Energia Vital!
“Quando vamos viajar de novo, hem pai”?
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homem, o ser humano é uma criatura gregária, isto é, tende a viver e sobreviver em grupo ou em bando. Todos sabemos disso! É uma característica que nos impulsionou a dominar o planeta. A força do grupo. O poder da matilha. O time que joga junto vence, tem que ser coletivo e articulado, entendemos principalmente quando o nosso time do coração é um amontoado de boas vontades, talentos escassos e resultados sofríveis. As famílias antigas tinham um maior número de membros para aumentar a sua força de trabalho, riqueza e proteção contra as adversidades naturais e contra outros grupos humanos e animais. No entanto, isso não é uma regra geral ou imutável. Observe a colonização americana. O homem colocava sua família numa carroça, outros se ajuntavam em caravanas, e partiam rumo ao desconhecido e ameaçador, o Oeste. Um certo tempo, aquela família se separava do grupo e ia colonizar, cultivar e trabalhar isolada. Esse espírito vital está entranhado naquele povo, na sua origem, e aí está uma das razões da posse e uso de armas de fogo – a sua sobrevivência contra as adversidades. E as piores vêm de outros homens.
Crônicas & Agudas
Um jovem amigo eventualmente me conta suas viagens. Observo que ele e sua família praticamente sempre estão cercados de outras famílias, como pais, irmãos e amigos. Uma tribo, no melhor sentido. Numa terra hostil à vida, como é o Brasil socialista-dos-direitos-humanos, isso traz a aparente segurança do grupo. A segurança para o que der e vier. Onde estiverem! Em contrapartida, ele sabe das minhas viagens de moto no Brasil e no exterior, que depois de um tempo tribal, fiquei somente com a copiloto. Assim rodamos durante muitos anos por terras absolutamente desconhecidas em que somente um é a segurança do outro – e Deus acima de todos! Ele ouvia e, certamente, tentava digerir as imagens que seus olhos revelavam em brilho. Assim foram anos de encontros e não raras viagens. Esse amigo é surfista. O surfe é o domínio do homem sobre a prancha e a natureza lhe acossando e tentando tirar dela a melhor onda e o melhor surfe. Ele e a prancha. Ele, a prancha e o universo.
Cr & Ag
Certa feita, contou-me que faria as suas férias num país vizinho em região que várias histórias lhe contei. Preparava-se com a esposa e os dois filhos, um de seis e outro de um ano. Não revelava diretamente com palavras, mas uma angústia, uma incerteza varava sua alma. Estaria em terras estranhas e de língua diferente da sua e com a sua esposa e filhos. A viagem foi tudo de bom. Para todos. Todas as dificuldades foram vencidas e o aproveitamento foi ótimo. A família ficou imensamente gratificada com a nova experiência. Eis que outro dia, seu filho de 6 anos perguntou-lhe: “Pai, quando vamos viajar de novo”? A sementinha está ali no coração do filho amado. São vivências únicas que nos remetem ao mais sagrado, mais intenso e mais antigo sentimento do espírito humano. Ele é um pai, um esposo e um homem melhor. Assim como cada um deles nas suas possibilidades, como nas duas crianças.
Cr & Ag
A energia vital que gera uma nova vida vai de dentro para fora. Assim se rompe a casca. Se a energia for externa, única ou predominante aquela vida nascerá com limitações. Assim é toda a forma de vida na natureza. E assim é a família no seu núcleo mais duro e afetivo. Ali se gera a luz que alimenta e ilumina e que propagará para todos os outros membros da família. Até aos mais distantes ou extraviados. Os laços são mais intensos e duradouros. O ferro se torna o mais poderoso aço com a intensidade do fogo e os golpes na têmpera.
2019 – 04 – 2 Abril – Energia Vital – EDS OLIMPIO – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião – http://www.edsonolimpio.com.br