“O chão que você pisa agora, amanhã será teu teto”!
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lguns e-leitores solicitam, outros anseiam que o cronista percorra caminhos que não os da política eleitoral que invade nossos lares e tumultua sentimentos e relacionamentos. Amigos de ontem, adversários hoje e alguns inimigos no amanhã. Porém outros atiçam para “baixar o pau” nisso e naquilo, muito mais “naquilo”. Quem ficar naquela zona morta entre o beiço e a venta ou ali entre San Juan e Mendoza corre o risco de ser alcunhado por covarde, em cima do muro ou bola murcha. Ainda há o risco de sorrir ou chorar pelo leite derramado. As campanhas eleitorais extravasam os egos, os espíritos inflados e anabolizados e o séquito, ou os adoradores e baba-ovos, de vários candidatos são como a criatura que representa o Gato de Botas. Autoanálise, olhar para dentro de si ou para o rastro viscoso e fétido que deixam ao se arrastarem no lodo da corrupção ou da degradação dos bons valores e da honra é algo inconsistente, quando não absolutamente ausente no discurso e na imagem do “nobre candidato”.
Crônicas & Agudas
“Cãodidato” seria uma ofensa cruel ao melhor amigo da criatura homem. Ou mulher! Precisa o cronista se policiar pela idiotia genericamente bem localizada e despida de inteligência? Sabe-se que as belas modelos, seres inefáveis que surgem numa passarela e flutuam na pista e nos idílios que inflamam nossos sentidos, não soltam gases, não evacuam as fezes dos demais mortais, jamais terão mau hálito ou acordarão de cara amassada. E seu xixi está para perfume sublime. Pois alguns, senão vários candidatos são seres assim. Estão acima do bem e do mal. Sua arrogância faria deuses do Olimpo enrubescerem, tal o absurdo assumido de seu orgulho ofídico. A satisfação e o prazer limitado com o mérito próprio ou de outrem estão ausentes nos discursos. Sempre serão “pais e mães” daquilo que deram certo ou não deram errado demais, que para eles é o correto total e irrepreensível.
Cr & Ag
Soberba pouca é bobagem. Há candidato que possui a habilidade de abstrair-se completamente do que não lhe interessa e responde geralmente para si mesmo. Responde para sua imagem no espelho, estando encantado com sua obra e que absurdamente há “reacionários” que discordam ou são “incapazes” de lhe ovacionar e prestar tributo. Possui o dom da arrogância absoluta e sente-se “pai e mãe” de filhos incapazes de se gerirem e terem vontade e desejos próprios, pois somente ele sabe aquilo que é bom e necessário para o povo, o e-leitor e o cidadão. Espanta-se com os mal-agradecidos, criaturas desprovidas da gratidão com as benesses que lhes ofertam ou que já deram. Populistas são os outros!
Cr & Ag
O corrupto é a criatura que acredita que sempre deva levar vantagem e vive pela cartilha do mais esperto, aproveita o cavalo que passa encilhado e bate na tecla de que achado não é roubado. Dentro dessa percepção adúltera ou doentia de mundo e de realidade, o corrupto jamais será um ladrão, aquilo que ele toma para si é porque ele merece e necessita para suas necessidades básicas. Também distribui aos seus familiares e acólitos, pois aguenta as mazelas dessas criaturas que se denominam povo. Ele não se acha sequer riscado de egoísmo ou de confete e serpentina do excesso de amor próprio. Há quem profetize ser “mais honesto que Cristo”. Acumula fortunas pessoais e familiares que muitas gerações não conseguirão gastar como mortais civilizados e decentes. Certamente o chão que caminha não nasce grama, mas algum dia será o seu teto, como de todos os mortais. Ah! E se ele for imortal?
2018 – 10 – 23 Outubro – O chão que você pisa agora, amanhã será teu teto – EDS OLIMPIO – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião de Viamão