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Crônicas. Contos. Literatura. Jornalismo. Imagens e datas significativas.
27 set 2022 Deixe um comentário
“O passo maior que as pernas”
É outro exemplo da sabedoria popular que se derrama em nosso cotidiano com ensinamentos primordiais para a harmonia da vida. Algumas formas de completar a expressão: “vai cair se der um passo maior que as pernas permitem” ou “a calça rasga nos fundilhos se der um passo maior que as pernas podem dar”. Ainda: “Se lascou esgaçado!”
O significado navega pelo momento da utilização. Por exemplo: assumir um compromisso acima de suas possibilidades – “estourei meu cartão de crédito e caí no SPC”. Outro: querer fazer tudo ao mesmo tempo, termina não fazendo nem uma coisa e nem outra a contento. Há quem acrescente: “Meti os pés pelas mãos”, ou vice-versa.
Observe, atento amigo, que isso serve para pessoas, como para empresas ou instituições públicas, pois todas são geridas, em última análise, por pessoas que muitas vezes desprezam as suas responsabilidades com o dinheiro alheio (do cidadão e contribuinte) ou com a ética e bons costumes.
Crônicas & Agudas!
Qual é o limite? O limite começa pela individualidade, pela capacidade da pessoa de executar a missão proposta ou de reunir-se com outros para uma melhor realização e final. Quando “a calça rasga no fundilho” significa que a criatura ficará exposta nas suas fraquezas e territórios mais frágeis (?). Desnudado. Exposto. Descoberto. Despido ou nu! Como queira e sentir melhor. Observe que o perdulário é uma vítima de si próprio – um mão-aberta, mão-furada, gastador que dilapida seu patrimônio, de sua família ou da instituição. Observe o poder público! Quantas vezes além de perdulário é um facínora que se aproveita de variadas falcatruas nas obras, licitações, do clipe de papel ao porto e aeroporto.
Crônicas & Agudas!
Há casos da criatura ser movida por uma necessidade quase irresistível, nascida de seu interior, de fazer algo pouco lógico ou desnudando irracionalidade. Podemos nos confrontar com uma atitude e conduta patológica, compulsiva, necessitando suporte e tratamento adequado. A pandemia pode ter agravado e, eventualmente, desabrochado essas situações. Muitas pessoas, pelo temor da morte ou de permanente incapacidade, resolveram viver a vida intensamente sob diversos aspectos. Antecipar aquilo já programado? Temor de deixar para outrem tudo que conquistou e se privou? Observe as vendas avassaladoras pela internet, como de veículos mais sofisticados que chegaram a faltar.
Todos tem noção de sua finitude aqui nessa terra brasilis saqueada e violentada. Quantos negam essa regra básica e inapelável da existência – ninguém escapa indefinidamente da morte? Entretanto saqueiam os cofres públicos (e privados) como se vivessem centenas ou milhares de anos e ainda levassem para sua tumba faraônica seus espólios, riquezas de roubo, pilhagem, da pior pirataria.
Talvez não haja girafa com pernas maiores que os falcatruas aboletados no poder. Cada vez seus passos são maiores, talvez pela noção de que não pagarão a conta. Outros terão de pagar como contribuintes vampirizados. Quantos devem sentir a proteção vacinal de alguma justiça tão lenta quanto necessária e tão direta e protetora quanto necessária também. Na terra em que a impunidade dá lucros, dividendos e estrelato dogmático, os passos continuam, infelizmente, maiores que as pernas.
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2022.09.20 – O passo maior que as pernas – Edson Olimpio Oliveira
Crônicas & Agudas – Jornal Opinião de Viamão
25 set 2022 Deixe um comentário
A Família Arigó e a Faxina!
No modismo atual (e exasperante!) há quem divida os viamonenses em “nutela e raiz”, outros em “sangue puro, naturais e os importados e alienígenas”. No meio das celeumas e tiroteios verbais há a família Arigó. Família grande, enorme mesmo, escarafuncha todos os cantos e recantos dessa pátria varonil, desde que a primeira caravela aportou num porto que até hoje é inseguro até para a bandidagem.
Num jogo de xadrez, o Arigó é uma peça como o peão. Também pode ser associado o termo ao roceiro, agricultor mais humilde, o matuto, o jeca tatu, o caipira, o pejorativo simplório. Entendo muito pelo lado e vertente do sujeito estoico, resiliente, batalhador, um bravo e denodado. Viamão, a Primeira Capital de Todos os Gaúchos, tem suas centúrias de arigós, que o cronista aporta em Crônicas & Agudas.
