ILZA TERRA NUNES – 100 Anos – Viamo – Memria 10

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Máscara e tampão de ouvido!

Máscara e tampão de ouvido!

A sociedade indefesa.

Arrastamos dois anos de pandemia. Uma doença infectocontagiosa se espalhou e persiste ceifando vidas, destruindo famílias, espraiando o medo(terror?), confrontando a Medicina, derrubando as economias e produzindo mais pobres e ricos.

A máscara é um símbolo de proteção à enfermidade. Também simboliza o esconder a face e persistir nas falcatruas, muitas vezes sepultadas no ataúde dos mortos pelo corona ou pela corrupção. A movimentação silenciosa do vírus se assemelha à mão rápida e ao pé ligeiro dos falcatruas.

Outra “pandemia” nada tem de silenciosa e sutil. É barulhenta. Abusivamente barulhenta e escandalosa. Há séculos é identificada pela Medicina como destruidora da saúde. Seus vetores de transmissão são os malditos carros e caixas de som às portas de lojas e até nos passeios, motocicletas e outros veículos de alucinados e irresponsáveis com descarga aberta e tantos outros que o aturdido e ensurdecido leitor pode acrescentar.

Crônicas & Agudas

Como o senhor aguenta trabalhar assim doutor?” – pergunta rotineira. Meu consultório é térreo na Galeria Zavarize, no Centro histórico de Viamão. Janelas altas abertas para melhor circulação de ar em proteção às pessoas. A proximidade com a Caixa Econômica Federal é um agravante severo.

Esses malditos e nefastos carros de som que já circulam em velocidade de atravancar o trânsito quase que estacionam às minhas janelas para atacar as vítimas nas filas da CEF. É impossível continuar a consulta, tenho que esperar seu afastamento. Estenda essa agressão ao tentar conversar ou assistir TV em qualquer lugar.

O estimado e efetivo Coronel Freitas ajudou-me ao máximo que poderia. E agradeço sua pronta intervenção. Mas o sistema ou a legislação é perniciosa e contagiosa – ainda veículos de circo se somam à poluição sonora.

Crônicas & Agudas

Ou a legislação é defeituosa ou sua execução é capenga. O médico e cronista pergunta: qual o poder público iniciará a contenção disso. Poluição sonora é crime contra a saúde. Leva-se vários anos para aprovar um projeto de engenharia para dar mais empregos ao povo e riqueza à cidade. Legislação rigorosa, como a que depende dos bombeiros, contrasta com a absoluta perdição das autoridades imporem-se na proteção da saúde do seu povo.

Eu não compro e recomendo que ninguém compre dessas empresas que fazem essas propagandas abusivas. Que seus donos se sensibilizem desse erro que estimulam e parem.

Vender mais causando doenças? Dar dinheiro para poluição sonora que envenena a vida? Adianta vender mais ansiolíticos e antidepressivos e até à noite o sono é invadida pelos alucinados e irresponsáveis com descarga aberta (literalmente deveria se puxar a descarga com essa gente nefasta).

Crônicas & Agudas

Viamão enfeiou-se pela poluição visual, seu lago poluído e sua centenária igreja matriz abandonada. Uma cidade enferma (e mal assistida de hospitais!), doente tal o número de farmácias e ambulâncias com sirenes abertas?

Aqui a poluição sonora acampou, requereu “usocapião” e se alojou como um tumor maligno que não encontra tratamento e solução adequados. Somos, sou viamonense raiz, como todos meus familiares. Essa é a minha/nossa terra. Ficar à sombra numa zona de conforto ou o enfrentamento do problema?

Entendam a veemência do médico (50 anos de Medicina em Viamão) e do cronista (30 anos de jornalismo) e se solidarizem na solução do mal. Para o comércio, há outras formas de atrair clientes. Para os demais patrocinadores da poluição sonora, que tomem consciência e respeito pela sociedade que os abriga ou que a lei (tão vilipendiada) seja eficaz. Apesar do barulho, escutem nosso protesto.

Ou o tampão de ouvido será nossa derradeira defesa? Dobradinha: máscara e tampão de ouvido?

2022.02.22 – Máscara e tampão de ouvido – Edson Olimpio Oliveira

Crônicas & Agudas – Jornal Opinião de Viamão

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Imagens Especiais! 22 Fevereiro 2022.

Galeria

DIA MUNDIAL DO GATO * 17 Fevereiro

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O causo do tratos nos (Campos) Abreu – 15 Fevereiro 2022

O causo do trator nos (campos) Abreu!

Série: Humor ainda é um bom remédio

A história que vamos relatar pode parecer fantástica para alguns, mas quem conhece as especiais habilidades de seu personagem principal, até o impossível se tornará provável.

