O Paradoxo do Confinamento e as Pestes!
Paradoxo significa contradição. Vou demonstrar a contradição na história do “confinamento”. Em 1430 AC, na Grécia, Atenas era a mais próspera cidade-estado. Tanto na economia como nas artes e ciências, ali nasceu a democracia. Palácios subiam as colinas. Blocos de pedra viravam estátuas e obras belíssimas. Mercadores de todo o mundo vinham negociar. Seu porto recebia todos os povos. Esparta e outras cidades se reuniram contra a supremacia de Atenas e foi declarada a Guerra do Peloponeso. Esparta cercou Atenas com seus poderosos exércitos, mas suas muralhas resistiam. Quando uma doença evoluiu rapidamente com fortíssimas dores pelo corpo, diarreias e vômitos, febre alta, sangramentos, lesões de pele e a morte. Piras funerárias se ergueram por toda a cidade e os corpos eram cremados. Nuvens de fumaça traziam o odor da morte escurecendo o céu. Esparta desistiu invadir Atenas. Ao contrário, bloqueou seus habitantes, bloqueando aquilo que a história chama de a Peste de Atenas. Milhares morreram e os sobreviventes contaram o drama. Durante uns 2.000 anos se especulou a doença. Muitas eram as hipóteses. Após 1990, descobriram-se corpos num cemitério na região. Os cientistas dataram as mortes como da época de Peste de Atenas. E nas polpas dentárias dessas ossadas que encontraram o genoma da salmonela.
Crônicas & Agudas
Ao contrário que muitos pensam, confinamento era para a saúde de quem ficava fora. No Rio Grande gaúcho se confina o gado para proteger ou para matar e comer? Quando o homem primitivo deixou de ser nômade domesticou os animais, a agricultura, confinou-se para a produção de comida. Confinamento é cativeiro. Josef Mengele, o Anjo da Morte, o médico nazista, e suas terríveis experiências nos campos de concentração – confinamento. Stalin, Lenin e o comunismo com os Gulags – confinamento. O chinês Mao Tsé Tung e seus campos de extermínio, dezenas de milhões de pessoas – confinamento. Confinar é isolar. Criminosos são confinados para proteger a sociedade de sua perversidade. Já referi em outra crônica a Bíblia e o “vale das sombras”.
Cr & Ag
Cortez com os astecas e Pizarro com os incas – disseminaram doenças como varíola e sarampo. Assim nasceu a América espanhola. É história. Confinar é também dominar. A população cubana e da Coreia do Norte é confinada, sem liberdade de ir e vir. Juízes do STF validaram o regime feudal no Brasil ao autorizar e liberar prefeitos e governadores de fazerem o que bem entender à revelia dos direitos individuais e coletivos dos cidadãos brasileiros. Um cidadão caminhando ou pescando numa beira mar deserta é conduzido preso. Mulheres são espancadas em praça pública por “desacatarem o isolamento social” – onde estão as artistas, ONGs e defensoras de mulheres? Na metade do século 19, o médico Semmelweis pregou a singela lavagem de mãos antes de tratar enfermos – demonizado e internado em manicômio. Centenas de anos se acreditou que as doenças provinham dos miasmas ou emanações dos pântanos e lugares pútridos e acreditavam que as moscas, com seu bater de asas e voo errático, dispersariam as doenças. Era nota dez para as moscas! Sabia disso?
Cr & Ag
A China, de mais uma Peste, novamente confinou o planeta. Cerca de 1 milhão de crianças morrem de sarampo anualmente. A famosa OMS faz vacinação em massa para eliminar o sarampo? Assim se eliminou a varíola. O sarampo mata, principalmente, crianças miseráveis, famintas, pobres, abandonadas ou confinadas em campos de refugiados. Alguém acredita que um país em que 70% da sua população depende do trabalho diário, nas periferias vivem sem água e esgotos, pessoas em sub-habitações, incontáveis pessoas em dois ou três cômodos poderia fazer isolamento social geral radical, confinamento amplo? O confinamento se inverte, aí está o paradoxo – os abonados, aqueles com mais recursos, no topo da pirâmide ficarão encastelados e continuarão sendo servidos por aqueles que sempre serviram. Há hipocrisia?
Cr & Ag
A proteção dos idosos e demais será também uma estratégia de poder além das reais necessidades? Aqueles que advogaram ferozmente contra os medicamentos disponíveis e seu uso “somente nos casos mais graves” estão corretos? Ou estão corretos os médicos que usam o arsenal terapêutico precocemente nos pacientes como usariam em si e nos seus? Ou “sábios” doutores que usam em si os remédios que “faltam estudos”? Liberar que os feudos e seus senhores feudais (governadores e prefeitos) espoliem ainda mais as pessoas na tradicional falcatrua nacional? Observar e entender. Quem sempre desconsiderou os hospitais, médicos e enfermos além do discurso cínico das campanhas eleitorais agora se intitula humanista? A peste chinesa e a podridão de tantos políticos, homens públicos e defensores da lei são até controláveis. Exterminar essa peste? Essa peste corrupta, ao contrário dos vírus e bactérias que nunca exterminaram todos os hospedeiros, ainda podem acabar com o Brasil! Infelizmente. E tiveram o voto (ainda o apoio) de muita gente boa para possuírem o poder que ostentam.
2020 – 04 – 21 Abril – O Paradoxo do Confinamento e as Pestes – Eds Olimpio – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião
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