Bandido bom é
bandido preso!
Há gente que se magoa, sofre e revolta-se com o título da crônica. No entanto, a voz do sofrimento de almas dilaceradas e famílias eternamente presas na desgraça, preferem aos criminosos o mesmo destino de suas vítimas. No Brasil, violentado pela corrupção epidêmica, o bandido é “uma vítima da sociedade”. – “Precisa entender que sou uma vítima da sociedade e preciso dar de comida pros meus filhos”! – enquanto, com mais dois meliantes, apontavam as pistolas nas cabeças do casal de idosos vítimas de sequestro.
Ano 2002, o desembargador e secretário da justiça do RGS abraça-se em profunda simpatia ao sequestrador que ameaçara de mortes as suas vítimas – seu nome é José Paulo Bisol. Aqui está uma das nascentes da demonização da polícia e a complacência maligna do poder público.
“Somos todos iguais perante a lei!”
Qual lei? A “sábia lei de cotas”, que desconhece o humilde, nos torna diferentes no nascedouro? A venenosa divisão da sociedade em grupos de variadas classificações, em combate renhido e/ou ódio crescente. Veja seu filho ou a sua netinha – você vê neles a responsabilidade de um Pedro Cabral, de um bandeirantes no sertão, de um feudal dono de engenho nos primórdios da ‘fundação ou afundação’ desse Brasil? Em 2015 criaram a tal “audiência de custódia” para “salvaguardar direitos” (dos tortos!) – as lendas ou realidades urbanas povoam nossa mente de mais um instrumento ou mais uma arma para o meliante e seus asseclas se beneficiarem.
“As cadeias são desumanas e estão lotadas”!
Tenha paciência, gradeados já estamos – logo em cadeias. Honestos presos e bandidos mais soltos ainda. Duvida? A química do processo se instala na perda de valores da sociedade que é solapada a todo instante pela mídia que você facilmente identifica. O bandido não teme a lei e a cadeia é para o pé-de-chinelo que não dispõe das chicanas intermináveis dos processos. O graúdo conta com a atenção full-time de honoráveis advogados a peso de ouro e de juízes eficientes e corretos do mais alto galardão. Bandido solto se reproduz geometricamente. É uma ilusão romântica acreditar em humanizar feras. Um querido mestre da Psiquiatria ensinava que o bandido contumaz, como uma compulsão, repetirá crimes indefinidamente. Para esses as situações se justificam e se amparam por “motivos” – vide o sequestro acima.
“Ele vai se recuperar!”
Idealizamos, como cristãos, dar a outra face. E mais outra, ainda. Nosso perdão será a porta da salvação do criminoso – simbolizamos! Segundo o mestre psiquiatra, real recuperação é rara. Aquela pessoa que sob severas circunstâncias cometeu um crime, sua consciência o punirá severamente, além da “lei do homem” e dificilmente incidirá novamente. –“E os que não têm ou negociam com a consciência?” Vamos colocar o dedo em outra ferida brasileira? As autoridades do executivo, legislativo e, absurdamente, do poder judiciário que se concedem benesses além do salário, são criminosos por roubarem o fruto do trabalho dos cidadãos e seus familiares? Esses privilégios maquiavélicos me soam como furto. E quando nos ameaçam é um roubo.
A cadeia é parte da punição e as penas deveriam ser completas para todos os reincidentes. A sua separação das pessoas direitas vem antes da poética recuperação. Toda a fonte pagadora que sustenta a “advocacia que defende os criminosos” deveria ser auditada pela Receita Federal, como nós somos. Tema controverso para quem paga e quem vive do fruto do crime e até da morte de outras pessoas. Ou mudamos nosso entendimento, ou o poder dos algozes e predadores aumentará. Sei que você não é predador, mas será uma vítima real ou potencial sempre?
2021 – 10 – 05 Outubro – Bandido bom é bandido preso – Eds Olimpio
Crônicas & Agudas | Jornal Opinião de Viamão