:: :: Qual o meu tamanho?
:: :: Crônica de 26 de outubro 2021
:: :: Coluna Crônicas & Agudas
:: :: Jornal Opinião de Viamão
Para muitos, os Dias de Finados são de saudade e vertidos em prantos (até pungentes) com as lembranças que se afloram. Para outros, são novos dias de reflexão – a terminalidade do corpo material e a continuação da viagem da alma imortal nas sendas dos desígnios de Deus. A realidade do que realmente levamos dessa vida e aquilo que fizemos em nossa breve passagem.
:: :: Saúde e Sabedoria!
:: :: Do Eds Olimpio
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:: *Qual o meu tamanho?
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Na minha longínqua infância e adolescência no Grupo Escolar Setembrina e, posteriormente, no Ginásio Bento Gonçalves havia uma balança antropométrica. Toda de metal , pintada de banco, com a base emborrachada para os pés e acoplada uma régua móvel para medir a altura. Uma ou mais vezes ao ano éramos medidos assim, principalmente para a educação física do professor Delmar.
Era um tempo em que tamanho era documento, pois os guris maiores sempre se impunham pela força aos menores. Volto um pouco mais na roda do tempo: na minha casa, eu media a minha altura num marco de porta ou numa quina de parede. Descalço. Colocava-se uma régua ou um lápis e dava-se uma pequena marca. Outros podiam usar a lâmina e a ponta de uma faca.
Cr & Ag
Para o guri isso já era um desafio para não ser enquadrado como baixinho ou pior – nanico ou anão. Já com as gurias isso não era um imperativo, mas se sabia que elas preferiam os mais altos. No grupo de amigos, disputavam-se as medidas da altura do topo da cabeça ao tamanho do pé. E tudo que ficasse no caminho. Impressionante! Isso é comum em todas as culturas e povos do planeta. Algumas mães usavam desse estratagema para nos manter na linha: “tem que comer toda a comida do prato para crescer!”, “vai dormir bem cedo para crescer que amanhã é o teu aniversário”, “quem não obedece ao pai e à mãe, ou é respondão não cresce”.
E vai nesse balanço assustador com muitas outras ameaças. Também havia uma série de alimentos e simpatias, como em época da festa de São João, que ‘estimulavam’ o crescimento.
Cr & Ag
No meu consultório há uma trena para mensurar a altura que com o resultado da balança e outros parâmetros é usado para IMC – índice de massa corporal, etc. As fantasias da criança e do jovem se misturam com seus influxos hormonais. O corpo amadurece. Estaciona o crescimento vertical e inicia o crescimento lateral – inabalável para os lados. A balança desafia o bom senso e o vento vira culpado do acúmulo de gordura, talvez baseado na teoria da “presidanta” Dilma.
A idade avança, inexorável, e logo, aos sobrevivente nas batalhas da existência, observam-se outros tamanhos – muito mais significativos e importantes. “O que vale realmente é aquilo que está lá dentro”! – observa o mais atilado. “Ser mais ou ter mais?” – é o desafio.
Cr & Ag
“Tamanho físico ou da riqueza desprovidos de virtudes, são como locomotivas desgovernadas!”
Qual o tamanho da dignidade, da honra, da ética e do respeito? Qual o tamanho da amizade e da fraternidade? Do amor – à natureza e a todas as formas de vida. E do patriotismo? Qual o tamanho necessário e fundamental ao bom pai, à boa mãe e ao bom filho? Aos membros do casal? E do profissional que te cuida e ampara – do gari, ao professor e qualquer/todos os demais? Qual o meu tamanho como um ser humano que luta e exige de si evoluir no próximo dia, no próximo aniversário? Qual a régua que você usaria para medir e avaliar o seu tamanho real, que é o tamanho do seu espírito ou o tamanho da luz que você irradia por onde passa e vive?
Cr & Ag
Ao transformar em virtudes todas aquelas “necessidades para ser maior ou crescer”, eu e você estaremos evoluindo e crescendo sempre. Sem parar! As cancelas e porteiras se abrirão e seremos agricultores semeando as melhores sementes. Algumas germinarão mais cedo nas terras férteis, outras precisarão de muito tempo, afastar as ervas daninhas internas e externas e receberão mais golpes das enxadas da vida. E, principalmente, de si mesmos!
Você pode ver comigo esse painel, esse palco da nossa jornada?
_2021.10.26 – Qual o meu tamanho – Edson Olimpio Oliveira_
. _Crônicas & Agudas – Jornal Opinião de Viamão_
Dr. Edson Olimpio Silva de Oliveira
Médico. Cirurgião. Escritor
CREMERS 07720
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Médico Cirurgião Jubilado
Sociedade de Cirurgia Geral do Rio Grande do Sul – SOCIGERS
Conselho Regional de Medicina RGS – CREMERS
Associação Médica do RGS – AMRIGS
Associação Médica Brasileira – AMB
Viamão – RS
1971 a 2021 – 50 Anos de Medicina
http://www.edsonolimpio.com.br
Autor dos livros:
Crônicas & Agudas
Crônicas & PontiAgudas
Trinity! A Saga continua.
+ 25 Anos de Jornalismo
Cronista Jornal Opinião de Viamão
nov 01, 2021 @ 21:05:59
Gratidao