A Cabeça do Bacalhau!
Escrevo essa crônica num sábado de Páscoa. Amanhã o Coelho Pascal distribuirá ovinhos e ovões, conforme o poderio monetário da criatura “ovacionada” (cruel essa!). Por que coelho na Páscoa? Se provocar o Google surgirão origens mil. Como a representação da fertilidade, tanto pelo número de crias quanto pelas várias gravidezes anuais da dona coelha. No entanto classificar um homem de “coelho” (caolho – “no bronca”) será ofensiva e deprimente na sua sexualidade.
Há mitos pagãos sobre o coelho comemorar o final do inverno. Orelhas grandes significam inteligência escassa para o jumento e assemelhados. E para o coelho? Ovo de chocolate num mamífero? Era difícil enfrentar as perguntas dos filhos e depois dos netos. Tentava escapar pela tangente, pelos olhares estava claro para eles: “O vovô tá enrolado e não sabe nada de coelho.” Enfim, o espírito pascal se ancora num porto repleto de ensinamentos, percepções e entendimentos que para nós cristãos são fundamentos de nossa existência.
Crônicas & Agudas!
Há dias em que os neurônios se rebelam. Nesses dias em que o peixe, por milenar tradição, está à mesa pronto para ser degustado nas mais diversas e apetitosas configurações. Um paciente, nos tempos de Capivari do Sul, trouxe-me um “ovo de avestruz” (leia-se: ema) e bateu de peito de pé: “Tô criando uns coelhos macanudos e já tão botando ovo de Páscoa. Vô forrar o poncho de tantos pilas”. Colocou pólvora no estrogonofe de camarão.
Até o humor do gaúcho é assim meio abagualado e xucro uma beirada. Aqui o xiru fica palitando os dentes com a ponta da adaga enquanto conta os deitados na peleia e tira proveito até da desgraça para fazer um amigo sorrir e não arriar os ombros nas intempéries da vida. Com essa largada do amigo paciente, quase me caíram os butiás dos bolsos, mas num relance aprumamos uma risada.
Crônicas & Agudas!
Conhece Chester? Não, não é o mordomo do FHC. Chester, aquele bombado frango de Natal. Deve ser um frango de academia, puxador de ferro, um “halterofrangofilista”. Sabe que os pacientes gostam de aplicar nos seus médicos? Sempre tem uma pegadinha. Uma piada de plantão. Um causo sabido e até descabido. Pois é, nesse balanço da carreta sem as abóboras se ajeitarem, o paciente sacou e atirou mirando com o olho esquerdo tipo japonês – de fresta!. “Edinho, tenho uma conhecida que está criando Chester com o marido e vendendo os ovos dele.” – entre um sorriso de político safado. E contou uma estória.
Alguém de “vozes” já viu um Chester no pátio, ciscando e comendo minhocas ou arrastando a asa para uma franga numa cantada funk? Eu nunca vi! Ou alguém ter uma criação de Chester ou desses parrudos assemelhados como fábrica de Hércules e clones do Arnold Schwarzenegger? “Jamé l’amour” – no verbo do Arigó do Lago da Tarumã, em bom francês viamonense.
Crônicas & Agudas!
Bacalhau! Não aquele que se usa no conserto do pneu (manchão). Não o jogador de futebol que joga a meia-boca, nem fede muito e nem cheira demais, entre San Juan e Mendoza, pega um bom contrato e se aposenta – no Colorado tem uma tropa. Nem outros de dicionário espremido – bacalhau, o peixe ícone da culinária portuguesa com certeza e de “nosotros” do outro lado do mar. Salgado ou sem sal. Pensa nuns bolinhos de bacalhau com um vinho ou uma cerveja gelada. Bacalhau à Gomes de Sá ou nas mais variadas versões e diversões, sabores deliciosos e até de comer ajoelhado.
Pois é, onde está a cabeça do bacalhau? Tem que ter. Não é parente da minhoca. O gato não comeu. Esse é outro desses mistérios que me corroem a mente nesse sábado de aleluia e sem um baile para ir. Cadê a cabeça do bacalhau? Quedê? Alguém, algum iluminado ministro do STF já viu e agarrou a cabeça do bacalhau? Embananou de vez. Lascou total.
O doutor Cabeça, meu meio-irmão, passaporte português, cidadania lusitana, escalou-se para clarear o mistério da cabeça do bacalhau. Enquanto isso, aceita mais um bolinho de bacalhau?
2022.04.26 – A Cabeça do Bacalhau – Edson Olimpio Oliveira
Crônicas & Agudas
Jornal Opinião de Viamão