse seu nome. E assim trupicava e caia, derrubava outros ou saía “tastavilhando” (outra formosura da linguagem). O pessoal se divertia mais do que com o jogo. É quase uma regra que exploda a risada quando alguém dá uma topada em qualquer coisa.
Cr & Ag
No corte do mato, o trabalhador deixa aqueles tocos apontados para o céu, como a orar pela dor de sua morte. Alguns pela morte temporária, pois iriam brotar e renascer. Ao menos até novo corte. Muitos tocos eram incendiados, queimados. Outros seriam arrancados pela força dos braços ou pelo poder do trator. Frequente, aos menos atentos ou aqueles em que os olhos até deixaram de apreciar as belezas da vida, trupicarem nos tocos. Trouxemos o tropeçar real para as formas mais simbólicas. Tropeça-se nas palavras. Trupica-se em atos e atitudes. As dificuldades fazem as topadas serem mais frequentes e dolorosas. Um amigo trupicou numa mulher linda por demais e deu-se o crime do padre Ermengardo. A paixão anabolizada pela testosterona sacode o coração e cresce na cueca. Coisa medonha para uns, especial para outros. E a trupicada se repetiu num aquecido embate nos lençóis. O resto será tema de alguma outra crônica.
Cr & Ag
O Supremo Tribunal comandado pelo histriônico Gilmar Mendes tem trupicado abusivamente na ética e na moral pretendida e tem sido um exemplo vergonhoso daquilo que um Supremo tribunal de qualquer país democrático e civilizado jamais deve ser. Essa gente trupica no povo, como se nós fôssemos somente um toco a atrapalhar sua caminhada onírica (pesadelo para nós que não somos obsidiados ou mamadores). E nós eleitores que continuamos trupicando em tocos que até em postes se transformam (vide Dilma para os mais alheios). Trupicamos elegendo e perpetuando essa escória corrupta (palavra leve para o pior ladrão).
2018 – 04 – 24 abril – Trupiquei no Toco – EDS OLIMPIO – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião de Viamão