Jabuticaba ou Jaboticabas? Edson Olimpio Oliveira. Crônicas & Agudas. Jornal Opinião de Viamão. 02 Outubro 2018.

 

Jabuticaba ou Jaboticaba?

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anto faz. Ou tanto fez. Use como quiser ou bem lhe afeiçoar. Diz-se que a fruta escura, como bolas de gude, grudadas e… deliciosas. Diz também que são “exclusivas” das terras brasileiras, daí a metáfora de seu uso desde os tempos ancestrais atribuindo-se a coisas, fatos ou acontecimentos como “únicos” no mundo e que somente acontecem nessa terra sofrida e espoliada, roubada como poucas. Quando a jabuticaba nos convém, aceitamos como algo pacífico e certo como “direito adquirido” ou a famosa (seria famigerada?) “cláusula pétrea”. Exercite sua memória e busque algo que temos e que nos distancia do primeiro mundo. Ao encontrar, talvez colha mais uma jabuticaba na árvore mãe brasileira. Acusam-se que os juízes, por exemplo abocanhem vorazmente e “legalmente” complementações salariais ornamentadas e vantagens sem par aos cidadãos que ainda são iguais perante a lei, mas se fosse você o beneficiado?

Crônicas & Agudas

Décimo terceiro salário, adicionais, férias, que todos nós gostaríamos de receber, é ausente nos empregadores e nos profissionais liberais. Assim como certas categorias estariam abocanhando um décimo quarto salário e outros a mais. Alguns mascarados, maquiados como algum tipo de bolsa ou auxílio – auxílio lenha, bolsa educação, salário roupa e segue uma barafunda, pandemônio de termos que são aberrações para quem não recebe e justo e necessário para quem é “abençoado”. Como saber se é uma jabuticaba, uma graça brasileira ou algo de países terceiros mundistas ou de populismo epidêmico? Observe se o Canadá, a Austrália, a Nova Zelândia ou os nórdicos tem as mesmas “garantias legais”.

Cr & Ag

Apesar de ter sido funcionário público estatutário, creio que a quase pétrea estabilidade funcional é nociva para os contribuintes, pois assim como há muitas pessoas dignas e que correspondem em trabalho, há hordas de parasitas albergados nos intestinos da coisa pública. São seres intocáveis, salvo em condições raras. Alguns ainda são beneficiados com aposentadoria plena quando as chagas e a podridão de seus atos são expostos. Sabe-se que várias dessas jabuticabas são frutos do Jardim do Éden do Império português. Uma continuação das capitanias hereditárias. Beneficiavam-se os nobres e sua prole, primeiro com a chegada de Dom João VI, depois com a Independência(?) e continuou com o fim do Império e o parto sem dor da República.

CR & Ag

O regime cartorial ainda está aí numa aberração no mundo civilizado de estágio superior. Quanto mais complicados forem os caminhos do sistema, dos governos, mais o cidadão tem que caminhar e purgar. Até os aparentados latinos (México, Uruguai, Argentina, Chile) são mais eficientes e produtivos que as nossas jabuticabas. Há quem entenda que cada povo tem a cruz que merece carregar e a opção em votar e eleger corruptos, ladrões, criminosos e criaturas completamente incapazes segue essa linha, essa estrada funesta. Quer ver piorar? É quando descobre que o fundo do poço ainda tem outros andares e níveis abaixo, como no inferno de Dante. Assim se entende a reeleição. Até a reeleição continuada dessas criaturas e que perduram no Brasil que nós pagamos a conta e somos sangrados por avalanchas de impostos.

Estamos aí nas pestanas ou nos lábios da bocarra de uma nova eleição. A pirataria correu solta. Inclusive a tentativa filmada de assassinato de um candidato à Presidência. Jamais o mundo civilizado assistiu um cidadão cumprindo pena na cadeia apresentar seu “testa de ferro, laranja ou poste” para disputar a presidência do país e participar da campanha e ainda ter chance de vencer o pleito. Jabuticabas ou jaboticabas? Triste um país assim?

2018 – 10 – 2 Outubro – Jabuticabas ou Jaboticabas – EDS OLIMPIO – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião de Viamão

http://www.edsonolimpio.com.br

 

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