História da Odontologia
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Crônicas. Contos. Literatura. Jornalismo. Imagens e datas significativas.
27 maio 2020 1 comentário
“Em meio a agonia darás à luz filhos” – Genesis.
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e não bastassem as mulheres morrerem nos partos e pelas fatídicas febres puerperais, deveriam sentir as dores do parto. Muitos filhos – “crescei e multiplicai-vos”. Enquanto aqui no garrão do Brasil, as armas ensarilhadas da Guerra dos Farrapos jogavam à morte irmão contra irmão, nos Estados Unidos a anestesia engatinhava. Protóxido de azoto, depois o éter e finalmente o clorofórmio. Médicos e cirurgiões se digladiavam. Os cirurgiões-barbeiros e dentistas rapidamente entraram na onda de menos dor e analgesia. Piquetes de fortes e parrudos auxiliares dos “cirurgiões” se postavam – perderiam seus empregos de segurar a vítima, digo, o paciente enquanto era operado. Eventualmente alguém se explodia com a associação éter e lamparinas ou velas. Em Edimburgo, Escócia, um obstetra testou clorofórmio em si mesmo e em seus dois auxiliares. O doutor Simpson e seus dois fortes assessores apagaram, dormiram simultaneamente enquanto a esposa e familiares se angustiavam. Uns desmaiavam, outros oravam pelas almas e imaginavam o enterro. Simpson acordou eufórico e iniciou a usar nas suas pacientes. O século 18 se arrastava em guerras e dominações. A Rainha Vitória, a mulher mais poderosa que já existiu, dominava o “império britânico, onde o sol nunca se põe”. Grávida do sétimo rebento, soube das façanhas do súdito doutor Simpson. E determinou ao Médico Real que queria parto sem dor – “I want parto no pain”, tipo tradução da Dilma.
Crônicas & Agudas
A Rainha Vitória partejou um príncipe sem dor. “Sem dor” – gritavam e dançavam suas súditas eufóricas. As mulheres anglicanas (a Rainha era a Chefe da Igreja britânica) exigiram o mesmo tratamento – “No Pain”. A Igreja Católica deve ter excomungado muita gente. Legiões de médicos e de mulheres diziam “que não era a mesma coisa e que os filhos não seriam tão filhos quanto os nascidos na dor”. Milênios de dor sem opção. Segundo o Professor Doutor Jean-Nöel Fabiane, autor de diversos livros e médico de renome mundial, “apenas em 1952 que o parto sem dor começou a ser praticado na Maternidade des Bluets em Paris, com incentivo do Dr. Lamaze…” (livro: A fabulosa história do hospital da Idade Média aos dias de hoje)
Cr & Ag
Conto-lhe essa façanha histórica para ilustrar como a Medicina pode ser lenta e obtusa e dependente de conceitos, interpretações e disputa de poder. O médico Simpson escapou da fogueira, mas não de colegas. Creditou a Deus a primeira anestesia lá no Éden, quando “ fez dormir (anestesiou) Adão para tirar uma costela e, assim, veio a Eva”. Que maravilha! Um saudoso professor acusava que “muitos nem estudam e quando estudam fazem nas páginas e nos livros errados”. Observem esse conflito quase insano da “cloroquina”. Associa-se com política e ideologia. No entanto, em grupos de médicos, há muitos que não respeitam a discordância. Creio mostrarem conhecimento – uns; evitar descaminhos de colegas – outros; unificação de desgarrados – alguns; enfim sei-lá-que-mais. A repetição, mesmo com boas intenções, soa abusiva e desnecessária. Há quem anseie pela peste chinesa para si ou para familiar e testar, então, sua impoluta certeza?
Cr & Ag
A medicina chinesa com a Acupuntura tem mais de 3 mil anos. A medicina indiana com o Ayurveda tem mais de 2.500 anos. Os conflitos da medicina ocidental são anteriores a Hipócrates. E continuarão! Durante mais de 1.500 anos, Galeno (médico romano do primeiro século) formatou a medicina aceita pela Igreja e referendada medicina oficial. Cirurgião nem médico era. Até pouco tempo as faculdades eram de “Medicina e Cirurgia”. Quando Vesalius afirmou que dentro das artérias corria sangue e não ar foi um escândalo, isso lá por 1500. A Homeopatia de Hahnemann é jovem ainda, 1796? Dermatologistas, reumatologistas, outras especialidades, usam cloroquina para diversas enfermidades há décadas. Seriam assassinos, seriais killers, sádicos ou endemoniados usando uma droga de potencial fatal como bala de tresoitão na têmpora a quase 80 anos?
Na Medicina, como médicos homeopatas, acupunturistas, ayurvedas, a espiritualidade médica, entre a imensa maioria, são profissionais e pessoas idôneas, éticas, de saber médico e vida ilibada e respeitável. Amados por seus pacientes. Respeitados por seus colegas. Entretanto, para outros médicos titulados, graduados e medalhados, são olhados como profissionais marginais. Triste! Verdadeiro. A história da medicina está mostrando e repetindo que muitos recusam evoluir. (N.A.: o cronista não entra no mérito de eficácia terapêutica e indicação pessoal de cada profissional)
2020 – 05 – 26 Maio – Em meio a agonia darás à luz a filhos – Eds Olimpio – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião de Viamão
24 maio 2020 Deixe um comentário
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