Esperança!
As palavras “Esperança e Sopro” teriam a mesma raiz do grego primitivo. Santo Agostinho, na Suma Teológica, cravou que os pilares ou virtudes fundamentais da religião judaico-cristã são: Fé, Humildade e Esperança. Lembre-se que no Gênesis, após Deus modelar o barro a “sua imagem e semelhança”, Ele soprou às narinas e fez-se a vida. O primeiro homem sentia um vazio dentro de si ao ver as criaturas em casais no Éden. E Deus fez a primeira mulher – é a Esperança e o Amor do Pai na sua criação. Sugava-se e soprava-se no nariz do bebê ao nascer, logo o primeiro choro e a vida iluminar seu corpo. Ao contrário – toda morte acaba no último suspiro/sopro de vida, talvez de um ventilador sem o amor dos seus.
[O sol há de brilhar mais uma vez / A luz há de chegar aos corações…] – música Juízo Final do genial Nelson Cavaquinho é considerada uma ode à esperança. Segundo o Professor M.S. Cortella, “esperança” (verbo esperançar) difere de “espera-nça” (verbo esperar). Queremos a esperança ativa e firme. “A esperança é a última que morre!” – na sabedoria popular. Há quem queira assassiná-la. Não permita. Viva-a! Busque-a! Estimule-a em outras pessoas!
Crônicas & Agudas
Jesus Cristo, o Médico dos Médicos, o Salvador, é o supremo mensageiro de Deus na esperança da humanidade. O médico é o mensageiro da esperança quando adentra o lar do enfermo, no consultório ou no leito hospitalar. Pense no médico que diga: “Não vou, não tem remédios, só esperar”(passividade) (sorte/milagre) ou “Está desenganado”. Digo-lhe: troque de médico! A única certeza dessa pandemia é que não há certeza absoluta ou permanente.
“Os miseráveis não têm outro remédio a não ser a esperança” – Shakespeare. “Se a princípio a ideia não é absurda, então não há esperança para ela!” – Einstein. Creio que foi Sartre: “A busca da racionalidade e a supremacia da razão, decretam a morte de Deus” e “Náusea e desespero são antíteses da esperança”.
Para o bem e para o mal, a Medicina sempre esteve atrelada ao poder, à ideologia, à ciência, à religião. No palco da pandemia dois atores estão em embate furioso – o vírus e os medicamentos. Há o VAR, como no futebol, complicando e destruindo resultados. Sectarismo. “Só sei que nada sei!” – Sócrates. A ideologia doutrina os escassos referenciais, sendo o doente até um incômodo (?) – lembra um governador? Por que os “que não tem o que fazer, somente esperar” estão em conflito daqueles que acreditam “tem que tentar”? Medicina, latim ‘mederi’ – “melhor caminho”; tratar sempre; curar, se possível; aliviar e consolar sempre. O paciente ainda é corpo-inteligência e espírito. Jamais – o “leito 25” somente, ou um Adão/Eva robótico.
Crônicas & Agudas
Na desesperança (desespero, desengano, …) é direito primordial da pessoa buscar desde “o benzimento da amada vovó”, chás, remédios disponíveis, orações e fé, enfim manter a esperança viva. Se a doença vencer – “tentamos tudo que podíamos”. Todos são responsáveis. O primeiro juiz é a consciência.
A esperança é divina. “Está a se discutir o direito de tentar sobreviver das pessoas, de ter esperança na cura da moléstia, usar ou não usar tratamento precoce – respeitar sempre. Por que negar o direito à esperança?” – “Uma chamada à consciência coletiva para… médicos… dedicando a própria vida nesta luta.” (Dr. Eduardo Cunha de Oliveira, advogado). A fé ilumina. A humildade trata. A esperança leva à cura. Quantos pensam assim nas terapias alternativas, hoje Integrativas? E o melhor para os enfermos num conflito desnecessário?
Tire a esperança de um pai ou mãe, da esposa, dos avós – tira-se o seu sopro de vida, seu sopro de esperança! Sabota-se sua imunidade e sua capacidade de autocura, de reagir.
2021.03.23 Março
Esperança
Edson Olimpio Oliveira
Crônicas & Agudas
Jornal Opinião de Viamão
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