Olho-Grande!

Olho-Grande!

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Uma amiga paciente contou-me, certa vez, que sua cunhada (maridos irmãos) já causava sobressaltos ao saber que iria lhe visitar. A situação piorava na visita da criatura. Pois já rompia pelo quintal com a voz trovejante. Olhos esbugalhados a vasculhar, varrer como um radar, a sala, a cozinha e, sem muitas delongas, entrava nos quartos.

Mas isso aí é novo. Quanto custou? Onde tu compraste? Deve ser muito caro para teu marido te dar isso. O meu marido, irmão do teu, não me dá nada assim”. E seguia nessa toada. E as visitas varavam as tardes, parecia não ter fim. Adentravam à noite. “Que vai fazer de janta hoje”?

E um assunto emendava com outro. Ou atropelava o outro. O saldo da visita da cunhada era sinistro. A casa nunca incendiou, mas eletrodomésticos queimavam. Cachorro adoecia. O cardeal caía a crista em severa depressão. Os pés de arruda secavam e nem as espadas-de-São Jorge sobreviviam ao fogo da cunhada. Há quem não acredite em mau-olhado, olho-grande ou olho-gordo. Ou em qualquer outra definição e manifestação dessa energia ruim e até maligna.

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Crônicas & Agudas

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Olho-grande de urubu magro não mata cavalo gordo”.

É um dos ditados forrados de incredulidade na voz de parcela do povo. Contam que um vereador gaúcho, de certa cidade histórica, “apaixonou-se” por um cavalo durante um desfile farroupilha. E atropelou o dono do belo cavalo, de pernas mais longas que a Gisele, e sacou: “Quanto tu quer pelo bicho aí”? “Não tá à venda”! Respondeu o dono do pingo especial de primeira. O vereador seguiu atacando com valores e outros argumentos. Buscou as divisões panzer. Seus súditos ou cupinchas encurralaram o cavaleiro que tentava escapar do fogo cerrado. Partiram para os apelos sentimentais. Continuou enviando comandos à casa e ao trabalho do dono do cavalo, mas o homem continuava inarredável – “Não vendo e não dou. E não empresto”! Eis que o belo cavalo refugou o trato, a comida. Até a água diminuiu. Tristonho. Quando uma mosca varejeira rondou o cavalo, o dono sentiu o horror. Chamou veterinário. Levou para o hospital veterinário. Ninguém sabia o que acontecia. Certa manhã, encontraram-no morto na baia. Casualidade? Coisas da vida dos equinos? Ou “há algo mais entre o céu e a terra que a nossa vã filosofia desconhece”?

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Cr & Ag

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Outro dia zapeando pelo YouTube encontrei o Mestre Iluminado Divaldo Pereira Franco respondendo perguntas de um entrevistador e de seus lábios, como sempre, brotam ensinamentos e verdades que transcendem os agrupamentos religiosos. A espiritualidade apresenta-se com as vestes do entendimento para que cada um de nós possa assimilar, digerir e entender, dentro do seu alcance e grau de evolução.

A cunhada dona da casa poderia ser influenciada pelos meandros e artimanhas da sua própria mente e abrir suas defesas, gerar insegurança ou até estimular as energias negativas, ruins da outra pessoa? E no caso do cavalo? Seria uma “cumplicidade negativa” do dono do animal? Ou do próprio cavalo?

As simpatias (figas, fitas do Senhor do Bonfim, arruda, vegetais diversos, sal grosso, crucifixo entre outras, como até do jogador de futebol que entra pulando em campo e abaixa-se com sinal da Cruz e coloca uma folha de grama na boca) seguem por um caminho nebuloso para uns, sinistro para outros e “não vale a pena desafiar” ou “é pro bem e não pro mal”.

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Cr & Ag

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Se batuque e mandinga ganhasse campeonato de futebol, os baianos estariam sempre empatados e ninguém ganharia no campo”!

Constatamos que uma parcela de brasileiros deseja, por todas as suas forças e energias, que o Bolsonaro e equipe afundem num buraco sem fundo. E se o Brasil tiver que ir junto, “que vá”!

As energias se digladiam. Como você entende essa situação? Mesmo que você não goste do Renato ou do Odair, técnicos da dupla Grenal, você deseja que o seu time vá para onde?

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2021.12.21 – Olho-Grande – Edson Olimpio Oliveira

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