Patinete, Sorte e Deus!
Hoje, domingo, manhã de 25 de outubro e Dia do Cirurgião-Dentista, recebi da secretária eletrônica do “seu” Google um vídeo de dois ciclistas como bailando uma valsa (ou seria uma vanera de passo marcado?) no Salar de Uyuni, na Bolívia, o maior deserto de sal do planeta. Uma planície de 11 mil km2, maior que países. No filme estava coberto por um manto de água. É o sonho do apaixonado de duas rodas e de aventureiros – rodar e estar no Uyuni. Repassei ao colega médico anestesista em Passo Fundo, Dr. Lorenzini, apaixonado pela magrela, sua bicicleta.
Fui motociclista por 30 anos. Além da rígida rotina de cuidados com a Morgana (nomes das motos), o respeito e a responsabilidade de pilotar e ter na garupa a esposa e mãe dos filhos. Conheci exímios motociclistas, habilidades que eu nunca teria, mas a maioria sem a disciplina e o foco na pilotagem responsável. Vários se acidentaram e alguns gravemente. “Deu azar”! Ouvia. Entretanto, sabíamos que além de excessos e abusos, estavam expostos em duas rodas.
Um veterano motociclista (Tio Léo), logo depois de eu adquirir uma Kawasaki Nomad de 1500cc, gigante estradeira, encostou em mim durante um encontro motociclístico e me disse: “Guri, lembra sempre que tem duas rodas e não é só equilíbrio tanto devagar como a 130 km/h”. Tocando com o indicador da sua mão na minha cabeça em pancadinhas.
Crônicas & Agudas
Construí patinetes na minha infância. Apostei corridas na lomba do Mendanha e da Paciência. Após, a bicicleta e as motos. “O que tem isso a ver com a vida”? Tudo a ver. Em qualquer trabalho, em qualquer atividade tudo inicia e termina com disciplina e respeito. Há trecho bíblico que alerta de não “servir dois senhores ao mesmo tempo” (Mateus 6:24-33).
Escrever essa crônica com TV ligada, gente próxima dispersando, o celular ou vendo todas as mensagens e outros eteceteras? O resultado natural nem sempre me satisfaz. Estando dispersivo, piora tudo. Um exemplo extremo – o cirurgião, o anestesista e a equipe no momento crítico da cirurgia. Foco é o termo que se usa, revela disciplina e responsabilidade.
Cr & Ag
“Eu não tenho sorte na vida” (ou trabalho, amor, etc). “Meu patrão não entende que tenho que atender o celular”. Outro: “Ele reclama que não me concentro na hora do sexo, mas são muitos os problemas da família”. É o motorista que conversa tirando os olhos e a atenção da estrada (acompanhantes, som, cabeça em outro mundo, etc). É o professor que faz doutrinação ideológica e não ensina matemática, português e ciências, por exemplo. “Ah, mas aqui o foco é outro”. Sim, pior ainda.
Do mais simples computador aos mais poderosos do planeta (primeiro o Jaguar americano, segundo é o chinês Nebulae) executam uma tarefa de cada vez. Um cálculo de cada vez – sempre! Sua rapidez está na velocidade incrível para a tarefa. Seria algo como perguntar a soma simplória de dois mais dois para um grupo de pessoas e medir a velocidade de cada resposta. Há quem vai dar a resposta em tempo quase zero. Outro vai calcular com os dedos ou procurar a calculadora. Pior, alguém fará perguntas obtusas sem efetuar a resposta necessária.
Crônicas & Agudas
“Deus não me ajuda”! E a criatura se ajuda? Assim é a transferência de responsabilidade. Do político ao juiz do supremo. Do estudante ao chefe de família. Andar de patinete, bicicleta e moto, veículos de duas rodas, há que priorizar o equilíbrio.
A vida é equilíbrio, principalmente na adversidade. Ser responsável e assumir seus atos e desatinos. Ter consciência de que Deus não vai aparecer ou mandar seus anjos para executar aquilo que você negligencia ou faz errado.
O defeito nem sempre aparece de imediato, como numa queda de duas rodas. Será plantado e sua “lavoura” terás as piores colheitas.
Assim é a vida de todos nós. Todos nós? Sim até daqueles que persistem enquanto a bolha não estourar. Como isso lhe toca?
2020 – 10 – 27 Outubro – Patinete Sorte Deus – Eds Olímpio – Crônicas & Agudas
Jornal Opinião de Viamão
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