“Cagaçoterapia”
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is que o paciente retorna modificado, mudado de corpo e mente. “Doutor, emagreci quase 10 kg, a pressão está normal, o colesterol arriou, açúcar nem pensar, tudo melhor. Depois do cagaço que o senhor me deu não dormi umas quantas noites pensando no estado que eu estava e aí resolvi fazer a minha parte. O senhor é campeão num cagaço”! Não mentir e nem aumentar. Dizer a realidade dos exames complementares e não omitir o exame clínico demonstrando que tens real interesse na saúde do paciente. Isso é antes de tudo, respeitar! Respeitar ao paciente e a ti mesmo e a dignidade da tua profissão. O choque de realidade soa quase como um atropelamento dos conceitos e modos de vida que levam à enfermidade. É quando a doença é a companhia não desejada, assim para muitos soa como aquilo que na linguagem popular se denomina cagaço. E quando funciona como terapêutica até seria uma “cagaçoterapia”. Medos extremos levam à imagem de borrar-se nas calças. Se mais leve – urinar-se!
Crônicas & Agudas
Lampião e Maria Bonita. Talvez a Maria nem bonita fosse, mas era a dama amada de Lampião, o Rei do Cangaço. O homem que se tornou lenda. O mito que se eternizou nas suas façanhas de absoluta coragem. Os “macacos” (soldados) enchiam as fardas de estrume ao simples aviso de enfrentamento com Lampião. “Cabras da peste” matavam e morriam na caatinga e os habitantes de lugarejos fugiam borrados. A “cangaçoterapia” existe ainda no Brasil que tem dono e gerencia seus currais eleitorais. Os modernos cangaceiros continuam executando desafetos e desovando cadáveres. Mas quando a morte não foi ainda decretada, o cagaço é uma arma poderosa. Sempre foi! O cagaço elegeu FHC e decretou derrota do Lula metalúrgico. Temia-se eleger um comunista e sindicalista feroz.
Cr & Ag
Pais ameaçam seus filhos para que estudem e se tornem pessoas melhores trazendo à tona seus maiores medos e contrariedades. “Vai ficar duas semanas sem videogame e tablet ou smartphone”! Choro e ranger de dentes. Há vezes que funciona. Contaram-me de um jovem que diante dessa ameaça deu o rebote: “Vou ser político e rico e ter um monte de courinhos me puxando o saco”. Os pais desarmados ficaram boquiabertos com a visão de futuro do seu rebento. O mundo muda, mas as pessoas nem tanto. E o Brasil continua sendo o país da criatura se dar bem com o trabalho dos outros. Houve um tempo em que se temia a polícia. Lembra disso? Enfrentava-se brigadiano a cavalo defronte o Restaurante Universitário da UFRGS, inclusive derrubando cavalo com bolas de gude. As duplas de PM eram chamadas de Pedro e Paulo, mudava-se para “pé-de-porco”. Baita desaforo. Hoje o pessoal faz gincana para saber quantos “polícia vão derrubar”.
Cr & Ag
O simples “vou contar pro teu pai” ou “espera teu pai chegar” já funcionava como ameaça de dar cólicas e calafrios. Hoje… Pais e professores são espancados por filhos genéricos e são processados pelo Ibama, Funai, FBI e sei lá quantas siglas servem para estropiar os educadores domésticos e escolares. Cagaço supremo: medo de ser excomungado! Isso já erigiu e derrubou reinados e impérios e milhares morreram em “guerras santas”. Quantos ainda sabem o que é ser excomungado e se souberem já deletarem dos riscos pequenos. A terapia do susto, do medo, da ameaça não está com os dias contados. Lembre-se do Gilmar Mendes e patota ou do Sérgio Moro!
2018 – 07 – 24 julho – Cagaçoterapia – EDS OLIMPIO – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião de Viamão
http://www.edsonolimpio.com.br