“O seguro morreu de velho!” Mas morreu.
Expressões ou frases singelas de nossa língua expressam um universo, uma miríade de sentimentos, sabedoria e ensinamentos, nesse espectro estão os ditados populares – com bom humor digo para não confundir “velhos ditados” com “velhos deitados”. Várias crônicas, muitas pepitas de ouro, alguns diamantes brilham em nossos olhos.
Vivemos num tempo em que a visão da crescente maioria das pessoas é tubular, como visualizar o mundo através de um canudo. Assim é a tela do celular, que ocupa tempo demasiado plantando ou colhendo qualquer coisa útil ou muito fútil. Isso é parte da nossa evolução como pessoas e sociedade.
“Devagar se vai longe! E nessa mesma balada: “No trotezito do cavalo se vai muito longe, mas no tiro de cancha reta, pode-se matar o pingo(cavalo) ou o cavaleiro”. Cautela! Pensar antes de agir. Há uma tradicional recomendação: “Conte até 10! Se não for suficiente, conte novamente”. Mas jamais contar excessivamente, indefinidamente.
Crônicas & Agudas!
Cautela é precaução ou prudência. “Não vai morrer na véspera como o peru e a ovelha!” – sendo a véspera entendida como do Natal ou do Ano Novo com a tradicional ceia com peru ou com carne de ovelha. Aqui no garrão meio encardido do Brasil é nossa tradição. ‘O afobado come frio e o abobado come se queimando’ – em nova versão para o incauto. Fazer com capricho, avaliando cada passo, entendendo cada etapa, aprimorando na seguinte e evoluindo sempre.
A Bíblia Sagrada assim nos ensina com Deus criando o mundo – Genesis. Em qualquer obra, como uma simples casa – escolher um bom local, preparar o terreno, as fundações sólidas, paredes no prumo, telhado protetor, ambientes bem definidos e distribuídos, entre outros cuidados de planejamento e execução. E aprender com os erros próprios. E dos alheios.
Crônicas & Agudas!
O título também no remete e avisa que há um desenlace inexorável para tudo e para todos. Mas com bom “resguardo e uma canja de galinha” vamos cultuando e semeando o nosso melhor. Sim, aos indiferentes (insosso, insípido, inodoro, “não fede e nem cheira”) resta a vala comum da história. Os malignos até serão cultuados, colhidos na alma sombria de seus acólitos e propagados virulentamente.
Não espere que o “balanço da carreta arrume as abóboras”. ‘Quanto mais eu trabalho mais a sorte me procura e encontra’ – continuamos nesse bailado, nessa ioga ou fisioterapia de corpo e mente. Faça do teu corpo a tua igreja ou o teu templo. E da tua mente o portal luminoso de teu espírito imortal! – concorda?
Crônicas & Agudas!
Ser prudente é “não enfiar os pés pelas mãos; ou as mãos pelos pés”. Ter cautela é não percorrer os extremos e nem se embalar na rede do descompromisso ou nutrir-se no sopão da procrastinação. “Devagar e sempre!” “Toca firme aí, meu irmão!” Vivências e experiências para “não embarcar em canoa furada”, “nem pegar o leão pelo rabo”. Muito menos “o touro pelos chifres!” Jamais esquecendo que “o mingau e o pirão quente se come pelas beiradas” e nem “se palita os dentes com a ponta da adaga.”
A criatura segura se garante, “calça o pé no toco” e “nem tem medo da coisa feia”. Muito menos “arria a bombacha ou escapa um caldinho perna abaixo numa peleia, mesmo se danada de feia”.
E assim o cronista vai floreando a acordeona no sotaque das palavras e no emaranhado do dicionário, embaralhando palavras e mensagens, deixando o bom humor fluir e o coração batucar ao ritmo do Brasileirinho.
Nossa língua é rica e poderosa no amálgama da imensa diversidade desse povo de um peito sem fronteiras. Daí ser invadido pelas falanges do ódio, da corrupção, da injustiça e da vagabundagem carimbada nas urnas. Se “não tá morto quem peleia”, dizia um gato no meio de cinco pitbull, seja cauteloso, muito seguro e jamais acredite que aquilo que não presta, vai se santificar com o teu voto. Ou o meu!
2022.06.28 – “O seguro morreu de velho!” Mas morreu. – Edson Olimpio
Crônicas & Agudas!
Jornal Opinião de Viamão