Novos & Usados!
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s velhos anúncios classificados dos jornais anunciavam os veículos à venda com algumas chamadas especiais e atraentes: “Carro de médico com 5600 km”; “Corcel II de professora com cheiro de zero e estepe nunca rodou”; “Santana de juiz com ar condicionado e tudo do melhor com 7.200 km – uma pechincha”! E o baile continuava nessa balada. Quase todos os meus amigos que compram veículos usados ou seminovos são os felizes descobridores de pedras preciosas que todos buscam, mas somente eles as encontram. Essa arte da eructação ou do popular arroto se presta para muitos que somente adquirem carros novos. E somente querem os novos – zero km! “Gostos não se discutem”, diz um velho deitado. E os desgostos? E os dissabores? Numa dessas noites zapeando pelos canais da TV, tropeando a programação, defrontei-me com uma pesquisa sobre os “conteúdos” encontrados nos carros usados e nos carros de estacionamento por valetes ou manobristas. E fizeram um pente fino, desses de enxotar piolhos, uma pericial criminal. Quase!
Crônicas & Agudas
Sabe aquela meleca do nariz que alguns fazem bolinhas e engolem como o treinador da seleção alemã de futebol? Quilos entre os bancos e nas frestas que os aspiradores não alcançam. E melecas e secreções de todos os tipos, talvez até de alienígenas. Sêmen é frequente e alguns carros devem deixar os motéis com inveja do volume. Restos de unhas com e sem micoses. Restos de roupas íntimas (cuecas e calcinhas destruídas?), camisinhas e absorventes íntimos como contêineres de papel higiênico aderidos com colas mais poderosas que a Super Bonder. Está assustado? E sangue! Num carro, talvez de algum vampiro, parecia ter sido esquartejado algumas criaturas, “muito sangue”. E tudo isso antes do holocausto zumbi, o Walking Dead! Fiquei imaginando as roupas de brechós e coisas do gênero. Ok, você acredita que aquelas roupas e indumentárias estão esterilizadas como jalecos de UTI neonatal? Então certamente você votou em salafrários “inocentes”. Alguns países têm floridos negócios de vestuários de ex-combatentes de guerras. Além daquilo que não se vê, como o espírito ou a energia daquele que a usou, vestiu e suas ações, tem essa materialidade bizarra. Assustadora!
Cr & Ag
Certos povos, como foi aqui no Brasil das “mãos rápidas” e do “pezão governador”, casamentos eram anulados por defloramento antes das núpcias, virgindade não comprovada, não atestada ou coisas do gênero e grau. Agora são imputados como sequelas do machismo. Mulheres, nesse mundo cínico, ainda são mortas com pedradas ou outras modalidades cruéis se o marido alega ausência da integridade do hímen. E o lençol com o sangue das núpcias é orgulhosamente exposto à comunidade como prova de pureza. O tempo e os orifícios do corpo humano perderam encanto, religiosidade e mística e, principalmente, a aura da dignidade e do respeito. Buraco na camada de ozônio, agrotóxicos nos alimentos, destruição do meio que já é menos de ¼ do ambiente, poluição mental, ladroagem viral e institucionalizada, gênero além da aula não dada de português leva a criatura a situações limítrofes e esquizofrênicas. O zapear nos defronta com outras “civilizações” adstringentes, sufocantes e permissivas para uns. Eis que uma veterana em idade e, certamente, nas lides dos lençóis externa sua predileção e seleção por homens jovens “zerados” no sexo ou no máximo “seminovos” e “nada de sapato muito usado e até torto”.
Estranho? Inaudito? Conta-se que mulheres poderosas na sua época, cevavam machos jovens para seu deleite sexual, como nas míticas amazonas. Seria a lei do velho Lavoisier – “nada se cria e tudo se transforma” aplica nas “empoderadas” e nas “mexeu com uma, mexeu com todas”? Ou nas “#ele não”? “sei lá, não sei não”, parodiando a letra musical. Uma amiga diz: “não confundir empoderada com empoleirada”. Esse é o mundo em que sobrevivemos.
2018 – 12 – 04 Dezembro – Novos & Usados – EDS OLIMPIO – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião de Viamão