Amor no Inverno!
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primeira imagem que nos aquece a mente está no casal enamorado com a lareira crepitando em chamas escarlates e as cintilantes taças de vinho sendo cruzadas num gole sedutor. Muitos tendem a fugir do frio. Outros seduzem-se pelos corpos expostos ao sol numa praia paradisíaca e o gingado inebriante e cativante. Babeiros ao lado! A nossa humanidade exige, necessita e até implora por calor. Esse calor será primeiramente o humano e a seguir até de outros seres. Vem à mente o miserável enrolado em seus trapos num leito de papelão e o cão, derradeiro amigo, enrodilhado com ele. Imagem que nos toca profundamente e desabrocham lágrimas ardentes até nos corações mais empedernidos, mas é a realidade que esbofeteia o rosto de uma sociedade cativada pelo consumo desenfreado e por idolatrias de ladrões do país e, pior, ladrões de sonhos e de esperanças daqueles que a mente não está entorpecida.
Crônicas & Agudas
Pés que se esfregam! Quer coisa mais anti-libido do que pés gelados? Meias de lã ajudam. Uma massagem com os dedos das mãos intrometendo-se entre os dedos dos pés da criatura amada, agora melhor e mais amada. Um fogão à lenha ou uma lareira colaboram, mas nada melhor de que pele na pele. Pés que se esfregam num bailado, num ritmo íntimo e se aconchegam num colo ou entre pernas. Pelegos! Nós gaúchos de todos os costados apreciamos pelegos. Entrevero nos pelegos! Quem não viveu, quem ainda não curtiu que não espere a próxima reencarnação e trate de forrar o sofá, sobre o tapete da sala e, principalmente, forrar o ninho. Ninho! Milenarmente. Desde tempos imemoriais, primitivos, antes das cavernas, os humanos trazem nos seus mais profundos impulsos ou instintos a necessidade de fazer um ninho, como os animais. Seja pelo amor, seja para os filhos.
Cr & Ag
O ninho nos encontra, busca-nos e nos leva aos mais intensos sentimentos de afinidade, de realização e de amor em suas vertentes mais belas e sublimes. Num ninho, o detalhe da orelha, os dedos deslizantes nas bordas, as suas curvas trazem um significado e uma iluminação que em outros locais seriam meros toques, agora intensos carinhos. Também belos! Novos bailarinos se incorporam aos dedos e mãos e os lábios que se tocam e sussurram coisas de amor rebuscam os baús que lhes pertencem e afloram as imagens, sons, perfumes e vivências que somente aos dois pertencem. A memória é uma entidade viva e fulgurante que nos estimula e traça nossos caminhos balizados naquilo que nos faz felizes. Jamais buscar, rememorar ou reviver dores, frustrações, aquilo dito ou feito que desagradou, magoou ou feriu. A roda da vida e as engrenagens do tempo necessitam a lubrificação do amor, mesmo do amor distante ou que partiu.
Cr & Ag
Eis-me aqui entrando naquele amor que a mente, o cérebro desafia o coração a reviver. O casal agora incompleto. O amor que partiu para outra existência. Aquilo que o amor viveu, vivenciou e se entregou puramente renasce no ninho da criatura agora só. Toque-se e sinta-se embalado por amor. De amar e de ter sido amado (a). A xícara de chá que aquece suas mãos também já aqueceu as mãos e os lábios da outra pessoa. O chimarrão – também é assim! Aquele tempo a mais na cama, no ninho de amor, renasce e sempre reaviva a chama que jamais se apaga no coração que curtiu e curte a pureza de amar. Somente quem ama é amado (a). Que seu amor de inverno jamais encontre o esquecimento. Que o inverno esteja no clima e jamais no seu coração!
2018 – 07 – 31 Julho – Amor no Inverno – EDS OLIMPIO – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião de Viamão



