O “fogão” do Amor! Edson Olimpio Oliveira. Crônicas & Agudas. Jornal Opinião de Viamão. 28 Maio 2019.

 

O “fogão” do Amor!

– De onde vem essa imensa tristeza?

– Nossa relação esfriou! Minha vida esfriou.

O

 cronista, na ausência de um melhor título, traçou uma analogia simples com a vida comum de todos nós. Alguns mais e outros menos. A nossa humanidade trabalha com o afeto, com a afetividade de forma muito intensa e até radical. No embate entre a razão desses seres racionais que nos intitulamos e o amor que pulsa em nosso peito durante toda a existência, saímos feridos, magoados, doloridos e até mutilados. Geralmente a emoção é a vencedora do conflito e assim acordam uma infinidade de sentimentos que transitam pela tristeza à depressão que se aloja e se arrasta pelo tempo. Outra analogia que se usa é de que o cristal partido. Isso também não é verdade, ao contrário, podemos e devemos sair mais fortes, aptos e melhores das mais intensas, dolorosas e sofridas batalhas da vida. A vitimização exuberante é um prodígio de expandir o sofrimento e despejar a culpa de dois ou mais em um, principalmente.

Crônicas & Agudas

Nesses tempos de relacionamentos transitórios e virtuais ainda sobra um imenso espaço e na separação cava-se uma cova, onde se corre o risco de não sair. Se a dor ensina a gemer, são os invernos da existência nas geadas dos casais que a chama dessa fornalha viva ou, aproveitando a vida gaúcha, que o coração deve manter acesa e persistente nas alegrias e nas adversidades. Quantas vezes o fogo é atiçado e muita lenha é colocada, labaredas se expandem numa paixão até descontrolável. Outro ensinamento da alma do povo nos ensina que tudo que sobe muito rápido, assim também será a sua queda. Ainda, “devagar e sempre”. Outro, “devagar se vai ao longe”… E bem! Mais outro da pampa gaudéria, “no trotezito, cavalo e cavaleiro vão muito longe, mas na cancha reta é tudo num tiro”. Nos tempos de antanho, certamente até ausentes atualmente nas casas do campo, um fogão, nas mais variadas versões, era mantido aceso. Inverno e verão. Noites e dias. Tanto para tomar um chimarrão, como para cozinhar e nunca comer uma comida fria. E no clima adverso, com a geada congelando as pessoas e os animais, com o minuano açoitando como discurso de político descoberto na falcatrua, o calor do fogão aquece o lar físico e afetivo.

Cr & Ag

“E os pelegos”? O braço que aconchega, a palavra que acaricia a alma e o olhar de bem-querer aquecem tanto ou mais. “Eu tenho fé, seu doutor, de que as coisas vão se ajeitar e ele muda um pouco e eu mudo também. Se eu estou sofrendo, ele também deve estar. E não vou esperar que ele venha, eu vou na direção dele e tenho fé de que vamos nos encontrar na metade do caminho”! Veja que a “” é razão e instrumento de pacificação e de harmonização. Toda a perversidade da “depressão”, essa máquina de moer as pessoas e suas vidas, também pode ser (e deve) atacada e enfrentada com fé raciocinada. Com a fé nascida do entendimento e amparada, estimulada pela percepção real de um Pai celestial de amor pleno que ilumina nossos caminhos e nos acompanha, se assim for nossa vontade e merecimento.

Sentimentos necessitam ser expressos e cultivados. Há quem não diz que ama, “pois ele/ela sabe”. Quer colher sem plantar? Aquilo que parece supérfluo ou até transitório para uns, serve como sustento e calor nos corações de outros. A balança da sua vida lhe pertence. O trabalho é mais importante que a vida do casal ou a família, por exemplo? Ou a sua percepção e inteligência lhe manda e permite equilibrar, balancear corretamente e manter-se no Amor?

2019 – 05 – 28 Maio – O fogão do Amor – Eds Olimpio – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião de Viamão

http://www.edsonolimpio.com.br

 

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