E o Cascão fardou! E goleou.
*1ª Parte
Esse médico, cirurgião e escritor, que vocês acompanham nesse espaço do Jornal Opinião de Viamão e através de seus livros, coletâneas e espaços na internet, venceu mais um Concurso Literário. Com o Primeiro Lugar na categoria Crônicas e com o título acima será laureado em evento nas dependências do Sport Club Internacional dia 28 de junho. É a terceira vez que esse cronista participa e vence. Seria um tricampeonato? O patrocínio desse XII Concurso é da Casa do Poeta Latino-Americano e da FECI, Fundação de Educação e Cultura do SC Internacional. Apresentaremos a crônica nas próximas colunas.
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m futebolista do passado, de nome Sarno, escreveu um livro chamado de “Futebol, a Dança do Diabo”. Conta a sua história dentro das quatro linhas do gramado, a sua vida de vestiário, concentrações e as mirabolantes passagens de vários atletas e muitos craques do futebol do passado. Aqui em Viamão City, a Primeira Capital de Todos os Gaúchos, apreciamos ao extremo oposto ao título do Sarno. Temos: Futebol, o Bailado dos Anjos. E foi nos idos finais da década de 1950, após o Brasil calçar o seu primeiro título mundial nos gramados lamacentos da Suécia que isso aconteceu. E aviso, não saberemos separar a lenda da história, nem o homem do mito.
Contam que seu pai o trouxe na garupa do cavalo vindo trabalhar na enorme fazenda do doutor Breno Caldas, dono do Correio do Povo e da Rádio Guaíba de Porto Alegre. O garoto comprido como esperança de pobre destacava-se pelo porte e altura em razão dos outros jovens da fazenda. Cresceu no trabalho com o gado e aprendeu com o pai a lida da monta e da doma dos mais bravios cavalos da fazenda. Não era muito afeiçoado com as letras e nem com os cadernos e a professora da escolinha tentou, mas não conseguiu encaminhá-lo pela trilha do estudo. Seus livros eram o campo aberto, a natureza, as pescarias nos alagados do Rio Gravataí e o amor aos cavalos. O tempo para o homem campeiro tem a velocidade do vento Minuano nas quebradas dos capões de mato. E logo o garoto mudou de voz, um bigode ralo e uma barbicha decoravam a sua face queimada, tostada do sol e do vento. Cabelos lisos, pele ocre e olhos de uma tonalidade verdosa contrastavam e teciam indagações aos curiosos. Contam que seu pai, certa feita, disse que sua mãe tinha sangue de índia castelhana e havia morrido do parto e por desavenças com a família, tomou do filho e se bandeou para os campos do Viamão. Tudo por achar o nome do lugar muito estranho. A doma era feita da vitória do homem sobre o cavalo. Mesmo costelas partidas e pernas quebradas. Descadeirados escoravam-se no balcão da bodega na Estância Grande. Relho e esporas rasgando a carne do bagual. Os dois sangravam – o animal e o homem. Sempre havia um vencedor e um perdedor. Seu pai era Gomez e ao jovem chamavam de Gomecito. Tinha uma técnica ímpar de doma na região. Levava o cavalo para dentro do banhado e lá os dois se estranhavam um tempo, mas com os aguapés se enrolando nas pernas e nos cascos, de alguma forma se entendiam e assim montado a pelo corriam pela várzea. Contam que alguns cavalos da fazenda iam para carreiras famosas, como as de Carazinho, terra do doutor Leonel de Moura Brizola, domados e adestrados por Gomecito e seu pai.
Todo o homem tem uma “fraqueza” ou uma especial afeição para o trabalho e o lazer. Gomecito eram a bola e os cavalos. As habilidades no futebol de várzea que eram naturais nele e outros tentavam em intermináveis treinos e não conseguiam. Alunos da famosa E.T.A., Escola Técnica de Agricultura, que visitavam com professores a fazenda e ali se aperfeiçoavam nas futuras profissões, descobriram-no. A ETA tinha um campo de futebol e ali vários talentos surgiram. Muitos engrossaram o esquadrão do glorioso Tamoio Futebol Clube, do Centro histórico de Viamão. * Continua na próxima coluna!
2019 – 06 – 25 Junho – E o Cascão fardou. E goleou – Eds Olimpio – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião de Viamão