Passaporte de Viamão! 1ª Parte
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rasileiros se ilustram e regozijam com seus passaportes estrangeiros. Alemão, italiano, português, britânico e outros tão concorridos (cubano?) e conquistados. “Quero ver é ter passaporte de Viamão”? Isso me aguçou. Como “passaporte de Viamão”? Na verdade, ele queria dizer que viver na Alemanha, na Itália, em Portugal ou na Inglaterra é fácil. Difícil é viver em Viamão City. Entendi assim. E você? Viver no primeiro mundo é uma barbada, a bronca é viver no garrão do Brasil e numa cidade dormitório, violenta e barbárie no dia a dia. Lembrei-me do discurso de amigo Antoninho “Cascalho” Ávila em que alertava ser um “nascido em Viamão, com sucesso lá fora, no Brasil e no mundo, e, por opção, voltar a viver em Viamão”. Esse é de fé! E real. Outro amigo dizia que nas Guerras contra os castelhanos em que o gerente do Império veio se homiziar aqui depois de acuado em Rio Grande, dando origem a Primeira Capital de Todos os Gaúchos ou Riograndenses, poderíamos ter criado os Estados Unidos de Viamão. Anexava o Uruguai, Santa Catarina e o Paraná e teríamos o nosso país. E depois na Revolução Farroupilha o sentimento renasceu. Mas o espírito de Brasil falou mais alto ou a turma já curtia uma boquinha no governo. Para uns ainda somos tipo de “um país basco” dentro do Brasil.
Crônicas & Agudas
Nós cultivamos e aprimoramos hábitos peculiares. Fazemos muito turismo dentro do nosso território. Experimente umas férias na Praia das Pombas ou na Praia de Fora. Confraternize com os bugios, menos à meia-noite quando descem das árvores e fazem guerra de estrume. Não há mosquitos como os nossos. São como beija-flores anabolizados, mas educados e finos. Secam o bico depois de sugar longamente teu sangue na tua camisa e nos restos do pijama. Faça mergulho de profundidade na Lagoa Negra e descubra entre as ossadas alguma adaga de cabo de prata. O Daison, melhor motorista da época dos ônibus da Palmares, levava dezenas de milhares de viamonenses para a orla, para o litoral, pois as praias somente haviam sido inventadas em Santa Catarina. Eram “pequenas” viagens de mais de 4 horas. Os moradores da zona rural colocavam cadeiras e armavam barracas próximas à estrada para verem os ônibus passando. Uma festa! Os ônibus paravam para um descanso do pessoal e deixar esfriar a água fervente do radiador. Os passageiros aproveitavam para tomar um café com leite de vaca e da vaca, aipim e batata doce frita e pães e bolos com torresmo, ovo frito e feijão mexido.
Cr & Ag
Muitas famílias esperavam os ônibus calculando o horário, o tempo, a estação do ano e o motorista. Alguns motoristas eram verdadeiros pilotos de corrida e o caminhão chegava até uns 60 km/h. Incrível! Só vendo. E abanavam. Os passageiros retribuíam com os braços e cabeças para fora das janelas. Em lugares de atoleiros, haviam juntas de bois e algum trator (movido a leite do Cirne?) de plantão. A poeira era tanta que cuspiam pedaços de telha. Contam que mulheres abandonaram tudo por amor a algum motorista ou a um cobrador. Assim como alguma “moça foi desencaminhada” pela paixão avassaladora. E assim muita criança anda pelo mundão de Deus com pais incertos e mal sabidos.
Havia quem levasse caniço e uma lata de minhocas depois que veio a notícia de um passageiro pegar mais de 50 traíras e jundiás no rio Capivari enquanto o motorista e o cobrador consertavam um pneu. O delegado proibiu arma de fogo longa, como espingarda, porque sempre havia algum caçador de marrecas pronto para derrubar umas aves nas Palomas. Tempos diferentes! Hoje derrubam marrecas em qualquer lugar. Pessoal muito solidário na nossa terra. Repartia-se uma farofada de galinha e ninguém passava fome, sede ou frio na viagem.
2019 – 01 – 15 Janeiro – Passaporte de Viamão 1 – EDS OLIMPIO – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião de Viamão – http://www.edsonolimpio.com.br