Algumas reflexões e recuerdos dos 70!
Se tenta! Setenta. 7.0 ou 70. Não faz meu perfil ser pródigo em comemorações natalícias, desde o falecimento da minha mãe Dora, aos 49 anos de idade. Nasci no dia de seu aniversário. Outra irmã que me antecedeu, nasceu no dia do aniversário do meu pai e ela faleceu após o nascimento. Meu pai Aldo, no seu aniversário, buscava a solidão dos campos e das várzeas, dos rios ou do mar – seu tempo e seu coração em reflexão e oração silenciosa.
Creio que herdei esse traço. Nesse ano e meio de pandemia com as sombras da dor e da morte pairando sobre todos nós, fugi do arcabouço, da rotina das crônicas em que o bom humor sempre teve lugar cativo e público fiel e votante/e-leitor.
O leitor, interagindo com o cronista, compartilha suas emoções, seus sentimentos e seus momentos. Alguns sentem a palavra que toca, outros a frase que sensibiliza, aqueles que mergulham no todo/mensagem e se refletem. “E os indiferentes?” – para esses faltou sensibilidade e olho clínico do escritor e a realidade da impossibilidade dos 100%.
Crônicas & Agudas!
Nessa lavoura ou semear de frases, emoções e sentimentos, cada amigo e amiga colhe e espalha a semente que lhe toca e sensibiliza sua alma. Durante bom tempo enviava crônicas para a Zero Hora, Correio do Povo e Jornal do Comércio e aqui em Viamão ao Correio Rural. A cada publicação, novas reflexões e busca de evolução e entendimento. Precisava de uma casa que me abrigasse, que não fosse somente um pouso passageiro, como um fugaz pernoite.
Amigos tentaram me colocar no Correio Rural, que na época era o mais antigo jornal local – sem sucesso! Entretanto fiquei feliz quando abriram suas páginas para meu irmão, parceiro de trabalho e vida – Dr. Eduardo Lopes.
Tudo tem um tempo de acontecer e um horizonte mais amplo por vir. Logo o Professor Pedro “Pedrão” Negeliskii me levou para seu jornal, com integral apoio e a mais sólida liberdade que um escritor poderia ter. Assim estamos juntos mirando passar dos 30 anos de jornalismo e companheirismo. Que as décadas se somem para todos nós!
Crônicas & Agudas!
Escrevia e guardava. Com o alvorecer dos computadores, fui um dos primeiros médicos a informatizar o consultório – tempos da ancestral linguagem DOS. Guardava meus textos em disquetes frágeis e descobri com dor que aquilo e os HD perdiam-se nas formatações, vírus de bruços e de lado, discos “voadores”, etc. O jovem se sentia como um cão brincando com a cauda.
Já médico, com o jornal, as publicações se perenizavam. E o resto? Foi-se! Aceitei o desafio de concursos literários e coletâneas. O escritor sempre veleja contra o vento da insegurança, da sua aceitação pelos leitores, disciplina e perseverança buscam o talento arredio. Venci concursos literários e inclusive fui premiado com viagem e estadia ao exterior com a esposa. O caroço, o âmago é competir consigo. É testar sua capacidade de ser aceito.
Meu pai Aldo era exímio versejador, que os imprimia e publicava narrando os eventos da cidade. Minha mãe Dora uma especial contadora de estórias. E evoluí com a amizade e o apoio do Dr. Luiz Alberto Soares, médico-escritor-historiador-coronel do Exército brasileiro-líder nacional dos médicos escritores – Amigo!
Crônicas & Agudas!
“De médico, poeta e louco, cada um tem um pouco!” A sabedoria popular flutua no mar do entendimento pessoal e naufraga quando o horizonte é escasso. Outra: “Ter um filho, plantar uma árvore e escrever um livro”! Não propriamente “poeta” – cronista, escritor, faiscar a linguagem do coração, o garimpar da alma… E “louco”? Escape, saia do pejorativo – demente ou insano. Sinta como apaixonado e pleno de amor pelo que faz em sua jornada de vida. Reflito-me nas demais citações.
E cada um na sua jornada, que conflui, converge e ilumina a todos, vamos viajar, navegar, singrar alguns horizontes em que tive a honra e o privilégio de estar com vocês como amigo e médico e principalmente como pessoa.
2021 – 06 – 29 de Junho – Reflexões e Recuerdos dos 70 Parte 1 – Eds Olimpio
Crônicas & Agudas
Jornal Opinião de Viamão