Máscara e tampão de ouvido!
A sociedade indefesa.
Arrastamos dois anos de pandemia. Uma doença infectocontagiosa se espalhou e persiste ceifando vidas, destruindo famílias, espraiando o medo(terror?), confrontando a Medicina, derrubando as economias e produzindo mais pobres e ricos.
A máscara é um símbolo de proteção à enfermidade. Também simboliza o esconder a face e persistir nas falcatruas, muitas vezes sepultadas no ataúde dos mortos pelo corona ou pela corrupção. A movimentação silenciosa do vírus se assemelha à mão rápida e ao pé ligeiro dos falcatruas.
Outra “pandemia” nada tem de silenciosa e sutil. É barulhenta. Abusivamente barulhenta e escandalosa. Há séculos é identificada pela Medicina como destruidora da saúde. Seus vetores de transmissão são os malditos carros e caixas de som às portas de lojas e até nos passeios, motocicletas e outros veículos de alucinados e irresponsáveis com descarga aberta e tantos outros que o aturdido e ensurdecido leitor pode acrescentar.
Crônicas & Agudas
“Como o senhor aguenta trabalhar assim doutor?” – pergunta rotineira. Meu consultório é térreo na Galeria Zavarize, no Centro histórico de Viamão. Janelas altas abertas para melhor circulação de ar em proteção às pessoas. A proximidade com a Caixa Econômica Federal é um agravante severo.
Esses malditos e nefastos carros de som que já circulam em velocidade de atravancar o trânsito quase que estacionam às minhas janelas para atacar as vítimas nas filas da CEF. É impossível continuar a consulta, tenho que esperar seu afastamento. Estenda essa agressão ao tentar conversar ou assistir TV em qualquer lugar.
O estimado e efetivo Coronel Freitas ajudou-me ao máximo que poderia. E agradeço sua pronta intervenção. Mas o sistema ou a legislação é perniciosa e contagiosa – ainda veículos de circo se somam à poluição sonora.
Crônicas & Agudas
Ou a legislação é defeituosa ou sua execução é capenga. O médico e cronista pergunta: qual o poder público iniciará a contenção disso. Poluição sonora é crime contra a saúde. Leva-se vários anos para aprovar um projeto de engenharia para dar mais empregos ao povo e riqueza à cidade. Legislação rigorosa, como a que depende dos bombeiros, contrasta com a absoluta perdição das autoridades imporem-se na proteção da saúde do seu povo.
Eu não compro e recomendo que ninguém compre dessas empresas que fazem essas propagandas abusivas. Que seus donos se sensibilizem desse erro que estimulam e parem.
Vender mais causando doenças? Dar dinheiro para poluição sonora que envenena a vida? Adianta vender mais ansiolíticos e antidepressivos e até à noite o sono é invadida pelos alucinados e irresponsáveis com descarga aberta (literalmente deveria se puxar a descarga com essa gente nefasta).
Crônicas & Agudas
Viamão enfeiou-se pela poluição visual, seu lago poluído e sua centenária igreja matriz abandonada. Uma cidade enferma (e mal assistida de hospitais!), doente tal o número de farmácias e ambulâncias com sirenes abertas?
Aqui a poluição sonora acampou, requereu “usocapião” e se alojou como um tumor maligno que não encontra tratamento e solução adequados. Somos, sou viamonense raiz, como todos meus familiares. Essa é a minha/nossa terra. Ficar à sombra numa zona de conforto ou o enfrentamento do problema?
Entendam a veemência do médico (50 anos de Medicina em Viamão) e do cronista (30 anos de jornalismo) e se solidarizem na solução do mal. Para o comércio, há outras formas de atrair clientes. Para os demais patrocinadores da poluição sonora, que tomem consciência e respeito pela sociedade que os abriga ou que a lei (tão vilipendiada) seja eficaz. Apesar do barulho, escutem nosso protesto.
Ou o tampão de ouvido será nossa derradeira defesa? Dobradinha: máscara e tampão de ouvido?
2022.02.22 – Máscara e tampão de ouvido – Edson Olimpio Oliveira
Crônicas & Agudas – Jornal Opinião de Viamão