Caçador de perdizes e de marrecão, mecânico, motorista profissional, ‘engenheiro’ prático, são algumas de suas qualificações. Da Vinci e McGiver seriam seus alunos. Afora essas qualidades técnicas, é pessoa amabilíssima e de bom coração. E viamonense da gema. Raiz e com glória.

Conta-se que nos longínquos anos 50, executava uma grande aração de terras aos fundos da Fazenda dos Abreu, junto à Lagoa dos Patos. Começara na madrugada e somente pararia a noite. O inverno fora rigoroso e o preparo da terra para o arroz estava atrasado. Trabalhador ferrenho e feroz, segundo o próprio – opinião contrária de alguns. Quando se apercebeu, a lua penteava faceira os mais altos galhos dos eucaliptos. Os tambores de gasolina dentro do trólei estavam secos. Restava apenas o combustível do tanque do trator. Ainda teria que rodar algumas boas léguas até a sede da fazenda onde estava acampado. E se veio embora. Algum quero-quero reclamava à passagem do trator que insolente perturbava seu descanso.

As marrecas piadeiras e caneleiras davam rasantes nas lagoas aumentadas pelas chuvas do inverno rigoroso e chorão. Alguma tarã ofendida marcava seu território. Com os pensamentos distantes: a família longe, o novo dia de trabalho, os pés em bolhas dolorosas contra os pedais de aço…

Súbito, o previsível, o trator soluçou, soluçou, engasgou e apagou o motor. Bateu arranque. Nada. Foi verificar o tanque de combustível. Vazio. Sentou-se. Acendeu o palheiro. Longas tragadas que enevoaram a noite clara. Perguntou para a lua:

Dia do Cirurgio Buco-Maxilo-Facial – 13 Fevereiro

*_CIRURGIA BUCO-MAXILO-FACIAL_*

_Medicina & Odontologia_

_13 Fevereiro_

Reconhecimento.

Respeito.

Gratidão!

_By *_Crônicas & Agudas!_* – http://www.edsonolimpio.com.br_

Dia do Campeiro! – Poesia de Lúcia Barcelos

Tropa de Ausências nos Campos do Tempo!

Ele ainda mateia solito à porta do galpão…

Depois que o último taura se foi,

só restaram os campos, o cusco e a solidão!

De sorte que o tempo andarilho,

lhe trouxe sobre o lombilho,

um anjo branco que se arranchou em sua cabeleira.

Pra martírio do silêncio,

ele empunha uma açoiteira,

que bate nas taquareiras,

como um domador dos pampas!

Às vezes, com marreta e talhadeira,

forja cortar pedras entre os cerros…

Os seus acertos e os erros,

pesam na carreta das horas,

e o ranger de eixos do agora

vai guiando uma boiada de lembranças!

Lá fora, a pele dos campos,

sulcada de andanças,

apara os passos do velho peão.

Mescla-se àquele chão,

a baba de bois cansados

e os dias enfileirados,

vívidos naquele estilo!

Ele ainda mateia tranquilo

à porta do galpão… Guardião de um tempo de luz,

marca de espada e de cruz,

já se afigura uma lenda!

Em sua ronda, ele anda a sós!

Mas quando o vence a fadiga,

busca, em devaneios,

as campereadas…

E a mesma tropa antiga

de sonhos que vivem em nós!

Na compreensão desse instante solitário,

é xucro o minuano.

Ir vivendo, é um gauderear sem volta,

e ele de pronto solta,

o seu filosofar campejano.

Não quis correr mundos…

E com o passar dos anos,

fincou alma ali como potro na estaca…

Dormindo em pelegos,

pensamento tiritando feito um pássaro Baitaca

curtindo penas de geadas…

Alma inquieta,

mãos calejadas…

Campeirear tropas de ausências no coração em rebuliço,

e matear solito à porta do galpão,

é hoje o seu maior compromisso!

Lúcia Barcelos

Singular Poetisa. Escritora. Viamonense.

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Apoio: Crônicas & Agudas

11 de Fevereiro

Dia do Campeiro

DOMINGO NA ORLA – 3

Domingo na Orla (praia)

Parte 3 – Final

Série: Rir ainda é um bom remédio.

E nosso amigo Arigó da Faxina continua seu relato heroico!

“A sogra velha já tinha melhorado muito e estava faceira caminhando na água do mar. Foi aí que deu outro problema, a velha se lembrou da cadeira que tinha trazido. Eu nunca tomei fé dessas cadeiras de alumínio, são fracas. A velha embestou de botar a cadeira e sentar para as ondas baterem na erisipela. E não faltou aviso.

