Comer com os Olhos!
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pregoa-se que a refeição começa com os olhos visualizando, vislumbrando e idealizando o comer. Principalmente o comer bem! Os nossos sentidos são armas e aptidões desenvolvidos com a nossa evolução nesse grão de areia no universo, a Terra. O olfato seria o primeiro sentido desenvolvido. Depois seria a audição. Nesse mesmo caminho evolucionário o homem vem gradativamente desativando, diminuindo, subtraindo suas capacidades e seus sentidos que nos levaram de caça a caçadores. Voltemos ao esplendor de luzes e cores que os olhos nos permitem enriquecer a cena e a nossa vida. Observe, aprecie e sinta os lampejos no olhar de uma criança visualizando um doce ou algum alimento. Certa película de cinema, nos remete a uma criança andrajosa e faminta que caminhando perdida numa calçada de uma grande metrópole (Nova Iorque?) estanca numa parede de vidro de um belo restaurante e ali na mesa um casal é lautamente servido. Ao se depararem com aquela criança, levantam-se e buscam-na para à mesa causando estranheza aos demais cliente do estabelecimento. Os olhares são magníficos, como o ato e a mensagem.
Crônicas & Agudas
Assim, para muitos, os bufês são contraindicados pela enorme quantidade e variedade de opções saborosas. “Vou comer isso e aquilo, mas como não sou de ferro, vou experimentar A, B, C e… D”. Salivamos com o aroma, com o cheiro de algum ou de vários alimentos. Babamos, às vezes, quando estão ao nosso alcance, particularmente ao alcance da nossa boca. Logo imagens se colocam em nossa mente com as associações que aquele alimento ou aquela refeição nos traz. São célebres as experiências com os cães de Pavlov com o som, faltaram as avaliações visuais. Desconhecemos os meandros da mente canina, mas a mente humana habilita-se a infindável número de conexões vividas ou a viver. A nossa imaginação não tem nenhum limite além daquele que cada um de nós tenta estabelecer. Quantos teatralizam aquilo que a janela da alma, os olhos, vislumbram, desde o singelo mastigar e apreciar os sabores e a textura, à faca cortando a gordura da picanha e abrindo sua carne suculenta e pedrinhas de sal cintilantes, como minúsculas estrelas num manto rubro?
Cr & Ag
Especialmente as mulheres sentem-se atraídas como as mariposas numa lâmpada em noite de verão quando individualizam a mesa ou a parte do bufê de doces. Essas criaturas maravilhosas tornam-se mais, muito mais doces. E belas! Sintam a satisfação de uma mulher numa tarde qualquer, sentada à mesa, com uma generosa fatia de torta. As duas se olham longamente. Somente a mais bela suspira. Sinta a alegria, o poder e certamente a felicidade daquele momento doce. O olhar feminino é apto a destrinchar quase tudo de outra mulher em momentos de segundos. Talvez milésimos! A primeira garfada e os olhos se reviram como aleluia-aleluia e varrem o entorno de uma fêmea alfa. Poderosa. Talvez como o macho guerreiro sentia ao matar um leão. O depois, peso e sobrepeso, dieta, low carb e outras restrições ficarão para o depois.
Cr & Ag
Os olhos são máquinas vorazes. Algumas “mal traçadas linhas” acima cutuquei a mulher que devora a outra com os olhos. Evitemos os intestinos da psicologia aplicada e o excesso de metáforas e analogias, mas devorar e comer com os olhos vai bem além da simples e saborosa ingesta de alimentos. O arguto leitor de Crônicas & Agudas está afinando o carburador da sua mente com uma formidável série de lembranças e planos futuros onde comer com os olhos vai bem além de uma costela gorda com farinha, maionese e uma salada multicolorida. Assim, o amor platônico travará batalhas ou conviverá com o amor que nos ejetou das cavernas. Exceto para muitos, eles saíram das cavernas, mas as cavernas não saíram deles.
2019 – 02 – 05 Fevereiro – Comer com os Olhos – EDS OLIMPIO – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião