O Hodômetro da Idade!
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odômetro, como sabem, é um aparelho usado para medir distâncias percorridas por carros, veículos e pessoas. Muitos confundem ou sintetizam tudo em “velocímetro” (medidor de velocidade), pois ali no painel do veículo há vários medidores – temperatura, nível de combustível, pressão do óleo e outros. O nosso corpo também tem um “hodômetro” que criamos quando se começou a medir o tempo. Sim, o tempo! E qual o tempo percorrido pelo seu corpo nessa sua existência? Geralmente, a maioria somente se apercebe dessas medições do tempo quando faz aniversário. “Maioria” sim. As mulheres são maioria na nossa sociedade, quando não em número, também em eficiência. Ou seria – “empoderamento”? Com o avanço da idade no ritmo do tempo implacável, vamos perdendo ou diminuindo a velocidade dos movimentos do corpo e vamos ganhando a capacidade de observar, avaliar e tentar entender melhor o entorno. O olhar varre a periferia e deixe de ser focado somente no próprio dedão. Muitos começam a se aproximar das religiões na busca de conforto para o final da existência. Tantas vezes um final anunciado por enfermidades físicas e mentais e solapado pela voracidade de governantes, políticos e autoridades, especialmente dos parasitas e corruptos.
Crônicas & Agudas
Cerca de 24 mil e 500 dias percorridos! O jovem vive o dia, talvez o amanhã sendo um final de semana. Lá pelos 11 mil dias ele, o ser humano, põe na sua alça de mira a década seguinte e olha para mais uns 8 mil dias a frente se preparando “para quando parar”, sendo o pé de meia algo mais que aquilo que se coloca nos pés para melhor acomodar nos calçados. Outro sentimento dessa fase é “fazer tudo que gosto enquanto ainda posso, pois depois de velho eu não sei não”. Também aí o sexo e rock-and-roll deixa a música para opção mais tardia ou somente como atrativo de caça para os lençóis. E observa o tempo que antes se arrastava, depois troteava e agora galopeia quase querendo disparar. Fantasmas se descortinam no horizonte próximo. O futebol virou hora de galeto e churrasco com cerveja e menos jogo de bola. A menopausa ganha perfil e assunto dominante entre amigas e nas rodas vivas da internet. Já se começa a gastar mais com remédios do que com frugalidades alegres. A bolsa de remédios participa das viagens e do lazer e descobre-se que “o sexo vale mais pela qualidade do que pela quantidade”.
Cr & Ag
590 mil horas no hodômetro da idade! Há quem tema acordar, levantar-se, fazer sua higiene e iniciar o dia sem nenhuma dor ou desconforto, pois se a luz for mais intensa, jardins belíssimos, cantos de anjos, criaturas celestiais governando e tudo de belo e bom a sua volta deve beliscar-se energicamente para se constatar ainda vivo ou sobrevivendo no Brasil deles. Curioso? Ou real? O check-up que antes era dispensável, agora reúne várias planilhas de exames, médicos de várias especialidades, clínicas e hospitais e submissão a dedos violadores de orifícios que somente eram de saída. Ops, há exceções! Muitas. “O tempo em que menstruava” vira causo “do meu tempo”, como uma guerreira viking remanescente de batalhas onde sangrou, mas não morreu. Glórias do passado ainda passado a limpo, assombrado pelo temor do alemão destruidor de mentes e vidas – o Alzheimer!
Cerca de 352 milhões e 152 mil minutos! Qual o sentimento que primeiro vem à mente? Gratidão! Isso aí, Gra-ti-dão! Desde ser amado antes de nascer e a permissão para percorrer essa longa estrada, a gratidão vem do antes, ilumina-se durante e palpita o coração no agora. Entre tantos tempos, a gratidão a você que me acompanha e entusiasma. Muito obrigado! E que Deus abençoe e ilumine todos nós e ao mundo tão sofrido.
2018 – 06 – 26 junho – O Hodômetro da Idade – EDS OLIMPIO – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião de Viamão
http://www.edsonolimpio.com.br