Adereços & Roupagens!
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natureza dá a roupagem com cores e ornamentos que nos encantam e causam espanto. Assim se distinguem espécies e dentro de cada variedade também os machos e as fêmeas. Desde os tempos primitivos os homens, incluem-se as mulheres, buscam embelezar-se com pinturas, pedras e toda a sorte de objetos colhidos na natureza ou produzidos com essa finalidade. Finalidade? Além de ser tornar mais belo e atraente, todos buscar chamar a atenção e cativar o sexo oposto (hoje seria o sexo proposto?). Muda a ornamentação de região para região e de época para época. Aquilo que a criatura se acha mais cativante ou mais bela, pode significar e muitas vezes significa uma anomalia, um absurdo e um despropósito para outra pessoa. Crê-se que o sentido humano mais inicial, primordial, seja o olfato. Aí está todo um arsenal de perfumes e infinitos aromas para amainar a higiene escassa ou para ativar feromônios.
Crônicas & Agudas
– Uma moça tão bonita e arruinou o rosto com aquele monte de argolas – nariz, sobrancelha, lábio e orelhas! – Comentava uma jovem senhora. Os conceitos e propósitos de beleza são muito pessoais e tribais, do grupo onde a criatura vive. Talvez o esmalte das suas unhas e o belo batom de seus lábios possa causar diferença para outrem. Além dos riscos de doenças infecciosas (HIV, sífilis, hepatite, etc) aquela ornamentação da face trará mutilações e sequelas para uma vida futura em que os gostos serão talvez desgostos. Os lobos das orelhas vazados por argolas tamanho de uma moeda não terão o formato ou as características anteriores. Os padrões de normalidade e beleza são cada vez mais discutíveis e mutáveis.
Cr & Ag
E as tatuagens? Há uns vinte anos assisti a explosão de tatuadores e rabiscadores corporais nos encontros de motocicletas. Até por essa época, a tatuagem era algo marginal, insinuado nas populações portuárias ou presidiárias e os tatuados ocupavam espaço de “avis raras” sendo curtidos ou criticados. Generalizou. Como não tenho nenhuma tatuagem depois de tanto tempo no lombo de uma moto sou uma exceção talvez. Observa-se uma compulsão depois da primeira tatuagem. Dizia-me um amigo que é algo como a síndrome do pichador corporal. Novamente os riscos de doenças pela manipulação vencendo as barreiras do corpo e a maioria esquece da contaminação das tintas por agentes infecciosos e metais pesados, no mínimo.
Cr & Ag
E as roupas? Há roupas e trapos. Muitos trapos. “Olhem como eu sou uma pessoa simples e não ostento”! – Alegou uma boneca global em rede pouco social. Realmente um jeans de mais de mil reais todo rasgado e com cor de burro quando foge não é (?) ostentação. A enfermidade social do populismo caviar se expande não somente na política rasteira e rapinante como nos mais abonados. Já foi belo e legal a pessoa ter uma roupa melhor para ir à missa, a um evento como aniversário ou formatura, talvez um baile. Havia até a “roupa de morrer” que era a melhor roupa e guardada para ser sepultado com ela. A criatura estaria melhor apresentável para São Pedro. Observe que há mendigos que se vestem melhor e com mais dignidade do que os falsos, pseudos-simples e humildes.
“Energias negativas, auras opressivas e atrações de entidades das sombras permeiam, atraem-se por roupas e ornamentos despropositados no estágio civilizatório das pessoas”. Acredite, aceite ou não, mas filosofias e entendimentos espiritualizados versam sobre o efeito para-raios (somente atrai coisas ruins) nos extremos ou nos abusos que são cometidos. Seria o “chamou, levou”?
2018 – 08 – 28 agosto – Adereços & Roupagens – EDS OLIMPIO – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião de Viamão