Cunhados!
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viamonense somente se agacha para rezar para a padroeira Nossa Senhora da Conceição e não titubeia diante de algum desafio. Pelo menos sendo Fraga ou Oliveira! Não teme alma penada, nem as pernadas do PT. Uma dupla de zagueiros do glorioso Tamoio, o gigante rubro-negro da várzea do colégio Stella Maris fez furor depois da Grande Guerra. Foram alunos da famosa ETA, Escola Técnica de Agricultura, berço do “doutor” Leonel de Moura Brizola, ali onde o Vigário não perde o Passo. Apelidos: Praga de Mãe e Coisa Ruim. O velho Menezes marcou um jogo com churrasqueada para um misto de veteranos do Colorado e a fina flor do Tamoio. Tarugo, o volante, era um quase anão, apelidado de Só passa um. E a zaga não passava nada. Já estava 3 a zero para o Tamoio. O time dos veteranos do Colorado tinha esgotado os reservas por contusões variadas, quando o Negão da Tuca, centroavante matador enxertado no time depois de longa carreira no Presídio do Gasômetro, falou para o nosso zagueiro: “Pô alivia meu, sou teu cunhado. Eu namorei a Rosinha Beija Flor”! E foi aí que a coisa desandou e quem não fugiu com a cachorrada latindo na cola, foi carregado nas viaturas para o Pronto Socorro. Até a Brigada apanhou de “salgar o lombo pra não bichar”. Fotografias na parede do bar Sete Facadas, apesar de borradas de sangue, atestavam o fato. Um dos meus primos delatou que a rapaziada sonhava com a pujança da Rosinha Beija Flor.
Crônicas & Agudas
Estava eu ali na orla do oceano, desentocando tatuíras com o dedão do pé, distraído e tentando tomar meu chimareião. Sim, tomar chimarrão (tinha mais areia na cuia do que erva), com o vento Nordestão arrancando os guarda-sóis, derrubando as cadeiras, a areia chicoteando nas pernas e no lombo (ainda chamam de veraneio!) quando se chegou a Lurdinha do Biscoito, filha do Zé Biscoito e descasada do Ataulfo Dias Carneiro. “Edinho do Cabeleira, sou tua fã assumida. Não perco uma coluna no jornal do Pedrão queridão. Mas para com essa estória de falar de sogras (até nem falo muito!). Quero ver é falar de cunhado. Sei que tu é unha e carne com teu cunhado Geraldo. Isso até é outro departamento. Quero ver é falar de cunhado! Anota aí: “Se cunhado fosse bom não começava com C e U”! Na minha fase de vida já não se envareta mais com quase nada. Mas, ela pegou forte e aí me veio o causo do Coisa Ruim e do Praga de Mãe. O cara deflorou (?) a irmã do outro e não casou. E não adiantou explicar que foi cumprir cana na penitenciária e coisa e tal.
Cr & Ag
Resolvi fazer uma enquete virtual já que estou meio modernoso. “Cunhado não é parente, é encosto”! Berrou com quatro pulmões um amigo fiador do cunhado que não pagou e largou a irmã dele. “Cunhado é como ranho em ponta de dedo, não desgruda e não adianta sacudir”! Contou-me do cunhado que come o seu churrasco e bebe a sua cerveja Polar, ainda traz os oito filhos e a sogra para o final de semana na Pinhal Beach. Comecei a ficar preocupado, só coisas ruins no repertório da pesquisa. Outro largou essa: “Cunhado tinha que pagar para dormir com a irmã da gente”! “Se cunhado fosse bom estava recomendado na Bíblia. Davi não tinha cunhado. Moisés também não. Cristo nem se fala”! Esse meio entendido de religião assim saltou num tiro de laço. Já estava até temendo inquirir sobre cunhado. As respostas vinham como chumbo de matar pato ou como rajada de metralhadora dos assaltantes de banco, aqueles amigos da turma dos direitos humanos e da Rosário.
Cr & Ag
“Pô cara, o cara te livrou da tua irmã, agueeenta teus sobrinhos, suportou uma sogra que mal falando é a minha mãe e que Deus a tenha, aguenta de sogro o velho Jorjão da CEEE, sempre de porre e protesto do sindicato na Capital, fica de teu fiador pra comprar essa viatura e ainda consegue dormir nessa zorra toda… O cara é bom demais meu”! Com esse depoimento encerrei o tema de cunhado. E vamos aproveitar esse verão antes que a Globo acabe com o Brasil.
2019 – 01 – 29 Janeiro – Cunhado – EDS OLIMPIO – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião de Viamão – http://www.edsonolimpio.com.br