O Túnel, o Sapo e o Poço! Edson Olimpio Oliveira. Crônicas & Agudas. Jornal Opinião de Viamão. 19 de junho 2018.

 

Túnel, Sapo e o Poço!

Há uma vocação (ou invocação?) nos ensinamentos populares de nos dar esperanças e jamais nos deixar acalentar o sentimento de que se algo está ruim um dia, algum outro dia irá melhorar. Assim é a famosa “luz no fundo do túnel”. A luz representa a saída da escuridão e dos temores primitivos que nos causa medo, os mais variados, e nos assombra. Sempre, em todos os momentos da humanidade, a luz representa proteção, segurança, domínio do entorno, estar preparado para se defender e atacar, se necessário. Também a luz representa no nosso íntimo o alimento em todas as religiões de que uma nova vida com mais esperança e proteção nos aguarda. O mundo das sombras sempre representa o lado negro da força, da desgraça com seus mais pérfidos demônios. E o túnel com suas sólidas paredes, no interior da terra, dentro da montanha e… Acelerar para buscar o final, a saída, a luz no fim do túnel.

Crônicas & Agudas

Nessa mesma linha de incentivo e de entendimento está a está a estória do sapo Saponáceo e da sua companheira Sapatilha. Moravam numa grande lagoa cercada por terrenos pantanosos. Ali havia um tipo de governo que causava inquietude e desconforto para os artistas e “intelectuais”, pois todos deveriam trabalhar para ter comida na barriga e ter uma casinha nos juncos. Além disso os sapinhos eram obrigados a ir à escola para adquirirem a sapiência. A polícia dos sapos era muito enérgica e sapo bandido era bandido e devia ter o destino de bandido. Isso também causava revolta da comissão dos direitos dos sapos. Eis que a Sapatilha começou a flertar com as ideias que circulavam sobre um poço lá fora do pântano. Diziam que ali era o paraíso social, igualdade para todos, comida na mesa, nem precisam caçar as suas moscas, o governo dava moscas para todos, todos teriam casas, bolsas variadas e trabalho, muito pouco trabalho.

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Saponáceo resistia como podia, mas certo dia foram visitar o tal poço, famigerado poço. Nesse dia havia um protesto do sindicato dos sapos socialistas e no quebra-quebra a Sapatilha jogou-se no poço e Saponáceo saltou atrás da amada. O que o amor faz com os sapos! Poço muito, muito fundo. Lá havia uma grande comunidade de sapos, uma sapalhada imensa. De cara notou que todos usavam as mesmas cores e tinham as mesmas verrugas, tudo cinza. Inicialmente foram bem recebidos e assim imaginava que teriam um boa vida. Ledo engano. Os tempos passaram e tudo ficava cada vez pior para os sapos do povo. Os sapos dirigentes viviam nababescamente e roubavam escandalosamente as estatais dos sapos. O sonho virou pesadelo. Os novos sapos que caiam no poço reiniciavam o ciclo. O povo sapo e Saponáceo olhavam para cima e lá longe estava a luz, dias de sol, noites de estrelas, luas cintilantes, mas tudo visto, observado e sentido do fundo do poço. Imagine-se ali e visualize aquele anel distante que é a boca do poço. E sentiam saudades daquilo que tinham em tempos passados e voltariam a eles se pudessem, mas estavam no fundo do poço e dominados pelos sapos da escuridão.

Cr & Ag

Alguns jornalistas e autoridades querem identificar os autores e incentivadores dos pedidos de “volta dos militares” ou “volta da ditadura” que ocorreram na paralização dos caminhoneiros. Alguns militares esforçam-se por desacreditar os próprios militares. Subliminarmente está a propaganda contra o candidato que representa a organização, a disciplina e a idoneidade dos militares idealizados – o Bolsonaro. Não estranham querer a volta de Lula. Exercite a analogia do sapo no fundo do poço e será muito mais fácil e honesto entender o anseio e a vontade das pessoas.

2018 – 06 – 19 junho – Túnel, Sapo e Poço – EDS OLIMPIO – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião de Viamão

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O Livro e a Mente - 2018

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