Cr & Ag!
“E a Faxina”? Pois é, caro leitor e eleitor, são diversos os significados. Entre eles está a terra hostil ao trabalho que se exige árduo pela adversidade. Viamão já foi o segundo município em extensão territorial do RGS. Reza a lenda que com o Tratado de Tordesilhas, Viamão iniciava-se ao sul de Laguna, batia em Colônia do Sacramento, margens do Rio da Prata, tinha o por do sol nas barrancas do rio Uruguai e ao nascer do astro-rei mergulhava nas ondas salitradas do oceano Atlântico – “Que beleza”!
Tradicionalmente a Faxina era uma vasta extensão de terra arenosa ou barrenta nos banhados onde hoje está Águas Claras, Morro Grande (visite antes que vire “buraco grande”) e vai até a Estiva. Sempre mateando nas águas da Lagoa dos Patos.
Crônicas & Agudas!
Pitangueiras e araçazeiros. Maricás e vegetação escassa e valente. Formigas! Muitas formigas. Mais ainda que você pensa. Grandes! Muito grandes. Contou-me um Fraga que seu cachorro ovelheiro brigou uma tarde com uma vermelhona. Arreglou e saiu esganiçando com o rabo entre as pernas. Todo lanhado! Escutei, mas não comprovei. Outro arigó contou que sua roça de melancia foi carregada pelas formigas numa noite.
“Melancia nas costas das formigas!” – o mulato Gaudino Dente de Ouro, exímio domador de cavalos xucros, confirmou que viu os rastros, mas o cavalo se renegou seguir adiante. Essa fama das formigas da Faxina correu mundo. Dizem que Saint Hilaire e Darwin marcaram data de visitar a região. “Onde estão hoje as formigas?” – dizem que morreram empanzinadas de DDT, cachaça, votos errados e outros venenos.
Cr & Ag!
Na minha infância, morando na esquina da avenida Bento Gonçalves com a rua 2 de Novembro, na bocada do Cemitério Velho, trajeto das tropas de gado levadas à carneação no matadouro dos Pinto, no Mendanha, era o trajeto desses guerreiros. Outro Fraga deixava a carroça e o cavalo ancorados no costado do “hospital das freiras” e num passo rápido seguia pela terra dura riscada com seus chinelos de tambo (couro), a mulher com um filho no colo e outro na barriga tentava acompanhá-lo no passo rápido como um corisco, uns 3 ou 4 filhos seguiam na retaguarda, sempre um chorando sem nem saber o porquê. Carregava uma mala de garupa, tecido de brim sobre o ombro, cabelo espetado como vassoura de piaçava, calças meio arregaçadas e camisa – mesmo no inverno. Vinha se abastecer na cidade. Visitar algum parente? Cumprimento inaudível, também a cabeça consentia e isso bastava. Ah! 2 ou 3 cachorros ficavam com o cavalo na sombra da carroça.
O seu Aldo Cabeleira, meu pai, em suas andanças de caçadas e pescarias e pelo trabalho conhecia diversos desses guerreiros. Quando ia com meu pai para essas regiões, ele se municiava de diversos pães de padaria, a maioria pão d’água de ½ kg e outros daqueles com “doces no lombo”. Buzinava defronte a morada do amigo e eu descia do jipe e colocava o pão no palanque da porteira. Era comum vir uma criança correndo buscar o apreciado presente!
Belos tempos e um privilégio para mim!
2022.09.13 – A Família Arigó – Edson Olimpio Oliveira
Crônicas & Agudas – Jornal Opinião de Viamão
Dr. Edson Olimpio Silva de Oliveira
Médico. Cirurgião. Escritor
CREMERS 07720
. * .
Médico Cirurgião Jubilado
Sociedade de Cirurgia Geral do Rio Grande do Sul – SOCIGERS
Conselho Regional de Medicina RGS – CREMERS
Associação Médica do RGS – AMRIGS
Associação Médica Brasileira – AMB
Viamão – RS
1971 a 2022 – 51 Anos de Medicina
http://www.edsonolimpio.com.br
Autor dos livros:
Crônicas & Agudas
Crônicas & PontiAgudas
Trinity! A Saga continua.
30 Anos de Jornalismo
Cronista Jornal Opinião de Viamão
14 set 2022 Deixe um comentário
Dr. Edson Olimpio Silva de Oliveira
Médico. Cirurgião. Escritor
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Cronista Jornal Opinião de Viamão