Peladas & Política!
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avia uma infância que brincava nas ruas e nas praças da Primeira Capital de Todos os Gaúchos. Parece estranho ou inaudito? As brincadeiras tinham suas épocas e fases do ano. Havia um tempo para cada brincadeira, mas as peladas ou os jogos de futebol eram de todo tempo. Em todo o lugar. A Praça da Igreja Matriz era um campo pelado, isto é, de areião. O campo ou a várzea do Tamoio seria um Gigante da Beira Rio ou uma Arena para a gurizada. Essa praça onde estaciona e se desenrola a feira livre na esquina da avenida Bento Gonçalves com a rua 2 de Novembro era um campo de futebol disputado entre a gurizada e os presos da cadeia municipal. Ainda havia “grandes” campos na Lomba da Tarumã e no Matadouro dos Pinto, no Mendanha. Havia times sorteados pelo par-ou-ímpar, geralmente com o gordinho ou o perna-de-pau sendo o goleiro e o resto se ajeitava e entravam nas substituições. O dono da bola tinha preferência.
Crônicas & Agudas
As peladas corriam bem até que guris maiores (e bem maiores) que os que estavam na disputa queriam jogar juntos, mas geralmente levando vantagens pelo físico. Caso os menores não permitissem que participassem do futebol ou qualquer contrariedade, estragavam o jogo. Colocavam-se dentro do campo obstruindo, batendo nos menores ou num extremo – roubando ou furando a bola. Hoje até chamam de ‘bullying’ essa violência. Muitas vezes os menores tinham que interromper o jogo de futebol e aguardar que os destemperados saíssem. Um amigo “contratava” uns “guarda-costas” para a proteção e a pelada seguia animada e “vira em cinco”. Curiosidade: o time que primeiro marcasse cinco golos mudava de lado.
Cr & Ag
Lembra do Tancredo? O Tancredo Neves, mineiro, eleito presidente do Brasil teve uma infecção abdominal e veio a falecer antes de assumir a presidência. Seu vice, o “imortal” José Sarney assumiu e cumpriu todo o mandato presidencial dentro da plena aceitação dos partidos políticos e dos eleitores do Tancredo. Jamais surgiu, nem de longe, a imagem que o vice estaria dando um “golpe”. Lembra do Collor? O de Melo! Caçador de marajás vindo das Alagoas e assim-assim com o PC Farias. Num escândalo, foi processado e cassado pelo Congresso Nacional. Lembra que o vice era Itamar Franco? Aquele outro mineiro, do fusca e da gata sem calcinhas no Sambódromo. O vice Itamar assumiu e cumpriu o resto do mandato com FHC a tiracolo. Ninguém sugeriu que havia “golpe”. Alguém da esquerda? Ou de qualquer lado de dentro ou de fora? Nada!
Cr & Ag
Lula colocou e elegeu o “poste da Dilma” com o plano, a estratégia que ela cumprisse um mandato e logo ele retornaria para mais dois períodos. Foi traído pelo “poste” – que forçou sua reeleição, além de traidora mostrou-se incompetente. Foi parcialmente cassada pelo Congresso que também traiu (sic) não lhes dando o negociado. Então criou-se o mito do “golpe”. Sendo que “golpe” o “poste” deu no mestre. Palocci diz que “golpe” Lula deu nos seus correligionários. Imputou-lhe culpas e alegou completo desconhecimento das falcatruas, impedindo assim da esquerda criar novas e sólidas lideranças que vingariam e triunfariam na sua ausência. Aí está a esquerda – acéfala sem Lula! Os infindáveis recursos e a compulsiva ou obsessiva tentativa de colocar Lula de candidato, vitimizá-lo por “golpe” ou “preso político” me lembra daqueles guris taludos que não jogavam e não deixavam os outros jogarem. “Se eu não jogo, eles também não”! Dignidade! Não somente quando se está por cima ou ganhando, é principalmente nas derrotas. Infelizmente a desconstrução daquele homem que tantos seguiram parece não ter fim. Lamentável!
2018 – 08 – 21 Agosto – Peladas & Política – EDS OLIMPIO – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião de Viamão
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