Natal na Praia!
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ara o gaudério dos pampas não há verão sem férias. E nem férias sem praia. O gaúcho nasceu no judiciário. “Como assim”? Sim, claro, os juízes podem folgar qualquer época do ano, mas sempre terão o famoso recesso de final de ano. O gaúcho também. Ao contrário dos baianos que tem um mês de trabalho e onze de férias. Então o Natal já é um tira-gosto, um teste drive, uma amostra do tão decantado e sofrido verão do Rio Grande do Leite (novo governador). Quando não sopra feroz o vento Minuano, seu irmão, o vento Nordestão, carrega os praianos com cadeiras e tudo mais. Somam-se chuva e… Frio! Mas é praia e vale tudo. Ou quase. “Sendo de amigo não vale pegar”, diziam o Paulinho da Tarumã.Com um arroto, desses de valentia em boteco perguntando para a galera “quem tem ovo no saco?”, o Carlão do Espigão mandou ver: “mina de amigo meu eu trato como violino, viro a cara e…” Deixa assim. Depois de 1 hora na fila do Nacional, a Lurdinha dos Catarinas da Lomba, veio me dar um Feliz Natal e após os três tradicionais ósculos (matei a vontade de usar esse vocábulo) sacou e atirou: “Edinho do Cabeleira, não gueeento mais a tal de praia natalina. Tô acabada de trabalhar pra aquela horda. Por mais banho que tome, não tiro o cheiro de fritura do couro e dos cabelos que ainda me restam”.
Crônicas & Agudas
“Ainda veraneamos no chalé no Pinhal. Ali na revessa da rodoviária do velho Calisto, depois do banhado. Terminei um bujão de gás em cinco dias. Os filhos trouxeram os maridos e as dita cujas. Essas malditas passam o dia pintando as unhas e falando de Deus e todo mundo e não são capaz de lavar uuum copo, quanto mais cozinhar e limpar… Quando os meus filhos reclamam, elas saem como umas gatas sexy e vão engomar os lençóis. A netalhada até que é legal. O Valdirzinho do Zeca é muito inteligente e ligeiro que nem o avô dele antes das férias forçadas no Jacuí (penitenciária de segurança máxima), O guri pegou uma caixa de sapos no banhado e anunciou pra vender na internet. Disse que é memória rã. Já tá faturando uma grana nesse tal de computador. Lembra do Zeca né? Aquele que tiraste um anzol do dedão do pé. O Zeca se separou da filha do Bento Balaca e se ajuntou com essa tal, que já se veio com mais cinco crias, uma de cada homem, cada mês pinta do cabelo de uma cor e na eleição pintou de vermelho, mas eu dei a letra que se falá do PT aqui em casa eu saio na porrada e boto pra rua”.
Cr & Ag
“A filha mais feia dessa tal cuja trouxe o namorido. Um magrão tatuado e com pirce pra tudo que é lado e buraco. Acho que a coisa sofre de labirintite, tá sempre meio tonto. Ou pode ser da fumaceira nas ventas quando não estão acolherados na barraca no pátio. A feiosa grita como baile de bruxa. Temos três quartinhos no chalé, mais a meia água da garagem e os dois avarandados. Uma noite contei dezessete viventes. Fora as almas penadas que acamparam na casa do lado que tava vazia. Coisa de pobre. O que pobre mais tem é cachorro e parente. Domingo faltou água e luz e pra piorar entupiu a patente. Coisa muito feia. Transbordou a naba. Tinha general nadando de costas e tropeiro com a boiada. Lembra da Terezona cunhada do barbeiro, também apareceu por lá, buscava uns baldes de água no valão do banhado e jogava no vaso. Não desentupiu, mas espalhou a bosta pra tudo que é lado. O fedorão foi fatal. Um casal de quero-quero que acampa por perto bateu em retirada e uma dupla de velhos que mora meio defronte teve que chamar o Samu por intoxicação, desmaios e ameaça de derrame com infarto”.
“A Dieniffer com dois F quase perdeu a cria vomitando de tanto fedor. A Terezona se rendeu e estorou uma hérnia dupla, na coluna e na virilha. Pra encurtar o causo: terminaram com as minhas Polar (cerveja), comeram as costelas minga, quebraram as camas e rasgaram as redes e nem contei da cachorrada pet que levaram. Mas a fila anda, Edinho, e a caixa tá te chamando. Dá um abraço na doutora que consertou meu piano (dentadura)”. E o saco do Noel? Pergunto outra hora.
2018 – 12 – 27 Dezembro – Natal na Praia – EDS OLIMPIO – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião de Viamão