A minha nega armou a cadeira, a velha deu uma sungada no vestido e se agarrou no braço da cadeira para sentar. Sobrava bunda e faltava cadeira. Senti o drama. Quando a velha largou o peso a cadeira não aguentou e arriou. Meu amigo, a velha emborcou e virou os pés pra cima. Foi um Deus nos acuda. Juntou povo em volta. A velha braba que era uma fera, largou um monte de desaforos pra cadeira e pra quem estava rindo. Saí de perto, fui cuidar do churrasco. Até um metido à salva-vidas veio acudir a gritaria.

Alguém deve ter esquecido uma porta aberta, pois começou um vento encanado. Sabe o Nordestão? Era ele mesmo. O tempo estava bom demais, eu até já estava estranhando. Mas o sol se mantinha firme, valente lá em cima – parecia o Bolsonaro a cavalo.

É bom demais um churrasquinho assim. Até a velha acalmou os nervos e comeu umas tiras de vazio e roeu uma costela gorda de pingar a graxa e com arroz branco e muita Pepsi. Isso ela não rejeita de modo maneira. Até um cusco apareceu com o cheiro da carne levada pelo vento. Levou um osso também. Comemos muito bem. Tomei mais umas latinhas de cerveja e senti chegar aquele sono da tarde. Chegou de mansinho. Ainda deu para comer uma fatia de abacaxi com compota de pêssego que estava na sacola da sogrinha.

A nega acomodou as crianças na camionete e avisou que se fizessem barulho ia ter orelha arrancada. Me acomodei numa esteira e apaguei, amigo. Só me acordei com a nega gemendo que tinha dormido no sol e estava toda ardendo de queimada. Eu tinha uma duna dentro da boca e areia em tudo que era lugar e buraco. Coisas do Nordestão. Tu vê, a mulher também apagou e com a vontade de se bronzear, fritou no sol e no vento. Era um vermelhidão só. Ai-ai e ui-ui de tudo que era tamanho. Sol já tinha sumido e começara até a refrescar. Vantagem. Ainda bem que ela tinha levado uns óleos e outros cremes. Queria que passasse, mas sem botar a mão. Fiquei com remorso de estimular por causa da marquinha do biquíni, agora a nega estava ali que nem uma picanha mal passada.

Enquanto eu, a sogra e as crianças recolhíamos aquela tralha toda, a nega estava ali de braços e compasso aberto gemendo. E eu que antes de dormir ainda planejava um passeio e uma namorada nos cômoros, como nos antigos tempos buscando ninho de rinchão! Olha meu, coisa bem feia. Roupa nem pensar. Coloquei um lençol por cima e encaixei ela no banco e viemos embora. De tão atucanado terminei esquecendo dos espetos e da minha faca carneadeira presente do velho meu pai lá na praia. Só pra encurtar o drama que ainda tenho que dar outras voltas, passamos no plantão do hospital e quase que a nega teve que baixar. A volta? Outro dia te conto. Tchau. Abraço no Duda, meu devogado!”

Nota do Cronista!

Tradicionalmente, há quase 30 anos de jornal, publicamos durante o verão praiano crônicas de bom humor. De tristezas basta a política, a peste chinesa e tantas outras ‘intempéries’ que nos assolam. Desde o início da pandemia evitamos essa linha literária. Com tratamentos diversos, vacinas sequenciais, rezas e benzimentos, álcool e máscaras, cada criatura vai lutando conforme pode e sua liberdade norteia. E respeitamos sempre. Ninguém duvida que o melhor humor ativa, aumenta e evolui as defesas imunitárias do ser humano. Vamos vencer!

2022.02.08 – Domingo na Orla 3 – Edson Olimpio Oliveira

Crônicas & Agudas

Jornal Opinião de Viamão

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05 Fevereiro – Dia do Mdico Dermatologista e do Mdico Mastologista

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Domingo na Orla! Parte 2 – Crnicas & Agudas – Jornal Opinio de Viamo

O Domingo na Orla (praia)

Parte 2 – Humor ainda é um bom remédio

“Terezinha, me acude aqui! Aaaauuuurrrr.” – Gritou a velha chamando a nega.

Coisa feia, meu. A velha açuleada e vá arroto. Ela sempre sofreu de maus arrotos. É problema do fígado e de empate nas tripas. Sabe o cara comer um big churrasco e arrotar carniça? É isso aí e mais meio quilo de farofa. E já botou os guisados pra fora. Vomitou um monte. Aí a nega deu um Plasil e um Dramin e pegou a térmica com chá de marcela. Melhorou. É muito dos nervos.

