Dia do Campeiro! – Poesia de Lúcia Barcelos

Tropa de Ausências nos Campos do Tempo!

Ele ainda mateia solito à porta do galpão…

Depois que o último taura se foi,

só restaram os campos, o cusco e a solidão!

De sorte que o tempo andarilho,

lhe trouxe sobre o lombilho,

um anjo branco que se arranchou em sua cabeleira.

Pra martírio do silêncio,

ele empunha uma açoiteira,

que bate nas taquareiras,

como um domador dos pampas!

Às vezes, com marreta e talhadeira,

forja cortar pedras entre os cerros…

Os seus acertos e os erros,

pesam na carreta das horas,

e o ranger de eixos do agora

vai guiando uma boiada de lembranças!

Lá fora, a pele dos campos,

sulcada de andanças,

apara os passos do velho peão.

Mescla-se àquele chão,

a baba de bois cansados

e os dias enfileirados,

vívidos naquele estilo!

Ele ainda mateia tranquilo

à porta do galpão… Guardião de um tempo de luz,

marca de espada e de cruz,

já se afigura uma lenda!

Em sua ronda, ele anda a sós!

Mas quando o vence a fadiga,

busca, em devaneios,

as campereadas…

E a mesma tropa antiga

de sonhos que vivem em nós!

Na compreensão desse instante solitário,

é xucro o minuano.

Ir vivendo, é um gauderear sem volta,

e ele de pronto solta,

o seu filosofar campejano.

Não quis correr mundos…

E com o passar dos anos,

fincou alma ali como potro na estaca…

Dormindo em pelegos,

pensamento tiritando feito um pássaro Baitaca

curtindo penas de geadas…

Alma inquieta,

mãos calejadas…

Campeirear tropas de ausências no coração em rebuliço,

e matear solito à porta do galpão,

é hoje o seu maior compromisso!

Lúcia Barcelos

Singular Poetisa. Escritora. Viamonense.

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Apoio: Crônicas & Agudas

11 de Fevereiro

Dia do Campeiro

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