Memória! Edson Olimpio Oliveira. Crônicas & Agudas. Jornal Opinião de Viamão. 23 Agosto 2019.

 

Memória!

O

ntem, 20 de julho, Dia do Amigo, você enviou e encantou-se recebendo mensagens. Outro lugar, o Pedrão Negeliskii delicia seus amigos com suas magníficas histórias de viagens por todos os horizontes do planeta. Na crônica passada puxei o “Fio da Meada” e viajamos por uma Viamão inesquecível. Qual o ponto em comum dessas três situações? Acertou! A memória é que nos permite trabalhar, vivenciar, reviver tantos sentimentos, emoções e situações da vida. Na minha juventude, sendo moldado na esteira da Medicina, como plantonista do Hospital de Pronto Socorro, acordei para o sombrio e gigantesco problema da perda de memória, tanto passageira como permanente (?). A Brigada Militar recolhia pessoas sem qualquer documento, vagantes nas ruas, alguns com traumatismos de causas diversas e outros por alguma enfermidade e trazia-os ao plantão do HPS. Uma moça suicida com barbitúricos e um coma complicado com grave pneumonia de aspiração de seus vômitos, acordou com “um branco”, “um vazio” e dizia ter esquecido de partes de sua vida. Um homem em estado de mal epiléptico, assaltado e espancado, acorda com a “mente vazia”. O caro mestre Dr. Nilo Lopes, neurocirurgião, ensinava ao jovem Edson com paciência e didática.

Crônicas & Agudas

Na Santa Casa, o Professor Dr. Mário Cademartori, neurocirurgião, parente do Dr. Schennini, advogado de Viamão, acolhia a curiosidade e a transformava em luz para aquele jovem. Há uns trinta anos conheci o Prof. Dr. Antonio Veiga, psicólogo, também de família viamonense (Veiga) que garimpa os vales e cavernas de mente e do espírito aflorando veios de memórias, belos e dolorosos, na busca da saúde e do equilíbrio privilegiando o amor “crístico”. A soturna caduquice dos tempos de antanho se materializou num fantasma, num monstro chamado de Alzheimer. Para muitos, um pavor no horizonte. O “fio da meada”, intangível ao toque das mãos brutas, conecta, liga, nasce e renasce a cada instante como a fantástica capacidade humana da memória. Ela, a memória, nos torna humanos e empurra-nos para fora do brete, do curral da animalidade ancestral. Permite-nos viver como seres que se eternizam em seus sentimentos e em suas memórias.

Cr & Ag

A portentosa evolução das ciências e da Medicina ainda navega num oceano de incertezas. Cerca de 80 ou 90 % do nosso cérebro ainda é uma fortaleza inexpugnável ao nosso conhecimento cartesiano e muito tange e se desdobra somente pela fé e pela espiritualidade. Os mais poderosos computadores criados pela genialidade humana são sombras diante do potencial divino dessa engrenagem que assimila corpo-mente-alma num cavalgar, num tropel que tenta desvendar e dominar a memória. Criamos artifícios, técnicas, estratégias mnemônicas, sentimentos para cativá-la e torná-la dócil e acessível, mas essa dama, essa senhora (talvez imortal!), essa rainha ou imperatriz ainda nos desafia e, por vezes, se divorcia do nosso corpo. Deixando-nos como cascas ocas e… Perdidos!

Cr & Ag

No entanto, sabemos que ela, a memória, é sensível e pode ser mortalmente ferida por nossos hábitos e práticas abusivas e despropositadas – fumo, álcool, drogas, poluição, etc. De pouco vale para você a memória coletiva de uma sociedade, de uma comunidade, se você está ausente de si mesmo, do que fez, de quem foi, de quem amou e por quem foi amado, de sua família, dos seus amigos, do seu trabalho e o seu tempo parece esgotado. E você anda como uma sombra da criatura que foi, ainda cativo, a essa existência pela falta do desapego de quem lhe ama. E amará sempre!

2019 – 07 – 23 Julho – Memória – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião de Viamão

http://www.edsonolimpio.com.br

Irmãos CR 30Irmãos CR 31

Deixe um comentário