“Digavar e sempre!”
Como você, encanto-me com a simplicidade de tantas pessoas humildes que nos ensinam pérolas de sabedoria. A humanidade reverencia a genialidade em todos os tempos. A filosofia dos antigos gregos enriquece a nossa existência e é inalienável da filosofia e medicina atuais. Assim como o direito romano continua a embalar e direcionar nossa vida.
Citam-se facilmente dezenas de pessoas em todas as áreas do conhecimento humano que deram novos rumos à humanidade. No entanto, cada pessoa, da mais simples à mais laureada, é uma fonte de ensinamentos para sua família e para a sociedade. Até os parasitas, que vivem e proliferam do trabalho e do esforço alheio, sempre tem coisas a nos ensinar – de bom e de ruim!
Cr & Ag
Um ancião, que tive a honra de ser seu médico, depois de um aperto de mão e olhando nos meus olhos dizia sorrindo: “Digavar (devagar) e sempre doutor!” Suas comparações e analogias durante suas consultas sempre me enriqueceram e disse-lhe certa vez que “eu é que lhe devo pagar a consulta”. Seu eterno sorriso continuava gratificando.
– O senhor é o único médico que conheço que conversa com a gente e não tem pressa de acabar a consulta mesmo com esse povaréu aí na sala de espera e ainda examina a gente de cabo a rabo! – explicou-me um dia. – Vê, doutor, que no trotezito o cavaleiro vai muito longe, mas no galope ou na corrida é como uma cancha reta, nunca vai muito longe. E o segredo é digavar (devagar) e sempre! – ensinava-me.
Nunca precisou dizer ou explicar sua sabedoria pela “escola da vida”, que seria esperado e normal. Seu corpo demonstrava com todas as letras e acentos que teve uma vida de árduo trabalho que beneficiou sua família e toda a sociedade. E tinha orgulho de ainda trabalhar.
Cr & Ag
O mundo mudou. As pessoas mudaram. Certa feita, na minha juventude o meu amado pai Aldo Cabeleira disse-me: – “Se tua avó Celina sentasse ou se acordasse na sepultura agora e visse o mundo e as pessoas do jeito que estão, acho que morreria de novo!” Algumas décadas se passaram. A tecnologia evoluiu mais em meio século do que nos milênios que antecederam.
E as pessoas? Está mais fácil separar o joio do trigo? Estamos numa transição em que o bem e o mal tornam-se mais evidentes. A rapidez em que se vive, mascara, anuvia, desbota, tisna e atrapalha o raciocínio límpido. Há pessoas cultas e outras muito diferenciadas em suas atividades que falseiam solenemente a verdade. E com tanta convicção, como dizia o mago da propaganda nazista Göebbels, que aquilo se torna “verdade” e logo lhe seguem discípulos, acólitos, fãs ou eleitores.
Como entender que as mesmas pessoas contrárias aos 21 anos da “ditadura” brasileira sejam adeptos e disseminadores de corpo e alma do mais de meio século de ditadura cubana? Como entender que os “médicos cubanos” prestem “ajuda humanitária no Brasil e outros locais” se não havia cubanos nos Médicos sem Fronteiras, a maior entidade mundial de assistência humanitária e sempre presente nos maiores dramas e conflitos da humanidade – mas sem vinculação ideológica ou política? E nos Médicos sem Fronteiras há que provar ser realmente médico.
Cr & Ag
Como faríamos aquele ancião entender que o salário mínimo que recebia da previdência por toda uma existência honesta de trabalho árduo é menor daquilo que o assassino, estuprador, ladrão, corrupto e besta humana recebe para “fins sociais”.
Enquanto o Bem aguarda pacientemente o livre arbítrio, o Mal ataca não dando tempo para pensar, raciocinar, entender e mostrar as “benesses e as belezas” do pior caminho. Onde está o mal e o bem?
A necessidade de poder, do poder total e absoluto, da dominação e da dependência das pessoas, das riquezas “necessárias”, do retirar e dividir os bens dos outros, da abominação ao mérito e ao merecimento, à destruição dos valores morais e éticos – nesse caminho – não reflete ou espelha o Bem e a Luz, mas o lado sombrio da força, as sombras e o Mal, inclusive personificado. (Nota do Cronista: texto original de 2014 com algumas alterações)
2022.07.19 – Digavar e sempre – Edson Olimpio Oliveira
Crônicas & Agudas – Jornal Opinião de Viamão
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