O Natal da Pandemia! Eds Olimpio. Crônicas & Agudas. Jornal Opinião de Viamão. 08 Dezembro 2020.

 


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Natal da Pandemia!

 

O

 cronista observa a chuva fina e fria à vidraça na tarde de domingo. Tenta arregimentar seus pensamentos, arrebanhar suas ideias e traçar mentalmente a coluna Crônicas & Agudas. Sigo! O domingo se arrasta como meu Colorado. Saltam as imagens dos Golden Boys nas tardes de reuniões dançantes em alguma garagem e nas salas de alguma mãe ansiosa pela filha e os guris cheios de amor.

 

Vem a música Pensando nela. [Tarde fria chuva fina e ela a me esperar | Condução pra ir embora, mas sem encontrar | Um problema de aparente e fácil solução | Eu lhe ofereci ajuda e dei meu coração].

 

Ainda pela manhã, conversava com meu meio-irmão e falávamos que atualmente nos emocionamos mais, sentimos mais, choramos mais e nos apaixonamos sempre mais.

A roda de chimarrão ou de mate é uma ancestral terapia de grupo. O mate amargo de mão em mão, as lides da alma vindo a furo, os sentimentos de alegria ou de amargura são cevados com a erva.

 

Crônicas & Agudas

 

Matear com a pessoa amada também é uma experiência única e renovável. Um ritual que vem desde a escolha da erva-mate, da cuia, da bomba, dos adereços, da temperatura da água, do domar e tirar o amargor do primeiro mate. Servir a cuia para a amada e sentir o toque suave de seus dedos. O sorriso que se espraia e os olhos que se incendeiam. O coração é pealado em cada bombeada.

A crônica traz esse ritual, que não parece, mas no fundo é uma conversa com quem acompanha o cronista.

Há jornalismo e escritores de fachada, mas há aqueles que são de casa há mais de 25 anos e que você teve a confiança de entregar seu corpo e a saúde das suas pessoas amadas.

Esse cronista e médico é um abençoado. Nesses dias recebi o título de Médico Cirurgião Jubilado pela Sociedade de Cirurgia Geral do RS, já rumava aos cinquenta anos de contribuições associativas sem um único mês de ausência.

 

Crônicas & Agudas

 

[Toda vez que chove, eu me lembro dessa garota | Quase um sonho que me deu tanta emoção | E ao lembrar eu sinto novamente seu perfume | Envolvente que me aperta o coração].

Para a maioria do brasileiro, os pilas andam escassos, para outros tantos estão ausentes da guaiaca. A necessidade de dar um presente é uma estocada de lança no flanco da criatura.

Os avós contabilizam netos, filhos e agregados. Os pais seguem na mesma balada. E os namorados! “Põe no cartão”! – gritava alguém entrevistado. Como se ali na frente não tivesse que pagar.

Há quem se esgarce gastando com a premissa de que pode apitar na curva logo ali adiante pela peste chinesa. Principalmente se depressivo na Globo/RBS e abutres assemelhados.

 

Crônicas & Agudas

 

“Que presente vou dar”? Um ótimo presente é um livro da trilogia Crônicas & Agudas (a Cledi garante que sim e assina ao lado). Os tradicionais cartões e tiktok da WhatsApp? Tão diferente e pessoal quanto um caminhão lotado de chinês. Sem ofensa, mas olhando parece tudo irmão gêmeo. Um olhinho puxado igual ao outro.

Faz certo tempo que uso fazer o amigo recordar (“é viver novamente”) alguma música ou cena de filme que lhe marcou na paleta.

Sinta que o melhor presente é aquele que desperta emoções (“Emoções que eu senti” do RC) e não à razão cartesiana. Presenteava-se com discos (que saudade!) ou uma fita.

Se souber aquilo que toca a alma, que trepida o coração e revira os olhos é por aí o presente. E não seja ausente! Rimou.

Meu irmão, por exemplo, chora com cenas do Campo dos Sonhos com Kevin Costner e Pai Herói com Fábio Júnior. Nenhuma tarde será fria e chuvosa se a pessoa receber algo que lhe toca tão intensamente. “Ah! Eu não sei aquilo que lhe toca”! Sem bronca. Pergunte.

 

E agora vamos à penitência em mais um jogo do Colorado e das viúvas do técnico castelhano. Ops! Olha a música “Boneca cobiçada” – sofrido como um bolero deve ser. Lembra algo?

 

 

2020 – 12 – 08 Dezembro – Natal da Pandemia

Eds Olimpio

Crônicas & Agudas

Jornal Opinião de Viamão

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Cirurgião Plástico – Dia Nacional.

 

12 - 07 Dezembro - Dia Nacional do Cirurgião Plástico

DIA DO MÉDICO CIRURGIÃO PLÁSTICO
….                     07 DEZEMBRO
…. Reconhecimento
…. Respeito
…. Gratidão
.
Abraço especial aos Amigos Cirurgiões Plásticos do grupo de Crônicas & Agudas.
In memoriam ao meu sobrinho Prof. Dr. Marcos Ricardo de Oliveira Jaeger.

