“Reveião na Praia” – Parte 2
Especiais de Verão. Série: Rir ainda não paga imposto!
“Descobri que o salsichão se divide como na multiplicação dos pães. Chegaram os quatro, assim meio de quatro. Nada do Zarolho, que se apartou deles e disse que ia fazer uma consulta no postinho do SUS. Disse que tinha destroncado ou quebrado o dedão do pé. Interessante é que nem mancava. Mas… A sogra maldita de chefa na cozinha botou ordem que nem o Bolsonaro. Cada uma com sua tarefa. E de cara apareceu duas bacias de maionese com pepino, passas de uva, salsinha, muito tomate gaúcho e bem mais. Uma belezura. Não cabeu tudo na geladeira, botaram em sacos plásticos no isopor da cerveja”. Aviso aos intrépidos leitores dessa coluna campeira que o Zecão é muito detalhista, mas fala a verdade. “A Lurdinha, que já tá no quinto marido, foi se arrumar no quarto com o dito cujo. O cara é meio anão das pernas. Coisa estranha – é curto pra baixo e grande pra cima. Já trabalhou de leão de chácara no Bailão do Waldeci. Fez meio baile, mas até trabalhou. E se a nega véia não bate na porta e a sogra maldita não berra, a Lurdinha e o meio anão passavam o reveião trocando as mudas de roupa. E vamo em frente Edinho”!
Crônicas & Agudas
“Alguém botou umas gotas de Rivotril na água da Lurdinha que apagou o pito na rede. Um sucesso. E ficamos ali tirando lascas de carne e multiplicando o salsichão no pão. A fome apertou. Sabe que o trago pode dar uma gastura, assim um vazio por dentro como corno em cadeia. Esqueci de te contar dos foguetes. O Sérginho Balaca é chegado num fogo. Já trabalhou de bequebloque do PT. Heim? Então tá, política não. O Balaca soltando fogos por cima e já encarreirava por baixo. Disse que é achacado de uma tal de farinha de gluti e alergia do leite. Se escutava o griteiro e o foguetório lá pras bandas da concha acústica da Cidreira. O magrão disse que tinha mais povo do que gente indo pra lá. Falou que ia se apresentar o Pedro Ernesto, aquele gremista do futebol, mas que não canta um ovo. Sabe que eu fico meio sentimental nessas datas. Chinchei a nega véia e me abracei bacuris. Até faltou braço, mas o coração se encheu de felicidade. Fui meio bagaça, mas a nega me botou nos trilhos e hoje sou mais caseiro que petiço de sítio. A sogra até que não é ruim demais, é descalibrada dos bofes e destrambelhada das idéias. Passou muito trabalho com o finado, que Deus o tenha e não volte. Bebia uma barbaridade e sovava a mulher dia sim e outro também. Duma feita, tu vais lembrar que estava de plantão, sovou a mulher e os filhos e descadeirou um brigadiano que foi intervir. Chamaram a tropa. Tirou o cassetete de um e lasqueou muita guampa até ser algemado. Índio medonho de violento. Lembra que morreu numa cilada de cancha reta ali em Alvorada? Tomou tiro que tudo que foi jeito e maneira”.
Cr & Ag
“Só mais um tempo Edinho. Pra encurtar o causo. O Zarolho chegou com a melena cheia de areia e com o fecho da bermuda estragado. Deu-se o crime com a guria da Lurdinha. E pintou um arranca rabo de bobeira. Acabaram com a cerveja. Secaram os garrafão de vinho. A cachaça foi toda. Comida nem pra remédio. Foi tudo. E veio o foguetório no céu e na terra. A maionese fermentou no calorão e desandou direto. Um horror. A patente já tava entupida até o gargalo. A fossa transbordou no fim da tarde. E o barro desceu morro abaixo, numa roncalhada de tripa e num tiroteio que dava dó. Boneco encostado nas viaturas chamando o hugo e saltando pedaço de melancia com salsichão. Credo! Faltou papel. Usaram a areia mesmo. Nos salvamos porque a nega fez uma promessa de jejum. Tudo pro SUS. O Zarolho pegou a Kombi e sumiu. Bom, outro dia te conto da domingueira no Quintão. Agora vai que tem cliente te esperando. E abraço na doutora!”
Aviso que trocamos os nomes das criaturas e que qualquer semelhança com fatos passados e futuros não será mera coincidência. É isso aí Zecão!
2020 – 01 – 21 Janeiro – Reveião na Praia 2– Eds Olimpio – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião de Viamão