Fomos lá pro Quintão, ali perto do navio afundado. Praia limpa. Nem cachorro pra incomodar. Estacionei a Brasília lá nos cômoros e de peito pro mar. Sabe como é a maresia no motor? Eu já vinha olhando o mar para escolher um buraco legal para dar uma pescada. Amarrei a lona no bagageiro e armei com as taquaras, ficou um toldo dez. As crianças já começaram a correr pela praia. Só uma brisinha de leve. Sabe aquele vento que nem desarruma o cabelo? Bota menos. E o sol, que baita ‘lua’, meu. Já estava de calção por baixo da bermuda e a nega colocou o biquíni ali mesmo dentro do carro.

A velha coitada tava meio caída, aí fizemos uma cama pra ela debaixo do toldo. Ela geralmente melhora depois de um chá e uma cochilada. Puxei toda aquela tralha pra fora. Arrumei a churrasqueira. Abri o isopor e tomei uma cervejinha bem gelada. Desceu redondo. Criei alma nova. A nega ficou ali arrumando as coisas e eu fui catar uns mariscos. E tinha sim. Cada mariscão que parecia casco de tartaruga.

Tenho um caniço paraguaio, desses tipo antena de carro. Coisa boa, todo de fibra de vidro. Entrei com a água pela cintura – brrrr, que água fria, o saco parou aqui no queixo – e joguei o anzol. Até tu vai achar que é papo furado de pescador, mas foi bater na água e ferrei um papa-terra. Assim do tamanho de um palmo. Pensei, esse é o neto, vou buscar os pais e os avós. A criançada gritava e pulava com o peixe. E assim foi, peguei oito papa-terras ligeirinho.

Aí é que começou o meu azar. Começaram a passar uns carros pela praia e paravam pra ver a criançada brincando com os peixes. Caras de pau. Já foi carro estacionando de qualquer jeito e o povo descendo. Dali a pouco tinha uma cidade em volta de mim. Caniço de carretilha eu perdi a conta. Tinha que me abaixar para não levar uma chumbada na cabeça. Larguei a pescaria e roguei uma praga. Não adiantou. Parece que ali tinha uma fábrica de papa-terra. Até que chegaram uns gringos de mercedinho e começaram a largar redes de arrastão. Quase deu morte. Era linha enrolando na rede e uns nos outros. Ofensa de tudo que era lado. Me regozijei. Bem feito! Vão se ferrar. Fui assistir de camarote lá da Brasília eles se carnearem.

A velha já tava legal, só braba que nem uma onça. Foi se aliviar atrás dos cômoros e tinha fila pro mesmo motivo. As lagartixas e os tuco-tuco – aqueles ratos brancos da areia – vão apresentar queixa no IBAMA.

A nega tava ali se bronzeando. Não é uma Sharon Stone, meu companheiro, mas me dá uma tesão de bispo. Vai dizer que tu não imaginas uma tesão de bispo? Mas, fui preparar o fogo. Não sei como é que molharam o carvão! Custou, mas prendeu fogo. Uma cervejinha. Bronzeador na nega. As crianças debaixo do toldo porque o sol tava demais.

Espetei uma linguiça caseira e a carne. Cortei uns tomates e preparei os alfaces. O arroz veio pronto. Maionese? Nem pensar num calor desses. Um refri pras crianças e pra nega. E um chá de marcela pra velha que soltava uns arrotos de fazer o cachorro do vizinho latir – esses cachorrinhos de fresco, tal de ‘pudel’. Tá certo, não pagou aluguel tem que botar pra fora.

Fui dar uma urinada nos cômoros, quase mijei em cima dum casal de namorados entreverados num amasso. Aí peguei um lençol e fiz uma casinha do lado da camionete pras mulheres se aliviarem.

A linguiça no pão, ali com uma cerveja e olhando o mar e a mulher deitada no sol é de alucinar o cara. Até dá uns arrepios. As crianças já tinham comido uma das melancias que enterrei debaixo da viatura, pois assim ficam geladinhas. As uvas ficaram debaixo da sacola da sogra e amassaram tudo, só serviam para suco. Coloquei fora, enterrei na areia.

Se segurem que o desfecho dessa epopeia do Arigó na próxima coluna.

2022.02.01 – Domingo na orla 2 – Edson Olimpio Oliveira

Crônicas & Agudas

Jornal Opinião de Viamão

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Dr. Edson Olimpio Silva de Oliveira

Médico. Cirurgião. Escritor

CREMERS 07720

. * .

Médico Cirurgião Jubilado

Sociedade de Cirurgia Geral do Rio Grande do Sul – SOCIGERS

Conselho Regional de Medicina RGS – CREMERS

Associação Médica do RGS – AMRIGS

Associação Médica Brasileira – AMB

Viamão – RS

1971 a 2021 – 50 Anos de Medicina

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Autor dos livros:

Crônicas & Agudas

Crônicas & PontiAgudas

Trinity! A Saga continua.

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