Passaporte de Viamão! 2ª Parte
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m bairro de Viamão aproveitou a chegada de uns tais açorianos, uns venezuelanos da época, e resolveram pedir divórcio de Viamão. Hoje estão lá tapados de buracos e todo tipo de bronca, mas ainda arrotam: “Sou da Capital”. Grande coisa! A viagem de ônibus para Porto Alegre teve grande desenvolvimento com a chegada de um alemão de Hamburgo Velho, o famoso Seu Hormindo. O viamonense fazia o percurso sabendo que algum dia chegaria ao Porto, que ainda era Alegre. No topo da Lomba do Sabão, o nome descreve o local, havia uma lagoa barrenta onde agora tem um terminal de ônibus que virou quartel da Brigada. Nas suas pestanas (da lagoa) havia o Armazém dos Reis e ali o pessoal tomava um café com bolachas e bolo frito com Malzebier enquanto o motorista e o cobrador colocavam correntes nas rodas do furioso. O bruto descia se ladeando na lomba lisa como sabão. Alguns faziam o percurso a pé em certas épocas de inverno medonho. Imaginem a subida do veículo!
Crônicas & Agudas
Há uma lenda urbana, tida como real, que certo motorista de táxi levava um cliente para Porto Alegre e quando chegou na lagoa encontrou um bagual e uma égua em francos namoros. Parou. Desceu. Extasiado pelo entrevero sexual abagualado! E só continuou a viagem depois do namoro concluído. Os olhos arregalados não cabiam na cabeça do Hélio. Outras viagens de ônibus que marcaram seu tempo eram para o Passo da Areia e Itapuã, às margens da Lagoa dos Patos. Está aí o famoso Valdeci, pai da doutora Varlete, que sabe de várias estórias e causos do local. “E não me deixa mentir sozinho”, como dizia um amigo. A linha de ônibus era afetuosamente chamada de Passo das Éguas e partia ali da sombra da Caixa D’Água. “Passo das Éguas lotado”! “Um passinho à frente, por favor”! E foi do Valdeci o maior complexo de dança e baile que a região já conheceu, o famoso e típico Salão do Valdeci. Churrasco de primeira. A cerveja gelada e gurias fervendo. E o mercado ao lado para umas compras e um rancho do mês. Havia gaudério que arrastava as botas no salão enquanto a “Nega Véia fazia o ranchito”. Que maravilha!
Cr & Ag
Com o tempo, evoluíram três paradas no caminho das praias salgadas: Restaurante Silva (grande Ari do Lino), Restaurante dos Canquerini (meu padrinho seu Osvaldo) e Restaurante no Capivari com “bomba de gasolina”. Era uma novela, uma luta e um desafio chegar a algum deles em certas épocas do ano. Se no melhor verão a viagem levava mais de 4 horas até o Pinhal e depois mais de 1 ou 2 horas pela beira do mar até a Cidreira, com travessia pelos cômoros ou dunas e as ressacas do mar. Várias vezes somente conseguíamos no jipe do seu Aldo com a tração ligada nas quatro rodas, mais a reduzida e muita oração e promessa. Coisa de Rally Paris-Dakar. Hábitos são hábitos. Troca-se de casa, de cavalo e até de mulher, mas não de hábito num tempo em que até padres e freiras tinham hábitos. Um viamonense acampou próximo ao pedágio. Pescava no arroio Alexandrina. Atirava de 12’ nas marrecas e mateava mastigando torresmo feito na barraca enquanto assistia a construção e passavam os novos veículos. Contava que até um “telescóptero” pousou com o “governador no bucho”, que “apeou do animal e tomou um mate comigo e levou umas broas da patroa”.
Cr & Ag
Agora estão construindo um viaduto (falam em viado adulto) na junção da ERS 40 com ERS 118. Vi eu não vi, mas contaram que teve um Fraga acampado ali para assistir a execução da obra durante suas férias e tiveram que trocar a barraca de lugar umas três vezes. Não duvido de nada nessa santa terrinha. Tem coisa que sem contarmos, ou não acreditam ou vira novela na Globo. Talvez seriado no NetFlix. Ou ainda um épico da Record. Tem povo requisitando causos praianos, principalmente com barbeiros envolvidos. Tem tempo!
2019 – 01 – 22 Janeiro – Passaporte de Viamão 2 – EDS OLIMPIO – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião de Viamão