Pitanga! Entre o Céu e o Inferno. Edson Olimpio Oliveira. Crônicas & Agudas. Jornal Opinião de Viamão. 07 Maio 2019.

 

Pitanga!

Entre o Céu e o Inferno.

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ossegando as mentes aguçadas na sexualidade do Brasil de corpos belos e esculturais, alerto que não degustaremos o assunto Camila Pitanga, nem sua arte ou arte-e-manhas. A velha pitangueira com seus galhos de repouso, descanso e lanches para as aves que se deliciam em seus frutos de um vermelho tórrido, jamais ardente. A pitanga com seus pequenos gomos falsos, não adentram seu corpo, tem uma predileção natural em costear os alambrados e separar as propriedades ou as suas parcelas. Ali, junto às cercas, ela estende sua fila como uma família que se debruça e pende a galhada tranquila sem disputar o vento e o sol com outras espécies. A sua sensualidade é natural e fomenta os mais sutis pensamentos no gaúcho buscando no entrevero, entre saracoteios, uma bela prenda com os lábios de pitanga que baila rodopiando como um pião ao som de uma vaneira marcada com o taco da bota e o suspiro da moça.

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Há dias em que o coração do cronista está mais em entusiasmado que padre em velório de rico. E assim brotam pitangas da sua meninice e outras pitangas de uma vida de encantos. Jamais atropele a sua vida. Curta-a! Como que deixar uma grande pitanga dissolver-se lentamente em sua língua e sorver lentamente seu sabor e acariciar seus sonhos. A pitanga é essa fruta simples, singela, humilde que nos olha com simplicidade e escapa dos holofotes e da poesia de outros frutos mais volumosos. Como as suas pequenas flores que exalam um perfume quase imperceptível para nós, ainda humanos, mas que atrai e delicia as abelhas. Alimento! Prazer! Remédio! Talvez em outra sequência. Em outra ordem se come pela atração e assim vários alimentos são cativantes e tantas vezes são comidos, devorados com volúpia e abuso. O corpo sente o excesso e estrila com o excesso. A barriga corcoveia e o tripeiro se contorce e retorce como cobra mal matada. A criatura “de bucho cheio demais” arrepende-se. O fígado velho, inebriado pelo álcool, concorda.

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Tudo que entra tem que sair”! Principalmente quando o corpo se sente enfermo e anseia se livrar daquilo que mal lhe causa. Se é no campo, o gaudério arria a bombacha, encosta o lombo num palanque de alambrado e na sombra da pitangueira se alivia entre muitos gemidos e arghs com o suor gelado nas frontes. O citadino busca uma privada, qualquer patente serve, mesmo que na pressa nem se aperceba da ausência do papel para a derradeira carta. Os índios da pampa e a indiada portuguesa e castelhana descobriram no chá das folhas da pitangueira, principalmente de seus tenros brotos, um tratamento eficiente. E “na infecção intestinal, a pitangueira não faz mal e o chá quente salva muita gente”! A medicina campeira, na ausência do doutor letrado, fez estória, história e lenda.

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Um colega médico de renomada cidade gaúcha, que se ornamenta em letras musicais e terra de gaúcho macho, contou-me que seu ancestral, avô paterno, creio, trazia carretas de sabugos de milhos para abastecer as patentes da prefeitura local e facilitar a vida da gauchada ansiosa para se aliviar e poder pensar nas leis e nas lides da cidade. Nos dois extremos do funcionamento do corpo humano, se entupido ou com severa prisão de ventre com dias de barriga inchada ou se esvaindo numa torrente fétida que anseia por um tampão que segure a bronca, o cérebro humano troteia e não sai do lugar. A cabeça não consegue pensar em mais nada. Nem sexo! Muito menos. Coisas do cronista que vai garimpando o título e vai encordoando fragmentos da vida de todos nós. Há controvérsias! Essas moças, lindas e esplendorosas mulheres, que largam qualquer trapo em seus “corpitos” e com saltos de 15 cm flutuam no ar das passarelas… Essas desconhecem as atribulações dos intestinos e os maus humores do… Deixa para lá! E viva a pitanga!

2019 – 05 – 7 Maio – Pitanga Entre o Céu e o Inferno – EDS OLIMPIO – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

http://www.edsonolimpio.com.br

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