O Sopro da Vida e o Hálito da Morte! Edson Olimpio Oliveira. Crônicas & Agudas. Jornal Opinião de Viamão. 01 Dezembro 2020.

 

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O Sopro da Vida ou o Hálito da Morte?

 

Muitos médicos sentem um odor, um cheiro peculiar e definido pela sua experiência ou sua intuição como o cheiro de morte. Isso deve sempre impulsionar um combate mais aguerrido em preservação da vida. Há situações que um odor floral aviva o ambiente – no quarto, na enfermaria ou na sala de cirurgia. Uma manifestação da espiritualidade com luz e amor. Relata-se que nas aparições de Nossa Senhora ou em milagres, sente-se o perfume de rosas.

 

A sensibilidade é pessoal e relativa, mas desde tempos imemoriais pessoas possuem essas capacidades ou habilidades que os distinguem e nos aproximam de outros animais do planeta, inclusive treinados para isso. Nas mãos do tempo, o homem identificou a morte e contribuiu para disseminar as doenças e assim a sua dominação sobre outras pessoas e povos. Na história estão as batalhas em que cadáveres putrefatos e eivados de doenças eram arremessados em catapultas sobre as muralhas de cidades fortificadas. Ou a contaminação das fontes de água.

 

Crônicas & Agudas

 

Com a sua criação como plateia, Deus modelou o barro primordial à sua imagem, ensina-nos o livro sagrado. Eis que Deus soprou em suas narinas e o barro se fez homem. Tornou-se um ser vivo, ainda incompleto pela falta da mulher. Esse foi o primeiro sopro vital. Logo o homem conheceu limites para sua existência. Passaria dias com fome e sede, mas nunca passaria mais de alguns minutos sem respirar e renovar o sopro da vida.

 

O ar que respira é vida. Outro limite seria respirar no ambiente dos peixes e, num futuro distante, somente numa altura que alguns pássaros respiram. As teorias e afirmações que o ar dos pântanos ou das emanações de morte seria fatais nos acompanham há milênios. Nesse caminho, a humanidade desvendou as enfermidades transmitidas pelo ar emitido ou carregado de gotículas portadoras de doenças.

 

Crônicas & Agudas

 

O bebê se engasga ao sugar o seio da mãe numa caverna na aurora dos tempos. Se é uma mãe experiente ou cercada de veteranas, sopra-se o nariz do bebê. Ou chupam seu pequeno nariz e sopram em sua boca. O bebê se desengasga e a cor azul, o frio de sua pele, sinais de morte se avizinhando, logo desaparecem. Essa técnica que é o amor vertido em ação nos acompanha. O jovem é retirado das águas por um socorrista ou outra pessoa e se iniciam as manobras de expulsar a água dentro de si e de soprar em sua boca e narinas. Observe e projete outras situações!

 

A anestesia revolucionou a medicina e deu uma dimensão formidável à cirurgia, mas a evolução suprema aconteceu com manter a oxigenação, a respiração artificial da pessoa durante a abertura de seu abdômen, tórax, coração e cabeça – e todo suporte à vida. A metamorfose do sopro vital em todos os tempos.

 

Crônicas & Agudas

 

Há quem promulgue excesso de pessoas no planeta. A doença do planeta é o homem, dizem. Pensam “auxiliar” a natureza em fazer uma “faxina” de tempos em tempos, como se “ajudassem” o planeta. Os cataclismas naturais e as enfermidades ou pestes geradas pela mão do homem diretamente ou pela sua desídia são agentes mortais.

 

Jamais a humanidade e a medicina estiveram nesse contexto de aprisionamento global, indiscriminado e bélico. Não podemos respirar o mesmo ar das pessoas que amamos, nem o abraço e muito menos o beijo afetuoso. Em algum tempo, o medo, o pavor e o pânico do hálito da morte serão rompidos, como as paredes de uma fortaleza ou de uma grande represa. Também é de nossa natureza humana, tanto para o bem como para o mal.

 

Os sobreviventes contemplarão outros tempos – de sombras ou de luz. Não se submeta como manada repetindo os outros, ou boiada indo ao matadouro. Até a fé deve ser raciocinada! Médicos e cientistas não jogam sempre no mesmo time – nunca jogaram. Sua intuição e seu raciocínio devem lhe mostrar o seu caminho.

Espero que seja o melhor caminho pelo sopro da vida – rosas! Jamais pelo hálito da morte – putrefação ou enxofre!

 

 

 

2020 – 12 – 01 Dezembro – O Sopro da vida e o Hálito da morte

Eds Olimpio – Crônicas & Agudas

Jornal Opinião de Viamão

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