Pai-demia! Edson Olimpio Oliveira. Crônicas & Agudas. Jornal Opinião de Viamão. 11 Agosto 2020.

 

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Pai-demia!

[…Meu pensamento vagueia / Perdido no infinito / Relembra o dono dos trastes / Que fora seu manuscrito / Quando montava um cavalo / Era sempre favorito / Quer no rodeio ou na doma / Seu trabalho era bonito /Na tropeada era um doutor / Nas domas um domador / Na cordeona um trovador / E na laçada um perito …] Poema garimpado na música Meu Velho Pai do eterno Teixeirinha.

Tarde de domingo. Um nove de agosto de um ano incomum. Outra data festiva – Dia dos Pais. Os filhos e os netos fizeram seu ritual de amor declarado ao velho pai. Recebi-os com alegria, mas uma ponta de constrangimento me agulhava. Uma ferroada ecoava dentro de mim. Você sabe de que se trata. Você me acompanha e antecipa minhas palavras. Sente minhas frases. Aspira a energia de meus sentimentos. Sei que sim! Estamos juntos numa mesma época, numa mesma estrada, numa mesma jornada dessa vida, pelo menos. Numa crônica, nesse espaço, relatei a minha experiência pessoal do contraste entre a dor da perda de uma mãe e ao lado a suprema alegria do nascimento de um filho e de um neto. O aparente ou real antagonismo é a realidade que não nos acostumamos plenamente. Talvez a nossa espiritualidade cobre, angustie-se ou culpe-se na dualidade felicidade-sofrimento.

Crônicas & Agudas

[Dia de todos os Pais! / Todos os dias é Dia do meu Pai! / Dia dos Pais! / Dia do meu Pai! / Qual seria melhor? / Pais que já partiram. / Pais distantes. / Pais que não podemos abraçar. / Pais que não abraçaremos mais. / Insubstituíveis! / Saudades? Gratidão? / Quais sentimentos lhe tocam mais intensamente? / Uma chamada de telefone? / Uma imagem no Whats? / A lágrima que brota numa vertente de Amor! / Uma prece! / Elevar o coração à Luz e uma prece. / Abrir-se com a Luz Divina do Pai Eterno e uma prece que brotará da Alma. / Uma prece a todos os pais que seu coração lembrar. / Minha prece e meus votos a você Pai que me dignifica por estarmos na mesma jornada de Vida. / Saúde. Harmonia. Sabedoria. / Uma Vida Longa no Amor das pessoas queridas.] Texto que redigi e enviei aos meus amigos e amigas nesse dia.

Cr & Ag

Alegrias, mesmo nos abraços virtuais. O encantamento com os amores de nossa vida.  Somos solidários com a alegria. Muito mais com a dor de amigos e até desconhecidos que não puderam acompanhar com carinho e atenção pessoal a doença e a passagem de seus pais isolados num hospital. Com o carinho, o respeito e o amor de muitos profissionais de saúde, mas a ausência física das pessoas amadas. Funerais bizarros pelas normas impostas. O pranto distante de quem perde e o soluço da despedida sem o derradeiro toque. Nossa humanidade necessita, precisa e anseia do toque das pessoas amadas. Quantas vezes um singelo toque de mãos ou um abraço revela e fala aquilo que os lábios são incapazes naquele momento. O cronista modifica o termo pandemia para essa situação anômala, angustiante e sem limites, em respeito aos pais que partiram e muitos que ainda que vão partir.

Crônicas & Agudas

Perdoem-me os que necessitam e desejam que o médico e escritor faça uma ode à graça e luz da paternidade nesse dia especial, afugentando as sombras da peste. A alegria e a felicidade do médico não está esculpida na sua arte e técnica, mas sim na cura ou no melhor resultado de seu paciente e na sua família. Que consigamos evoluir como pessoas e como humanidade para que nada disso seja somente “parte da vida”. Meu respeito, gratidão e sentimentos de Saúde e Harmonia para todos! Aproveitem os dias!

P.S. Iniciamos com um poema do saudoso Teixeirinha que sempre externou emoções pela família. E, na aparente valentia do gaúcho, se revela um coração amoroso, respeitador e grato pelas suas origens.

 

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