Coceiras! Edson Olimpio Oliveira. Crônicas & Agudas. Jornal Opinião de Viamão. 16 Outubro 2018.

 

Coceiras!

O

 heroico e-leitor dessa fenomenal coluna tem solicitado que o articulista se afaste um pouco da política nesse final de campanha, pois a vida ainda prossegue faceira (nem tanto), principalmente depois da Lava Jato (ops!), com as criaturas continuam comendo, bebendo, dormindo e… Há controvérsias! Eis que o tema “coceira” veio balançando nas sombras das ideias intoxicadas da politicagem rasteira e mau cheirosa. E senti a palma da mão direita coçar. E eu estava ali coçando a palma da mão direita quando a minha famosa Gata Neve veio esfregar a nariz úmido na minha mão. E não é que a coceira aliviou. Como uma mágica. Talvez em alguma encarnação passada eu tenha sido um egípcio, vindo daí o amor aos felinos, agora a Gata Neve. Acreditava-se que os gatos viam e afastavam os maus espíritos. Seria um mau espírito futricando na minha mão para que na hora fatal da urna eu digitasse um número maligno? Ou é algum aviso de que uma alergia estaria cruzando a esquina para se instalar na minha mão?

Crônicas & Agudas

Na minha longínqua juventude física se acreditava que a coceira na palma da mão seria anúncio da criatura ganhar algum presente. Geralmente não se ganhava nada além de uma alergia ou uma micose. Uma amiga do Ginásio Bento ‘Bentinho’ Gonçalves, que existia ali na cacunda do Grupo Escolar Setembrina, para não ficar no ‘mas-porém-todavia-contudo’ organizava apressadamente um “amigo secreto” e logo todos estariam sendo presenteados. Alguns recebiam presentes gregos. Um colega, que não citaremos o nome para preservar sua intimidade coçante, recebeu uma caixa de sabonetes com um cartão bem desenhado – “Para lavar a coceira no fiofó”. Entrou para a estória. Era uma época em que as verminoses intestinais, como hoje na mídia, proliferavam e muitas pessoas ‘esganipavam’ as franjas anais se coçando. Coisa de louco!

Cr & Ag

Coceira na cabeça! A coceira na moranga refletia a inconsistência da decisão, como ir para o norte ou para o sul, a dúvida da atitude entre ladroagem convicta e honestidade, glorioso rubro-negro Tamoio ou outro qualquer time (olha o aniversário do Tamoio aí pessoal!) e geralmente era caspa mesmo ou os piolhos chegaram ao topo do supremo. Tempos de muita caspa que se derramava sobre os ombros e branqueava a roupa escura e piolhos em todos os cabelos. Sim! Inclusive. A tristeza coçante aumentava com coceira corporal tatuada pela sarna. Ainda proliferava uma tal de “sarna galega”. Era de arrancar o couro com as unhas ou com o lombo da faca. Coisa feia! Tinha criatura que se encostava num poste ou numa árvore da praça e se esfregava alucinadamente. Daí tantas árvores descascadas. Assim nasceu em Viamão o sentimento ecológico (?). Alguns se ofendiam quando o doutor fazia o diagnóstico de piolhos ou de sarna. “Mas como? De que jeito se tomo banho todo fim de semana que vou a missa”!

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Macaco que muito se coça de galho em galho é porque quer levar chumbo”! Isso valia porque naquela época ‘primitiva’ o cinema matava índios durante toda a tarde no Cine Ideal, o Capitão Osório surrava bandidos na praça depois do seu cavalo dar umas peitadas no criminoso, estuprador era estuprador e jamais depois de descoberto voltava – a vida real se encarregava dele. “Que tu tá te coçando aí meu”? As crianças brincavam da Lomba ao Krahe, do Mendanha ao ‘caudaloso’ rio Fiuza sem problemas de bandidagem e nenhum criminoso se coçava em Viamão City e os homens coçavam seus sacos sem que isso fosse ofensa aos que coçassem outras áreas.

2018 – 10 – 16 Outubro – Coceiras – EDS OLIMPIO – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião de Viamão

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